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Economia

BRB torrou R$ 1,5 bi em ativos ligados a esquema de lavagem

Banco de Brasília comprou fundos geridos pela Reag e pelo Master mesmo com alertas técnicos sobre fraudes

Fachada do prédio do Banco de Brasília (BRB): tentativa de reduzir o prejuízo | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Fachada do prédio do Banco de Brasília (BRB): tentativa de reduzir o prejuízo | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) despejou R$ 1,5 bilhão em ativos financeiros de alto risco vinculados ao Banco Master e à administradora Reag. Documentos exclusivos do portal Metrópoles revelam que as transações ocorreram quando as instituições já eram alvos da Polícia Federal (PF) na Operação Carbono Oculto. A investigação apura o uso de fundos da Reag pelo PCC para lavar dinheiro.

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As instâncias de comando do BRB aprovaram as compras a toque de caixa em setembro de 2025. O objetivo era limpar o balanço do banco público, trocando dívidas “podres” do cartão Credcesta, operado pelo Master, por ativos com aparência de saudáveis. A diretoria autorizou o pagamento antes mesmo da conclusão de pareceres de risco. Os relatórios técnicos, quando saíram, apontavam semelhanças com as fraudes investigadas pela PF.

Sócios por acidente e avaliação inflada

Os negócios do BRB incluíram a compra de 100% do fundo FIP SH por R$ 350 milhões. A manobra transformou o banco público em sócio do empresário Roberto Justus na empresa Stellcorp. O apresentador só descobriu a existência do novo parceiro meses depois. A área técnica do banco alertou para o fato de que o investimento tinha baixa rentabilidade e beneficiava apenas o Master em caso de lucro futuro.

Em outra operação suspeita, o BRB aceitou ativos de um condomínio em São Paulo com valor inflado artificialmente. A Reag alterou a avaliação da empresa Novo Bairro S/A de R$ 400 mil para R$ 1,7 bilhão em apenas um mês. O banco pagou R$ 300 milhões por uma fatia que, semanas antes, valeria apenas R$ 100 mil.

Terras superfaturadas e empresas-fantasmas

Segundo o portal, o banco também destinou R$ 315 milhões ao fundo Brazil Realty. O investimento envolve terrenos da família Vorcaro em Minas Gerais precificados com valores irreais. Um dos lotes em Contagem teve o metro quadrado avaliado em R$ 3,9 mil, embora imóveis vizinhos custem quatro vezes menos. O terreno faz divisa com trilhos de trem e tem formato irregular, o que reduz o valor de mercado.

No apagar das luzes de 2025, o BRB aprovou mais R$ 481 milhões em compras motivadas pela quebra iminente do Banco Master. O pacote incluiu ações da Aliança Saúde, que desabaram logo que o negócio foi fechado. O banco comprou ainda participação na BM Varejo S.A, uma empresa de capital fechado que operava em endereço errado e não possuía atividade real.

Alertas ignorados pela cúpula

O Metrópoles afirma que cinco superintendências do BRB emitiram avisos sobre o perigo das operações. Os técnicos ressaltaram que o Master enfrentava risco de insolvência e múltiplas investigações. Os documentos mostram que a estrutura de “fundo sobre fundo” dificultava a identificação dos verdadeiros donos do dinheiro.

A diretoria do banco ignorou os riscos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo citados nos pareceres. Mesmo cientes de que a Reag cancelaria seu registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os chefes do BRB mantiveram as transferências bilionárias. Atualmente, os ativos acumulados pelo banco público valem uma fração do preço pago.

Leia também: “Caiado defende mandato de 10 anos e limite de idade para ministros do STF”

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