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São Paulo confirma 14 casos de intoxicação por metanol, com 2 mortes

Estado ainda investiga outras 192 ocorrências suspeitas, com mais 7 possíveis óbitos, conforme informação do governador Tarcísio de Freitas

Tarcísio de Freitas realiza coletiva de imprensa para tratar da crise do metanol em SP
Tarcísio de Freitas realiza coletiva de imprensa para tratar da crise do metanol em SP | Foto: João Valério/Governo do Estado SP

Depois do aumento recente das notificações, o Estado de São Paulo contabiliza 192 casos suspeitos de intoxicação por metanol, com 14 confirmações laboratoriais. O registro de mortes confirmadas está em quatro, enquanto outras sete estão em análise.

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O governador Tarcísio de Freitas detalhou os dados durante uma coletiva nesta segunda-feira, 6. Ele afirmou que o sistema de saúde estadual recebe pacientes, realiza coletas e aguarda exames, com destaque para 15 casos já foram descartados depois de avaliações clínicas.

“Nós tivemos 15 casos descartados após análise clínica, e a gente está tentando aumentar nossa condição de fazer esses exames e trazer esses resultados o mais rápido possível”, afirmou o governador. “E aí tem acertos de logística, porque o Estado é muito grande e tem casos em várias regiões.”

Casos em diferentes regiões de São Paulo e situação nacional

garrafas de uísque - metanol - joão valério - governo de sp
Homem segura garrafas de bebidas destiladas; itens passaram a ser notícias por intoxicação por metanol | Foto: João Valério/Governo de SP

Os registros suspeitos abrangem 26 municípios paulistas. A maior concentração está na Região Metropolitana da capital, mas também atinge cidades do interior.

O Ministério da Saúde informou, neste domingo, 5, que o total de casos confirmados chega a 16 no país, incluindo dois em Curitiba. Em escala nacional, 225 notificações seguem sob investigação, com duas mortes confirmadas em São Paulo e outras 13 em apuração em SP, PE, MS, PB e CE.

Os dados são repassados pelos Estados e organizados pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (Cievs). Como o exame para detectar metanol pode demorar dias, o poder público divulga tanto os casos confirmados quanto os suspeitos.

Características e riscos do metanol

O metanol é um composto químico usado em produtos como solventes, vernizes, anticongelantes e fluidos para copiadoras. Embora seja incolor e tenha odor parecido com o álcool comum, custa menos e pode ser misturado ilegalmente a bebidas.

Segundo especialistas, a diferença não é perceptível ao paladar, o que dificulta a identificação de fraudes no momento do consumo. Os sintomas do envenenamento, que surgem horas depois, incluem confusão, visão turva, dores abdominais, náusea e falta de ar.

Leia também: “A multinacional do crime organizado”, reportagem de Edilson Salgueiro publicada na Edição 290 da Revista Oeste

Até pequenas doses podem ser extremamente perigosas, e ingestões em quantidade podem resultar em morte. O metanol, quando metabolizado, origina substâncias tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, os quais atacam principalmente o cérebro e os olhos.

A gravidade da intoxicação depende tanto da dose ingerida quanto das características do organismo do indivíduo afetado. Os sinais iniciais podem aparecer entre 40 minutos e 72 horas, com sintomas semelhantes à embriaguez, como descoordenação, vômitos, fala arrastada e queda de pressão arterial, tontura e desmaios.

Entre 18 e 48 horas depois do consumo, o ácido fórmico pode baixar o pH do sangue. Isso danifica órgãos e causa insuficiência renal, convulsões e até hemorragias digestivas. Diante da rapidez dos efeitos, o atendimento médico deve ser imediato.

No hospital, há medicamentos que auxiliam a eliminar o metanol e pode haver a indicação de diálise. Agentes de saúde utilizam o etanol como antídoto, pois seu metabolismo pelo fígado retarda e reduz a toxicidade do metanol, mas o tratamento precisa começar o mais breve possível.

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