A edição em português do livro Trans: Quando a Ideologia Encontra a Realidade, da jornalista Helen Joyce, foi lançada na última segunda-feira, 18, no Rio de Janeiro. A obra chega ao Brasil quase cinco anos depois da publicação original, ocorrida em 15 de julho de 2021, no Reino Unido. O livro foi incluído pelo jornal britânico The Sunday Times entre os melhores títulos do século 21.
No Brasil, a publicação é feita pelo selo 1559, da Editora Caqui, em parceria com a associação de mulheres Matria. Na obra, Helen Joyce examina políticas públicas e legislações relacionadas à “identidade de gênero” e aos direitos baseados em sexo. O livro aborda temas como espaços femininos, impacto em escolas, famílias e legislação, além de discutir efeitos dessas mudanças sobre mulheres e crianças.
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O evento de lançamento no Rio de Janeiro reuniu a diretora da Matria, Clarice Saadi, a jornalista Eugênia Rodrigues e o mestrando em sociologia Pedro Henrique Bezerra, para uma roda de bate-papo sobre os efeitos concretos da ideologia trans, principalmente sobre crianças. Durante a conversa, o rapaz narrou a própria experiência de destransição. Ele havia iniciado o processo de hormonização aos 23 anos.
“Fico com raiva de que tenham mentido para esse menino”, declarou Eugênia. “Precisamos admitir que o transgenerismo é uma mentira.” Porta-voz da campanha “No corpo certo”, que alerta sobre os impactos das intervenções da medicina transgênero em crianças, adolescentes e jovens, ela destaca ser impossível que menores de idade tenham capacidade de consentir com intervenções médicas da profundidade da redesignação sexual.
Além das implicações da agenda trans para crianças e adolescentes, Eugênia discorreu sobre os prejuízos do transativismo para a sociedade em geral. “Não tem como criar um mundo seguro para crianças e adolescentes se mantivermos um mundo fantasioso para homens e mulheres adultos”, ponderou. A jornalista classifica a autodesignação “pessoa trans” como uma fantasia.
Eugênia inclusive critica o uso da terminologia “mulher trans” por Helen Joyce no livro. A britânica, que trabalhou em veículos de imprensa como a revista The Economist, mudou o posicionamento desde o lançamento da obra e hoje já não concorda mais com a validade da terminologia registrada na publicação em 2021.
A despeito do avanço da agenda transativista sobre o Judiciário brasileiro, Eugênia é otimista. Na avaliação dela, o número de pessoas convictas de que o sexo biológico é um marcador de identidade imutável é maioria. “A maioria das pessoas enxerga a realidade”, destacou a jornalista. “As pessoas vêem que tem verdade na nossa fala.”
Transativistas tentaram boicotar lançamento do livro
Segundo a proprietária da Editora Caqui, Caroline Arcari, houve pressão contrária à realização do lançamento. Ela afirmou que livrarias receberam ligações de grupos contrários ao debate.
“O que a gente viveu foi muito parecido com o que qualquer evento feminista crítico de gênero vive”, declarou. “Cada vez que esse tema vai a público, há uma tentativa de cancelamento por diversos grupos.” No Rio, o evento aconteceu na Livraria da Travessa, em Botafogo. Em São Paulo, o lançamento será nesta quarta-feira, 20, na Livraria Martins Fontes, na Vila Buarque.

Segundo Caroline, as livrarias demonstraram preocupação com possíveis manifestações e riscos aos clientes. “Ligações com ameaças foram feitas várias vezes para as livrarias em que a gente está lançando esse livro, a ponto de as livrarias entrarem em contato para saber se o evento realmente podia acontecer”, afirmou.
A despeito das tentativas de boicote, os organizadores decidiram manter os encontros previstos. “Nós não recuaríamos, porque nós temos o direito de debater”, declarou. “É um debate legítimo, um debate que a gente espera que uma sociedade democrática tenha.”
A empresária também celebrou o fato de que o público presente no lançamento no Rio reuniu pessoas de diferentes visões políticas, religiões e profissões. “É isso o que a Editora Caqui e que o selo 1559 desejam quando falamos de direitos de crianças e mulheres, mas também de direitos humanos”, concluiu. “Queremos um espaço de debate, que é legítimo em uma sociedade democrática, e não vamos recuar.”
Leia também: “O fim do banheiro feminino“, reportagem publicada na Edição 298 da Revista Oeste











































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