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Edu Falaschi revela lado espiritual de novo álbum: 'Usei a música para reescrever meu passado'

Em fase de celebração e maturidade, o cantor encerra trilogia de álbuns e vive um momento de retomada nos palcos

O vocalista Edu Falaschi lançará seu novo disco no final de junho | Foto: Divulgação
O vocalista Edu Falaschi lançará seu novo disco no final de junho | Foto: Divulgação

Cravar o momento definitivo da carreira de um músico é uma tarefa complexa. Para o cantor e compositor Edu Falaschi, o ano de 2026 traz um misto de fechamento de ciclo e resgate. Com o novo álbum, Mi’raj, ele encerra uma trilogia conceitual de álbuns. Ao mesmo tempo, colhe os frutos do projeto Angra Reunion, que reuniu a formação da era Rebirth (2001), disco lançado pelo grupo que o consagrou. O reencontro representa uma volta por cima para Falaschi.

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A resposta do público em São Paulo veio na forma de duas apresentações de destaque. A primeira delas foi um show como headliner em um festival de metal que lotou o Memorial da América Latina. Depois, veio uma apresentação igualmente simbólica da banda com ingressos esgotados. Agora, os planos do projeto já miram o cenário internacional, com um show marcado no Japão, onde o grupo bate cartão desde 1996.

Inspiração espiritual

Mi’raj fecha uma narrativa que começou com Vera Cruz (2021) e passou por Eldorado (2023). O conceito do novo disco, inspirado nas Cruzadas e na sonoridade do Oriente Médio, é bastante pessoal. Segundo ele, o termo de origem árabe significa “ascensão espiritual”. Falaschi, contudo, afirma não se encaixar em nenhuma nomenclatura religiosa.

“Tenho uma conexão muito forte com o que todo mundo chama de Deus”, afirma o cantor em entrevista exclusiva. Ele diz que o trabalho é inspirado por questões internas que precisava resolver consigo mesmo. “Usei a música para reescrever meu passado.”

A trinca de discos, que acompanha um personagem chamado Jorge, traz como pano de fundo questões ligadas ao cristianismo. “A história de Cristo é riquíssima”, explica. “A questão da bondade, do perdão e da história do Cristo real, como ser humano, é muito forte.”

Apesar da forte conexão emocional com o trabalho inédito, Falaschi deve marcar uma mudança na forma do artista de lançar seus futuros materiais. Ele afirma que, por uma questão mercadológica, não pretende mais gravar álbuns completos no futuro, preferindo focar o lançamento de singles isolados. O ciclo dos discos conceituais, portanto, se encerra aqui.

A crise de 2011 e a superação

O sucesso atual nos palcos ganha um peso dramático quando se olha para trás. A saída de Falaschi do Angra, em 2012, foi o ponto final de um período difícil. O cantor sofria de um grave quadro de refluxo gastroesofágico, que queimava suas cordas vocais e a mucosa nasal, provocando asma e alterando a potência de sua voz. O estopim da crise foi uma performance no Rock in Rio 2011, que comprometeu severamente seu desempenho vocal e culminou em sua saída da banda, meses depois.

Por isso, o Angra Reunion carrega o peso de um triunfo pessoal. Anos depois do baque, o vocalista aprendeu a tratar da saúde, controlou o refluxo e retomou a força vocal, subindo ao palco com vigor semelhante ao de duas décadas atrás. “A história com o Angra… foi o meu ápice como artista”, reconhece o cantor. “Foi quando realmente fui apresentado para o mundo.”

O reencontro com Rafael Bittencourt

O clima pacificado com seus ex-colegas gerou frutos que foram além dos palcos da turnê de reunião. O guitarrista e fundador do Angra, Rafael Bittencourt, gravou um solo de guitarra em Mi’raj. Falaschi conta que o convite surgiu durante sua participação no podcast Amplifica, de Bittencourt.

Lá, o guitarrista acabou ouvindo uma das faixas inéditas e se empolgou com o resultado. Foi o gancho perfeito para Falaschi propor uma parceria: “Ali eu aproveitei e falei: ‘Cara, faz muito tempo que não fazemos nada inédito juntos”. Bittencourt aceitou o desafio e entregou um trabalho que o cantor define como um solo “lindo, fenomenal e sensacional”.

Apesar da “excelente química” e das portas abertas para novas apresentações, Falaschi é categórico sobre o futuro do Angra Reunion: a parceria ficará restrita aos palcos, sem nenhuma possibilidade de material inédito. “Gravação não, só show mesmo”, explica.

Para o vocalista, o reencontro só foi possível porque o tempo trouxe a calmaria necessária para afastar velhas vaidades. “Está todo mundo mais maduro e calmo”, conclui Falaschi, celebrando o fim da “testosterona do adolescente ou pós-adolescente”.

A turnê de Mi’raj e o veredito dos fãs

Paralelamente às datas com o Angra, Falaschi já prepara a estrada para divulgar o novo trabalho solo. O show em São Paulo, marcado para o dia 15 de agosto de 2026, trará uma proposta dividida em três atos. No primeiro, o foco total será na trilogia conceitual. O segundo abrirá espaço para os 35 anos de carreira, resgatando canções de outras bandas que marcaram sua trajetória, como Symbols, Almah e o próprio Angra.

Já o terceiro ato será um presente para os fãs mais dedicados, com foco exclusivo nos discos menos lembrados do Angra: Aurora Consurgens (2006) e Aqua (2010). Para montar o repertório, o cantor abriu uma votação na internet para que o público escolhesse as músicas.

“Tive algumas surpresas”, revela Falaschi. A votação ultrapassou a marca de 3 mil votos, o que serviu como uma validação estatística do que o público deseja ouvir. Ainda assim, o resultado final não trouxe grandes rupturas do padrão de seus shows.

Ele explica que cerca de 98% das escolhidas foram as composições que ele já costuma tocar. Ainda assim, o formato cumpriu seu papel de trazer novidades para o palco. “Tocaremos algumas coisas diferentes no show”, adianta, garantindo que o equilíbrio entre os grandes hits e os “lados B” deve marcar a apresentação.

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