A indústria de blindagem de veículos segue em forte expansão no Brasil. O país é o maior produtor mundial de carros blindados, com volume quatro vezes superior ao do México, segundo colocado. O setor movimenta cerca de R$ 3,5 bilhões por ano e projeta crescimento de um terço na produção em dois anos, impulsionado pela queda de preços.
“O que leva uma pessoa a buscar proteção é o medo”, afirmou Marcelo Silva, presidente da Associação Brasileira de Blindagem, ao jornal Bloomberg. Segundo ele, quem passa a usar um carro blindado dificilmente volta atrás.
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A demanda reflete a rotina nas grandes cidades, onde motoristas passam quase duas horas por dia no trânsito, expostos a assaltos e emboscadas. Apesar da queda na taxa de homicídios na última década, o Brasil ainda concentra mais de 20% dos assassinatos do mundo, com apenas 2,7% da população global.
Pesquisas mostram que mais de 80% dos moradores urbanos têm medo de andar a pé, o que reforça a dependência do carro — e a busca por proteção adicional.
Blindagem em alta
Cerca de 400 mil carros blindados circulam hoje no país. Em 2024, a produção cresceu 17%, alcançando 34.402 unidades. Para este ano, a previsão é de alta de 16%, chegando a 40 mil veículos.
Há mais de 200 empresas certificadas para blindagem civil. O processo é feito após a compra do veículo, com instalação de vidros blindados e mantas balísticas.
Os sistemas mais comuns, de nível III-A, tiveram queda de 25% no preço na última década. Atualmente, custam entre R$ 80 mil e R$ 100 mil, ampliando o acesso para a classe média e média alta.
Liderança tecnológica

A liderança do Brasil no setor surgiu nos anos 1990, durante a onda de sequestros em São Paulo e no Rio de Janeiro. Desde então, o país estruturou uma indústria própria de blindagem, com produção local de vidros balísticos e materiais mais leves, que preservam o desempenho dos veículos.
A Carbon, maior empresa do segmento, blinda até 700 carros por mês e atua como fornecedora global da Volvo. Os veículos são enviados da Suécia ao Brasil para blindagem e depois entregues a clientes na Europa, no Oriente Médio e na América Latina.
A expansão do setor impulsionou novos negócios. Em 2024, começou a operar em São Paulo a Rhino, aplicativo de transporte que utiliza apenas carros blindados. A empresa soma 300 mil usuários e já recebeu R$ 40 milhões em investimentos.
Para os usuários, a blindagem reduz o medo no dia a dia. “É muito mais tranquilo dirigir com a família”, afirma o empresário Rogério Leandro de Abreu. Já a criadora de conteúdo Renata Boccia diz que só se sente segura em veículos blindados e avalia que a demanda tende a crescer com a violência urbana.
Leia também: “A saída é para o Brasil”, artigo de Adalberto Piotto na Edição 299 da Revista Oeste





































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