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Economia

Estrangeiros retiram R$ 20 bilhões da B3 no segundo trimestre

Trata-se da segunda maior fuga da capital desde 2022, potencializada pela crise nas contas públicas

B3, a Bolsa de Valores do Brasil
Bolsa de Valores de São Paulo (B3) poderá ter uma negociação no-stop | Foto: Reprodução/Shutterstock | Foto: Reprodução/Shutterstock

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Entre abril e junho de 2026, o capital estrangeiro retirou cerca de R$ 20 bilhões da B3, marcando a segunda maior saída trimestral desde 2022, devido à aversão ao risco nos mercados globais e incertezas fiscais no Brasil, segundo a Elos Ayta Consultoria. Apesar disso, o primeiro semestre teve um saldo positivo de R$ 34 bilhões em aportes líquidos, impulsionados por preços atrativos e expectativas de queda da Selic.

Investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 20 bilhões da Bolsa de Valores do Brasil (B3) entre abril e junho. Foi a segunda maior saída trimestral de recursos desde o começo da série histórica, em 2022.

Segundo a Elos Ayta Consultoria, o movimento refletiu o aumento da aversão ao risco nos mercados globais e as incertezas fiscais no país.

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O levantamento considera apenas a compra e a venda de ações entre investidores na Bolsa de Valores. Por isso, não inclui ofertas de ações feitas diretamente pelas empresas, como estreias na B3, conhecidas como IPOs, nem novas emissões de companhias que já têm papéis negociados, chamadas de follow-ons.

Apesar da forte retirada no segundo trimestre, o primeiro semestre terminou com saldo positivo. Isso porque, entre janeiro e março, os investidores estrangeiros haviam aplicado R$ 54 bilhões na B3, um dos maiores ingressos trimestrais da série histórica iniciada em 2022.

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Com isso, o saldo líquido entre janeiro e junho ficou positivo em R$ 34 bilhões. Ao considerar também as ofertas públicas de ações (IPOs e follow-ons), o ingresso sobe para R$ 37 bilhões.

Na avaliação da Elos Ayta, o ingresso de recursos no começo do ano foi impulsionado por ações negociadas a preços considerados atrativos, pela expectativa de queda da Selic, pela busca global por mercados emergentes e pela combinação de juros elevados com câmbio competitivo.

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Telão de cotações do prédio da Bolsa de Valores B3, na R. XV de Novembro, 271, no centro antigo de São Paulo | Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Mudança de cenário da B3

O cenário mudou no segundo trimestre. De acordo com a consultoria, a reversão refletiu o aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Oriente Médio, a valorização do petróleo e a revisão das expectativas para a política monetária norte-americana.

Com isso, o mercado reduziu as apostas em cortes mais rápidos dos juros pelo Federal Reserve, o Banco Central dos EUA.

Já no Brasil, as discussões sobre o quadro fiscal, as dúvidas em relação às contas públicas e a revisão das expectativas para a queda da Selic também elevaram a volatilidade e estimularam a realização de lucros depois da valorização registrada no começo do ano.

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Desde janeiro de 2022, apenas dois semestres registraram saída líquida de recursos estrangeiros da B3, sem considerar IPOs e follow-ons: o primeiro semestre de 2024, com retirada de R$ 40 bilhões, e o segundo semestre de 2025, com saldo negativo de R$ 980 milhões.

Para a Elos Ayta, o comportamento do investidor estrangeiro continua sendo determinante para a Bolsa do Brasil. A entrada de recursos aumenta a liquidez e favorece a precificação dos ativos; a saída, por sua vez, tende a acelerar os ajustes de mercado e ampliar a volatilidade.

Nos próximos meses, esse fluxo dependerá da evolução das tensões geopolíticas, da trajetória dos juros nos EUA e da capacidade do Brasil de reduzir as incertezas fiscais.

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