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Economia

Credcesta, ligado ao Master, soma quase 3 milhões de consignados

INSS identificou crescimento de 2.500% em dois anos e indica risco de danos a aposentados e pensionistas

PF Banco Master possível envio primeira instãncia STF
O INSS informou à Folha que o Master encerrou 2025 com 324.849 contratos ativos de crédito e benefício consignado | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Documentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam um salto expressivo no número de contratos de benefício consignado associados ao Credcesta, produto ligado ao Banco Master. Os registros indicam que as operações passaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024.

Relatórios obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo mostram um padrão de “desconformidades nas operações de crédito consignado associados ao produto Credcesta”. O INSS afirma que a situação eleva o risco de danos aos beneficiários e exige “intervenção preventiva” até a conclusão da análise dos contratos.

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Segundo o órgão, ainda não é possível confirmar se o Credcesta operava de forma exclusiva pelo Master ou se outros bancos atuavam sob o mesmo rótulo. Ao mesmo tempo, interlocutores afirmam que o produto sempre pertenceu exclusivamente à instituição financeira.

Além disso, especialistas ouvidos pela Folha sustentam que o INSS não consegue acessar bases de dados de Estados e municípios e, por isso, os documentos não esclarecem se os contratos abrangem servidores e aposentados de diferentes esferas.

Sob condição de anonimato, executivos do setor consignado argumentam que o Master tinha participação pequena nas operações do INSS. Segundo eles, o banco não teria estrutura para gerar quase 3 milhões de contratos nesse segmento.

Master nega irregularidades em consignados

O INSS informou à Folha que o Master encerrou 2025 com 324.849 contratos ativos de crédito e benefício consignado. O instituto declarou que não trabalha com o Credcesta e não explicou a diferença entre os volumes registrados ao longo dos anos.

De acordo com a assessoria do Master, os liquidantes tratam atualmente das questões relacionadas ao consignado da instituição. O Banco Pleno, antigo Voiter, adotou posição semelhante: passou a abrigar o Credcesta, focado em Estados e municípios, sob gestão de Augusto Lima.

“O Master sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”, disse a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master.

Diretoria do INSS registra “ponto de atenção”

Augusto Lima criou o benefício consignado por meio do Credcesta, em 2018. Ele firmou contrato de exclusividade de 15 anos com o governo da Bahia, na gestão de Rui Costa (PT), e depois estabeleceu parceria com o Master. O produto chegou a 24 Estados e 176 municípios até o fim de 2024.

Inicialmente, o modelo atendia apenas servidores estaduais e municipais. Em 2022, Lima apresentou a proposta ao INSS e a modalidade passou a valer para aposentados e pensionistas do instituto.

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De 2020 a 2025, o Master operou todas as linhas de consignado do INSS por meio de acordo de cooperação técnica. Quando surgiram denúncias sobre a simulação de consignados, o instituto suspendeu o registro do banco.

A Polícia Federal prendeu Vorcaro e Lima em 17 de novembro de 2025. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master.

O INSS deixou de renovar o acordo de cooperação em setembro, o que resultou no descredenciamento do banco. Em outubro, a Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão registrou “ponto de atenção” na operação do Credcesta.

Dados compilados pelo INSS revelam 3.378 reclamações contra o Master entre 2020 e 2024, registradas na Senacon, vinculada ao Ministério da Justiça.

“As manifestações de ouvidoria, dados da Senacon e registros em plataformas públicas indicam padrão reiterado de dificuldades na quitação por parte dos aposentados e pensionistas, na solicitação de cancelamento de produtos contratados, cobranças indevidas e reclamações sobre empréstimos não reconhecidos, sugerindo falhas estruturais no cumprimento de normas”, informou o INSS.

MP recomenda prioridade a vítimas de descontos indevidos

O instituto sustenta que o cenário exige cautela e ampla apuração na concessão de crédito consignado, especialmente no caso do Credcesta.

Ao todo, o INSS autoriza três modalidades de crédito com desconto em aposentadorias. A primeira é o empréstimo consignado tradicional, com valor e prazo definidos. A segunda é o cartão de crédito consignado, que permite saques e cobra desconto mínimo mensal, enquanto o restante entra no rotativo.

A terceira modalidade é o benefício consignado. O modelo autoriza saques, opera no rotativo, prevê juros menores e inclui serviços adicionais.

+ “Caso Master: PF cita mensagens de Vorcaro sobre repasse milionário a resort de Toffoli”

No início deste mês, o Ministério Público Federal (MP) recomendou aos liquidantes do Master e ao INSS que priorizem, no pagamento de recursos, aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos. A Procuradoria da República no Distrito Federal conduz inquérito civil público sobre supostas fraudes nesse crédito.

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