O ataque à jovem bilionária Luana Lopes Lara, acusada de “elitismo” por afirmar que seu sucesso nasceu do próprio esforço, revela mais que a histeria habitual no ambiente internético. Ele desnuda o esquema mental da esquerda brasileira, que instrumentaliza a inveja em programa político e transforma a meritocracia em palavrão. A pedagogia marxista do ressentimento opera sempre do mesmo modo: primeiro, reduz-se a riqueza a um jogo de soma zero; depois, ensina-se ao público que qualquer forma de excelência é crime contra os desvalidos.
Mas há, nisso tudo, um detalhe ainda mais irônico e revelador. Quase todos os apóstolos da anti-meritocracia vivem de mecanismos que nada têm de igualitários: cargos comissionados, fundos públicos de cultura, institutos financiados por estatais, bolsas vitalícias, além de toda sorte de sinecuras típicas de uma sociedade estamental, imóvel e aristocraticamente hierarquizada. São, no fundo, os verdadeiros herdeiros do Antigo Regime: gente que despreza o mérito porque jamais precisou dele. Para esses profissionais da objeção moral, o ideal de “igualdade” não é um princípio, mas um álibi para manter privilégios sem competição. São contra a meritocracia, pois adeptos da caquistocracia — o governo dos piores.
Sim. Aqueles que berram contra a “meritocracia” são, justamente, os que mais dependem de sua abolição. Nada ameaça tanto suas posições quanto a ideia de que talento, esforço e inovação podem produzir resultados superiores. Uma sociedade que recompensa mérito, afinal, dispensa tutores, não precisa de currais eleitorais e, sobretudo, não precisa da autoproclamada vanguarda esclarecida que se arroga o direito de administrar a mediocridade coletiva.
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Por isso, o sucesso de uma jovem empresária é visto como afronta. Ele explode o mito da soma zero, desmonta o discurso de vitimização e mostra que riqueza pode ser criada, não apenas redistribuída sob a tutela dos iluminados de gabinete. A esquerda teme a meritocracia porque o mérito individual emancipa — e nada assusta mais um caquistocrata do que a emancipação real dos talentosos e empenhados.
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A jovem bilionária x “progressistas”
No fim, o ódio à bilionária diz menos sobre ela e mais sobre seus detratores: uma casta que se diz “progressista”, mas que vive da mais reacionária das tradições – a de não produzir nada por si próprio.
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