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Cultura

Em Frankenstein o monstro não é quem parece

Imagem: divulgação

A nova versão do clássico Frankenstein é a mais grandiosa de todas as já produzidas para o cinema. E olha que essa história está nas telas desde 1910. Em 1931 foi produzida a versão mais famosa, com Boris Karloff no papel do monstro. Em 1994 Kenneth Branagh dirigiu outra, com Robert DeNiro.

A versão de 2025 foi escrita e dirigida por Guillermo del Toro (a partir do romance de Mary Shelley). É um grandioso espetáculo visual, com cenários espetaculares, muito luxo, efeitos especiais de primeira. E o fato de estar há semanas como o filme mais visto dos sistemas de streaming mostra que o público gostou muito.

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O roteiro de del Toro conseguiu ser fiel ao romance lançado em 1818, mesmo alterando a linha cronológica da narrativa. A autora Mary Shelley refletia em sua obra a ansiedade criada pelos progressos científicos da época. O uso da eletricidade, ainda no seu início, assustava.

Esta versão deixa explícito que o verdadeiro monstro não é a criatura, aqui interpretada com muita sensibilidade pelo australiano Jacob Elordi. O monstro é seu criador, o arrogante e cruel Victor Frankenstein. Esse é um dos poucos pontos duvidosos desta produção: o ator que interpreta o cientista, o guatemalteco Oscar Isaac, vive na divisa entre ser dramático e ser canastrão. Isso já havia ficado claro na série Moon Knight, estrelada por ele. Mas… essa avaliação fica a cargo do espectador.

Um dos destaques do filme é que o uso de computação gráfica foi reduzida ao mínimo. “Eu não quero digital, eu não quero IA, eu não quero simulação”, declarou Guillermo Del Toro. “Eu quero o artesanato à moda antiga: gente pintando, construindo, martelando, aplicando gesso.” Foi uma decisão corajosa em virtude da grandeza da produção.

Frankenstein chegou a ser exibido nos cinemas antes de entrar na grade da Netflix. Seu tema se tornou muito atual. Muito mais do que em 1818 os homens estão “brincando de Deus”, com a criação artificial da vida através da engenharia genética de um lado e a possibilidade de aniquilação total da espécie (com armas nucleares) do outro.

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