“Você precisa ter um final feliz. Mesmo que seja infeliz” (Billy Wilder)
O ano era 1950, quando Billy Wilder (1906-2002) desfrutava o silêncio. O diretor de cinema tomava café e lia a revista norte-americana Hollywood Reporter antes de ser interrompido por Audrey, sua mulher:
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“Querido, você sabe que dia é hoje”?
“É 30 de junho”, respondeu Wilder.
“Hoje é nosso aniversário de casamento”, retruca a mulher.
“Por favor”, disse Wilder. “Não enquanto eu estiver comendo.”
O humor irônico de Wilder era típico. O diretor polonês costumava relativizar tragédias com comentários espirituosos. O jornal norte-americano The New Yorker o descreveu “como uma daquelas almas de aço, forjadas na Hollywood dos anos 1930 e 1940”.
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Em 1960, ano do lançamento do filme Se meu apartamento falasse, Wilder lembrou os deveres da profissão que escolheu: “Um diretor deve ser um policial, uma parteira, um psicanalista, um bajulador e um canalha”.
Billy Wilder e o personagem Flannagan
Wilder transmitiu seu estilo no personagem Frank Flannagan, interpretado pelo ator Gary Cooper, no filme Amor na Tarde (1957). O protagonista é um homem rico. Vive em hotéis de luxo, cercado de bebidas caras, de mordomos e de mulheres. Não tem compromisso com relacionamentos.
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A vida aventureira do personagem muda quando conhece Ariane Chavasse, interpretada pela atriz Audrey Hepburn. Em uma das cenas em que ambos se separariam, Wilder descreve o espírito aventureiro de Flannagan.
Ariane: “Quem bom que está de partida.“
Flannagan: “Acha isso?“
Ariane: “Torna tudo mais simples.”
Flannagan: “É como deveria ser. Sem envolvimento, sem complicação, sem perigos. Quando as pessoas se envolvem, fica chato. Brigas, lágrimas.”
Ariane: “Concordo plenamente.”
Flannagan: “Aquele que do amor se refugia, vive para amar um outro dia. Ninguém se machuca.”
Misteriosa, doce e improvável, Ariane o desestabiliza por meio de uma paixão incontrolável. A protagonista não corresponde ao tipo de mulher com quem ele está acostumado, mas muda completamente as convicções do homem aventureiro.
A importância da comédia nos dias atuais
Especialista em filmes, Lucas Nascimento destacou a genialidade que o diretor tinha para escrever os roteiros. “Hoje em dia, quando a comédia está tão desvalorizada, Wilder continua sendo importante”, disse. “Se tivesse vivo, diria aos diretores que a comédia pode ser tão formidável quanto um filme de drama.”
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Billy Wilder morreu em 27 de março de 2002, em Los Angeles, aos 95 anos. O diretor deixou uma das filmografias mais influentes da história do cinema, com clássicos como Crepúsculo dos Deuses, Se Meu Apartamento Falasse, Testemunha de Acusação, Quanto Mais Quente Melhor e Amor na Tarde.









































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