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Economia

BRB e Banco Master buscam alternativa depois de veto do BC à aquisição

A agência Fitch rebaixou as classificações de risco das instituições nesta terça-feira, 9

Venda do Banco Master é objeto de questionamento de órgãos como o Ministério Público do DF e Territórios | Foto: GM/MPDFT
Venda do Banco Master é objeto de questionamento de órgãos como o Ministério Público do DF e Territórios | Foto: GM/MPDFT

Daniel Vorcaro, proprietário do Master, apresentou nesta terça-feira, 9, alternativas ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no intuito de contornar a rejeição da aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) pela autoridade monetária. O BRB havia desistido de recorrer da decisão da autarquia.

Apesar da exposição de possibilidades, nenhuma solução formal foi apresentada até o momento pelo banco privado, conforme relato de fonte que acompanha as negociações ao jornal Folha de S.Paulo. O encontro marcou a primeira reunião presencial entre Vorcaro e Galípolo desde o veto do Banco Central à transação, comunicado na quarta-feira 3.

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Vorcaro chegou à sede do BC, em Brasília, por volta das 15h20 e saiu às 16h40 sem conversar com jornalistas. A reunião também contou com a presença dos diretores Ailton de Aquino, responsável pela fiscalização, e Renato Gomes, da área de organização do sistema financeiro, que participou por videoconferência.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Foto: Reprodução/Redes sociais
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Foto: Reprodução/Redes sociais

No mesmo dia, Ailton e Renato se reuniram por videoconferência com Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, e Dario Oswaldo Garcia Junior, diretor-executivo de finanças e controladoria do banco do Distrito Federal, para tratar de temas relacionados à organização do sistema financeiro, conforme registrado na agenda pública do BC.

Desde o anúncio feito em 28 de março sobre a intenção do BRB de adquirir 58% das ações do Master, Vorcaro e Galípolo já se encontraram ao menos cinco vezes. O presidente do Banco Central também manteve diálogo com representantes do BRB e de outras instituições financeiras a respeito da operação.

Fitch rebaixa BRB e Banco Master

Também nesta terça-feira, a agência Fitch alterou para negativa a perspectiva das classificações de risco — ou ratings — do BRB e do Banco Master. O Master ainda sofreu rebaixamento em três categorias: os ratings de inadimplência do emissor e de viabilidade caíram de B+ para B-, enquanto o rating nacional de longo prazo passou de A- para BB-.

Na última sexta-feira, 5, Galípolo declarou que o Master não representa ameaça ao sistema bancário nacional, mas não explicou os motivos da rejeição da compra. “O voto do colegiado é secreto, por envolver informações sob sigilo”, afirmou o presidente do BC.

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Segundo apuração da Folha, o risco de sucessão foi um dos fatores que pesaram na decisão do BC. O BRB, caso assumisse o controle, teria de absorver possíveis transações desconhecidas do Master. Outro ponto foi o risco de ativos considerados de baixa liquidez e maior risco (“bad bank”) contaminarem a parte saudável (“good bank”) a ser adquirida.

O montante envolvido nos ativos poderia ultrapassar a capacidade patrimonial do BRB para gerir eventuais prejuízos. O acordo divulgado em março previa que o BRB compraria 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master, por meio das holdings Master Holding Financeira e DV Holding Financeira.

Depois de ajustes, a proposta envolvia a compra de R$ 23 bilhões em ativos, restando ao Master cerca de R$ 48 bilhões. Uma alternativa em análise é solicitar apoio ao Fundo Garantidor de Crédito, que só pode atuar se acionado pelo controlador do Master ou pelo próprio BC em situações de intervenção ou liquidação.

+ Leia também: “Por que o Banco Master virou um problema para o sistema financeiro“, reportagem de Carlo Cauti

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