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Tornado no Paraná não tem relação com 'mudanças climáticas', diz climatologista

Especialista afirma que o fenômeno foi resultado de contraste térmico e chama de 'falácia política' o discurso sobre aquecimento global na COP30

O climatologista Ricardo Felício, em entrevista ao Jornal da Oeste
O climatologista Ricardo Felício, em entrevista ao Jornal da Oeste | Foto: Reprodução/ YouTube

Poucos dias depois do tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no interior do Paraná, o debate sobre as causas do fenômeno se tornou tema político. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva associou o episódio às mudanças climáticas durante a abertura da COP30, especialista reagiu com críticas à exploração política da tragédia.

Em entrevista ao Jornal da Oeste, o climatologista Ricardo Felício contestou a narrativa adotada pelo governo federal e pelos organizadores da conferência. “O próprio presidente da COP30 já capitalizou em cima da morte das pessoas do Paraná aludindo que o ocorrido é um evento de mudança climática, quando, na verdade, é um fenômeno meteorológico que opera dentro de uma conjuntura específica.”

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[O tornado] aconteceu justamente pelo contraste térmico do frio que ainda persiste no Hemisfério Sul em pleno 11 de novembro”, continuou. “Isso tudo contra o ar quente e úmido que vem avançando nas latitudes, mas que não esta suficientemente forte para empurrar esse cinturão de altas polares para as latitudes mais altas ao redor do Mar Antártico, como indica a tradicional climatologia dinâmica durante o verão.”

Tornado no Paraná

O tornado, classificado como de intensidade EF3 pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), atingiu ventos de até 250 km/h. Além disso, destruiu 90% das construções de Rio Bonito do Iguaçu. A tragédia deixou sete mortos e mais de 750 feridos em todo o Estado, segundo a Defesa Civil.

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Apesar da força do evento, o especialista explica que “esse contraste térmico de ar muito frio com o ar quente é o que forma esse tipo de fenômeno, não tem nada a ver com mudanças climáticas”.

Ele acrescenta que tornados “não são raros” no Brasil e que “a ilusão de aumento desses eventos vem do avanço do monitoramento, não de uma tendência real”. Para o climatologista, há interesse político em causar pavor na população com um discurso falacioso de mudanças climáticos.

Crítica à COP30

Na entrevista, o especialista também classificou o discurso da COP30 como “um carnaval” e afirmou que o limite de temperatura global é “uma falácia total, um chute sem embasamento científico”. Ele criticou o que chamou de “urgência fabricada” e acusou o sistema internacional de usar o medo climático como instrumento político.

Leia também: “Cientistas da coalizão CO2 desafiam narrativa climática da ONU”

“O alarde é feito para criar sensação de pavor. Depois vem o sistema judiciário, com o Supremo dando canetadas climáticas, sem contrapartida de outros países”, afirmou.

Ele também questionou a viabilidade das metas ambientais defendidas na conferência. “É impossível substituir toda a energia do mundo por renováveis”, disse. “Pelo contrário, o uso do carvão aumentou. Essas energias são caras e funcionam só como backup.”

Ao falar sobre pecuária e emissões, o meteorologista rejeitou a tese de que o gado contribui para o aquecimento global. “A maior parte das fontes de metano é natural. A atividade humana é irrisória. Isso aí é ciência vendida, chapa branca”, declarou.

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