A Universidade de Brasília (UnB) pretende vender neste ano a última superquadra residencial inteiramente vazia do Plano Piloto. Localizada na Asa Norte, área nobre da capital federal, a SQN 207 concentra 12 dos 51 terrenos livres nas superquadras idealizadas pelo arquiteto Lúcio Costa. O jornal Folha de S.Paulo divulgou as informações neste domingo, 4.
Estimada em mais de R$ 2 bilhões, a operação atrai o interesse direto das maiores construtoras do Distrito Federal. O projeto prevê a construção de até 12 edifícios residenciais em um terreno de 8.800 m².
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A área pertence à UnB desde sua fundação, nos anos 1960, e integra um patrimônio concebido por Darcy Ribeiro para garantir a autonomia financeira da instituição. Atualmente, a universidade administra cerca de 1,5 mil apartamentos para aluguel em Brasília, além de imóveis comerciais que ajudam a cobrir cerca de 40% do seu orçamento anual.
Além da superquadra, a UnB avalia se desfazer de um terreno comercial de 28 mil m² no início da Asa Norte, próximo ao Eixo Monumental e a apenas 4 quilômetros da Praça dos Três Poderes.
Projeto da superquadra opõe universidade e empreiteiras
A venda de terrenos ocorre em três etapas, que incluem a oferta da área, a elaboração de estudo técnico com normas e critérios e, por fim, a realização do leilão. A empresa vencedora constrói os edifícios e repassa à UnB parte das unidades ou imóveis localizados em outras regiões, por meio de permuta.
Nos leilões anteriores, a universidade delegou ao Sindicato da Indústria da Construção Civil do DF a elaboração do projeto, disputado por empresas filiadas ao sindicato patronal. Desta vez, a gestão da ex-reitora Márcia Abrahão decidiu contratar diretamente o BNDES por R$ 1,8 milhão para estruturar o novo modelo.
O banco subcontratou três empresas por meio de concorrência pública: o escritório de advocacia Demarest, a auditoria EY e o escritório de arquitetura holandês KAAN, que possui sede no Brasil.
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O projeto arquitetônico propõe a construção de prédios com apartamentos entre 45 m² e 120 m², com um a quatro dormitórios. A ideia é diversificar os perfis de moradores e resgatar o ideal de Brasília como cidade mista e integrada.
A proposta gerou resistência entre as construtoras. À Folha, duas fontes sob condição de anonimato afirmaram que apenas dois ou três grupos teriam condições de arrematar os 12 lotes, caso fossem leiloados juntos.
As empresas também questionam os critérios do edital, como o percentual de unidades a ser transferido à universidade e o modelo de construção dos apartamentos.
Entraves legais e troca de reitora adiam leilão
Abrahão, hoje pré-candidata a deputada federal pelo PT, tentou realizar a licitação antes do fim de seu mandato, encerrado em novembro de 2024. Por causa de entraves burocráticos, o processo não avançou. Com a posse da nova reitora, Rozana Naves, opositora da antecessora, o projeto foi revisado e paralisado.
No modelo original, a UnB cederia os terrenos da superquadra e receberia os imóveis por permuta. No caso do terreno comercial de 28 mil m², a proposta inicial previa a construção de prédios residenciais em outras áreas da universidade, com entrega integral dos edifícios à instituição.
A gestão atual, porém, avalia outros formatos, como o pagamento em reformas de prédios já existentes.
Segundo Naves, uma lei federal passou a destinar ao Tesouro Nacional 30% das receitas patrimoniais da universidade e motivou a nova análise do projeto.
“Hoje se a gente coloca um imóvel à venda e ele vale R$ 1 milhão, R$ 300 mil vai para o Tesouro”, explicou. “Por isso demos um passo atrás para avaliar essa desvinculação nas propostas que estavam sendo desenvolvidas.”
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