O Brasil atingiu a marca histórica de 2.466 empresas em recuperação judicial em 2025. O número é o maior desde o início da série da Serasa Experian, em 2012. O volume de companhias que buscaram a Justiça para renegociar dívidas subiu 13% em comparação ao ano anterior. Os juros básicos, mantidos em 15% ao ano, asfixiaram o caixa dos negócios e dificultaram a rolagem de passivos acumulados. Os dados foram divulgados pela empresa nesta terça-feira, 7.
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O agronegócio assumiu o protagonismo negativo das estatísticas. O setor agropecuário registrou 743 pedidos, que abocanham 30,1% do total de processos no país. O salto é impressionante em termos históricos: em 2012, o agro representava apenas 1,3% das recuperações judiciais. A queda no preço dos grãos, a alta nos custos de fertilizantes e os riscos climáticos explicam o colapso financeiro de produtores e empresas do setor.
O mapa do sufoco empresarial
As empresas prestadoras de serviços aparecem logo depois do campo, com 739 pedidos e uma fatia de 30% do mercado. O comércio registrou 535 processos, enquanto a indústria somou 449 tentativas de reestruturação. Diferente do agro, os setores industrial e comercial viram suas participações no total de pedidos encolherem em relação aos anos anteriores, refletindo a perda de peso desses segmentos na economia nacional.
A situação atual difere da crise de 2016. Naquela época, o país vivia uma recessão macroeconômica. Hoje, o problema reside no custo do crédito. Mesmo com o início de cortes lentos na taxa Selic, o patamar elevado impede que as empresas gerenciem suas contas. A inadimplência serve de alerta: em janeiro de 2026, o país somava 8,7 milhões de CNPJs negativados, com média de sete dívidas atrasadas por empresa.
Tendências para o mercado
O sistema judiciário registrou 977 processos coletivos, o maior volume em dez anos. Esse indicador engloba casos em que várias empresas de um mesmo grupo econômico entram juntas no pedido de socorro. A Serasa projeta que o cenário de aperto continuará até o meio de 2026, impulsionado pela desaceleração da atividade econômica e pelo risco de inflação decorrente de conflitos globais.
A recuperação extrajudicial, feita diretamente com credores sem um administrador judicial, ganha espaço por ser mais barata. Em 2023, a proporção era de 26 pedidos judiciais para um extrajudicial. Nos últimos dois anos, a relação caiu para 16 por um. O modelo permite que a empresa mantenha a operação com maior liberdade enquanto tenta resolver o rombo financeiro.
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