publicidade
Política

Câmara aprova internação de menores dependentes químicos a pedido dos pais

O projeto de lei permite o acolhimento de crianças e adolescentes em comunidades terapêuticas e cria modalidades de tratamento sem tempo máximo de permanência

isidório-dependentes químicos-camara
Segundo Isidório, "o ECA, 40 anos atrás, não previa esse número de menores se drogando" | Foto: Agência Câmara de Notícias

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que autoriza os pais ou responsáveis legais a solicitarem a internação de crianças e adolescentes dependentes químicos em comunidades terapêuticas. A votação ocorreu de forma simbólica no plenário e contou com o apoio unânime da bancada evangélica. O texto segue agora para a análise do Senado Federal. O projeto original é de autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA).

+ Entenda o que é Política em Oeste

Receba nossas atualizações

A proposta foi aprovada na forma do substitutivo apresentado pelo relator, deputado Dr. Fernando Máximo (PL-RO). O parlamentar defendeu a ideia de que a internação funciona como uma medida excepcional para os casos em que os tratamentos ambulatoriais e hospitalares comuns falham. Pela nova regra, o acolhimento deve ser feito de maneira conjunta com a família em instituições privadas devidamente credenciadas pelo governo federal.

Regras rígidas de infraestrutura e isolamento

As clínicas que aceitarem o público infantojuvenil precisam adaptar as instalações para cumprir exigências técnicas de segurança. Os estabelecimentos devem manter uma equipe multiprofissional com especialistas das áreas de saúde e assistência social. O espaço físico necessita ter características residenciais e familiares, incluindo locais para atividades culturais, esportes e recreação.

O texto obriga a separação física completa entre os menores de idade e os pacientes adultos dentro das dependências da instituição. O isolamento deve ocorrer de forma rigorosa em alojamentos, banheiros e pátios de convivência. Se a estrutura do prédio impossibilitar a divisão das alas, o centro terapêutico fica obrigado a manter a vigilância constante por monitores ou pelos pais para proteger os jovens.

Novas categorias alteram a Lei de Drogas

A proposta mexe na estrutura da Lei de Drogas e cria duas novas modalidades de atendimento médico. A internação assistida vai exigir a anuência dos responsáveis e o consentimento do adolescente de 12 a 18 anos, sem a necessidade de contratos assinados nem laudos prévios para a saída. A nova versão da internação voluntária permite o isolamento do jovem sem o consentimento dele, desde que os pais façam o pedido respaldados por um laudo médico que aponte riscos à integridade física do menor.

Os dois novos modelos não fixam um tempo limite para a permanência do dependente químico sob custódia, ao contrário do limite de 90 dias fixado pela legislação atual. O projeto também mudou o fluxo de fiscalização das clínicas. Os diretores dos centros médicos devem avisar sobre as admissões e as altas médicas diretamente ao Conselho Tutelar ou ao Ministério Público.

Críticas da esquerda e pânico moral

Os partidos da base governista tentaram travar a votação e criticaram o avanço do projeto de lei no Parlamento. O líder do PT, Pedro Uczai (SC), afirmou que o Congresso deveria focar os recursos financeiros no fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e na rede dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). O petista argumentou que o atendimento profissional e estatal é mais eficiente do que o repasse de verbas para entidades religiosas.

O chefe da bancada do PsolL, Tarcísio Motta (RJ), acusou a oposição de criar um pânico moral na sociedade para aprovar medidas punitivas. O parlamentar alegou que a proposta ressuscita a lógica dos antigos manicômios e ignora as diretrizes modernas de saúde mental. Os defensores do projeto rebateram as críticas e afirmaram que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) está desatualizado perante o crescimento das facções criminosas. “O ECA, 40 anos atrás, não previa esse número de menores se drogando”, afirmou Isidório.

Leia também: “Câmara aprova isenção de impostos sobre compras de igrejas”

Confira

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade