O cenário que cerca os estúdios da Warner já é cinematográfico. A começar pela Warner Boulevard, uma ampla avenida, com jardins, canteiros e prédios baixos de tecnologia em Burbank. Sob o céu azul da Califórnia, o mais bonito do mundo, a paisagem ganha uma cor especial. Contrasta com o bege suave do complexo de armazéns gigantescos e quadrados.
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Atrás do pesado portão, trilhas com ruas asfaltadas levam a cada estúdio, definido por um número. Num dos primeiros estão os cenários de The Big Bang Theory. No ambiente escuro, com um suave perfume de madeira misturado ao ar-condicionado, é possível se sentar em uma cadeira de auditório e observar de perto a biblioteca e a sala onde vivem Sheldon Cooper e Leonard Hofstadter. E cada estúdio traz uma lembrança de uma série, filme ou cena inesquecível.
É só o começo de um tour pelo local. Em um carrinho elétrico, surgem verdadeiras experiências sensoriais. Vem à mente a imagem de um parque de diversões, onde todo o trabalho de atores, produtores e funcionários se transforma em atração turística. De repente, o carrinho entra numa área densamente arborizada, uma floresta cenográfica usada em produções como True Blood.
Mudança radical. Surge um cenário totalmente diferente. Típico de um lugar feito para instigar a imaginação. Onde o Central Park, em plena Nova York, está ao lado de construções clássicas. Na área chamada New York Street, um conjunto de cenários permanentes simula ruas da metrópole.
Lá está o gramado do Central Perk, da abertura em que os amigos de Friends saltam juntos com as mãos para o alto. Não há mais tempo a perder. A viagem pelos filmes não tem limite de lugar nem de tempo. À distância aparece uma velha casa cenográfica, dessas que carregam décadas de histórias, construída para produções como Os Waltons.
Há uma parada para entrar no estúdio onde a roupa de Batman e o último Batmóvel estão expostos. Impossível não lembrar das cenas em que Robert Pattinson enfrenta o vilão interpretado por Colin Farrell em The Batman.
O percurso prossegue até uma espécie de museu do cinema. Ali é possível ver de perto o vestido de Lady Gaga, pendurado no centro da sala, ao lado de outros objetos do filme Nasce Uma Estrela. Na sala ao fundo, atrás do sofá de Friends, a Hollywood clássica nos aguarda com paciência. Lá descansam, sob décadas de glamour, os vestidos de Elizabeth Taylor, de Assim Caminha a Humanidade, e de Joan Crawford, de Alma em Suplício.
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Como Elizabeth Taylor era baixinha! Parecia que ainda estava por ali, andando sobre o piso de madeira. Seu nome, inclusive, está na agenda telefônica de Jack Warner, atrás de uma prateleira envidraçada, escrito com caneta-tinteiro.
Ele tinha os números dela, de Kirk Douglas, de todos os astros.
Tentei do meu celular. Nem deu linha.
Nosso acesso a eles, agora, é de outra maneira. Nestes tempos de WhatsApp e mensagens instantâneas, todo aquele complexo deverá pertencer à Paramount. Os Caçadores da Arca Perdida, Forrest Gump e Titanic vão se unir a Casablanca, O Mágico de Oz e E o Vento Levou.
No fundo, todos aqueles vestidos, parques, florestas, histórias e armazéns não têm dono. Pertencem à humanidade. Como o céu azul da Califórnia.






































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