A dívida pública bruta do Brasil subiu para 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês de abril. O Banco Central (BC) divulgou o balanço oficial nesta sexta-feira, 29. O índice registrou alta de 0,3 ponto porcentual em comparação com março, o que eleva o endividamento total do país para o patamar de R$ 10,4 trilhões. O indicador abrange as contas do governo federal, do INSS e das gestões estaduais e municipais.
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O avanço das obrigações financeiras no ano já acumula alta de 1,7 ponto porcentual do PIB. A autoridade monetária explicou que o principal motor desse crescimento foi o peso dos juros nominais apropriados. A despesa com os juros da máquina pública anulou os efeitos benéficos do crescimento da atividade econômica e da valorização do câmbio no período.
Juros explodem e passam de R$ 1 trilhão em 12 meses
O custo para carregar os compromissos do Estado brasileiro disparou no último ano. O setor público consolidado gastou R$ 84,8 bilhões apenas com os juros nominais em abril, contra R$ 69,7 bilhões desembolsados no mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a conta de juros atingiu a cifra recorde de R$ 1,095 trilhão, o equivalente a 8,43% de toda a riqueza produzida no território nacional.
A escalada desses custos sufoca o caixa governamental e gerou um déficit nominal de R$ 60,1 bilhões no balanço mensal. O rombo nominal acumulado pelo país em 12 meses estacionou em R$ 1,222 trilhão, mantendo o indicador de desperdício em 9,41% do PIB. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) também acompanhou a tendência de alta e alcançou 67,4% do PIB, totalizando R$ 8,8 trilhões.
Arrecadação garante superávit primário temporário
O setor público consolidado entregou um superávit primário de R$ 24,624 bilhões no quarto mês do ano, superando a meta dos analistas de mercado da agência Reuters, que projetavam saldo de R$ 22 bilhões. O governo central liderou o resultado, com R$ 26,1 bilhões positivos. Estados e municípios conseguiram um saldo magro de R$ 329 milhões, enquanto as empresas estatais federais fecharam no vermelho, com déficit de R$ 1,8 bilhão.
A sobra momentânea no caixa operacional não resolve o problema estrutural das contas de Brasília. O balanço do Banco Central mostra que o setor público acumulou um déficit primário real de R$ 126,6 bilhões nos últimos 12 meses. O resultado negativo na contabilidade de longo prazo equivale a 0,97% do PIB, expondo a incapacidade da gestão federal de conter a expansão dos gastos correntes.
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