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Cultura

Réveillon do Rio de Janeiro aconteceu há mais de 500 anos

Engano com data marcada deu origem ao nome da Cidade Maravilhosa

O Rio de Janeiro é um dos principais destinos na virada de ano | Foto: Gabriel Monteiro Secom
O Rio de Janeiro é um dos principais destinos na virada de ano | Foto: Gabriel Monteiro/Secom

A cidade do Rio de Janeiro está entre os destinos mais cobiçados para o Réveillon. E foi justamente quando um português começou o ano por lá pela primeira vez que o lugar recebeu o nome que tem hoje.

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Era 1501, uma missão foi designada para mapear costa do novo território da Coroa portuguesa — atualmente conhecido como Brasil. A maior parte dos historiadores acredita que o comando coube a Gaspar Lemos. Não era a primeira vez dele nessa parte do globo. Em 1500, ele fez parte da tripulação de Pedro Álvares Cabral que aportou onde hoje é Salvador.

Do 1º Réveillon ao Rio de Janeiro

A missão zarpou em março de 1501. A travessia levou meses. Em 1º de novembro de 1501, o navegador descobriu a Baía de Todos os Santos, em Salvador. Na sequência, seguiu rumo ao sul. Em 1º de janeiro de 1502, encontrou o que pensou ser a foz de um grande rio. Não teve dúvidas. Começou a chamar o lugar de Rio de Janeiro — nome que passou a marcar os mapas de navegação desde então. Na verdade, não havia rio algum ali. Tratava-se da Baía da Guanabara.

Não existe um registro oficial que indique quando houve a percepção do equívoco. O fato é que, com ou sem foz, o nome se consolidou. Em 1565, a Coroa portuguesa fundou nesse mesmo lugar a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Depois da descoberta, as belezas cariocas foram alvo de cobiça em toda a Europa. Portugal quase perdeu essa parte da colônia em meados do século 16, quando houve a tentativa de fundar ali a França Antártica — investida que durou cerca de uma década.

Capital do Brasil

Séculos mais tarde, em 1807, o Rio de Janeiro passou a servir como capital do Império. Novamente, culpa dos franceses. Napoleão Bonaparte invadiu Portugal. O rei Dom João VI fugiu para o Brasil e escolheu a Cidade Maravilhosa para morar.

A chegada do rei mudou os rumos da cidade e do Brasil. Em 1822, o país tornou-se independente, e o Rio se manteve como a capital nacional até 21 de abril de 1960, quando o presidente Juscelino Kubitschek inaugurou Brasília.

O poder mudou de endereço, mas as belezas naturais e os turistas continuam — não foram embora. A Cidade maravilhosa tem hoje 6 milhões de brasileiros. Copacabana, palco do maior Réveillon do Rio de Janeiro (e do Brasil), deve começar o 1º de janeiro de 2026 com 2,5 milhões de pessoas participando da festa da virada. A população inteira de Portugal na época de Gaspar Lemos não chegava a metade disso — era de apenas 1 milhão de habitantes.

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