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Hugo Carvajal e um importante livro recém-lançado

'A leitura de Stolen Elections é indispensável aos brasileiros que ainda pretendem fazer do Brasil — hoje submetido a um regime alinhado ao chavismo — uma democracia representativa de fato'

Hugo Carvajal Barrios | Foto: Wikimedia Commons
Hugo Carvajal integrou a ditadura venezuelana | Foto: Wikimedia Commons

Em junho deste ano, o escritor e jornalista norte-americano Ralph Pezzullo — conhecido por obras sobre inteligência e operações especiais, como Jawbreaker, relato da ofensiva contra o Talibã em 2001, e Inside SEAL Team Six, biografia do ex-operador Don Mann — recebeu um convite curioso. O chamado veio do amigo Rob Zach, veterano da Drug Enforcement Administration (DEA), que recentemente havia fundado, com um parceiro, uma empresa de mídia investigativa.

Durante um almoço em Los Angeles, Zach apresentou a Pezzullo o venezuelano Martin Rodil, consultor que por anos colaborara com a DEA. Rodil, naquele momento, trabalhava ao lado de Gary Berntsen — ex-agente da CIA e coautor de Jawbreaker — em uma investigação sobre esquemas de manipulação eleitoral nos Estados Unidos e além. Intrigado, Pezzullo aceitou ver o material que os dois estavam reunindo.

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No dia seguinte, dirigiu-se ao local onde Rodil estava hospedado. Lá, assistiu a uma apresentação em PowerPoint que se estendeu por quatro horas, percorrendo minuciosamente cada detalhe da apuração. “Dizer que saí estarrecido seria pouco”, recorda o jornalista. “Eu estava indignado. O que vi ali mostrava que o país em que cresci — e que sempre amei — estava sendo atacado, e que a própria sobrevivência do nosso sistema representativo estava ameaçada.”

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Depois de perguntar como poderia contribuir, ouviu de Rodil uma sugestão direta: transformar aquele material em um livro. Pezzullo aceitou sem hesitar. O resultado é o recém-publicado Stolen Elections: The Takedown of Democracies Worldwide, livro em que Pezzullo reconstrói o funcionamento de uma máquina de manipulação eleitoral supostamente gestada no interior da Venezuela chavista e expandida para mais de 70 países. O livro, escrito no ritmo veloz de um thriller, apresenta um mosaico em que se entrelaçam softwares eleitorais, redes de inteligência, corporações tecnológicas e organizações do narcotráfico. A tese central vai além da ideia de interferência pontual: o objetivo do esquema, afirma o autor, seria controlar eleições desde a raiz, moldando resultados e submetendo democracias inteiras a um comando invisível.

Stolen Elections e a denúncia de Hugo Carvajal

Hugo Armando 'El Pollo' Carvajal, ex-general da Venezuela | Foto: Wikimedia Commons/Reprodução
Hugo Armando ‘El Pollo’ Carvajal, ex-general da Venezuela | Foto: Wikimedia Commons/Reprodução

Stolen Elections baseia-se fundamentalmente no material investigativo de Rodil e Berntsen. Ambos os denunciantes trabalharam sob risco pessoal elevado, convencidos de que a democracia e a liberdade individual precisavam ser protegidas. Ao longo do livro, afirma Pezzullo, eles apresentam evidências de que eleições estariam sendo sistematicamente manipuladas, explicando métodos, operadores e mecanismos envolvidos. O esquema, sustentam, foi desvendado “à moda antiga”: recrutando informantes dentro da própria engrenagem criminosa, inclusive engenheiros responsáveis por desenvolver o sistema e por executar as fraudes em dezenas de milhares de pleitos nos EUA. Pezzullo descreve o caso como “o crime do século” e um ataque sem precedentes às democracias em escala global.

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Eu havia justamente acabado de ler Stolen Elections quando topei com a notícia da carta enviada pelo ex-chavista Hugo Carvajal ao presidente norte-americano, Donald Trump. Dentre as muitas acusações do ex-colaborador está a de que o regime de Chávez e Maduro utilizava a empresa de softwares eleitorais Smartmatic para fraudar e manipular eleições mundo afora.

A fala de Hugo Carvajal confirma, portanto, tudo o que aparece demonstrado no livro de Pezzullo, baseado em várias outras fontes que eram ex-colaboradores do regime chavista, particularmente no esquema global de manipulação eleitoral. Assim é que a leitura de Stolen Elections é indispensável aos brasileiros que ainda pretendem fazer do Brasil — hoje submetido a um regime alinhado ao chavismo — uma democracia representativa de fato. Como escreve o autor da obra:

“Nós, os Estados Unidos, estamos lutando contra um monstro de mil cabeças. Permitimos que ele infiltrasse nossa sociedade e nosso governo e controlasse nossas eleições. E isso não é apenas um problema dos EUA. Democracias e governos representativos em todo o mundo estão sob ataque.”

Leia também: “Confissões explosivas”, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 293 da Revista Oeste

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