Depois do aumento recente das notificações, o Estado de São Paulo contabiliza 192 casos suspeitos de intoxicação por metanol, com 14 confirmações laboratoriais. O registro de mortes confirmadas está em quatro, enquanto outras sete estão em análise.
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O governador Tarcísio de Freitas detalhou os dados durante uma coletiva nesta segunda-feira, 6. Ele afirmou que o sistema de saúde estadual recebe pacientes, realiza coletas e aguarda exames, com destaque para 15 casos já foram descartados depois de avaliações clínicas.
Para salvar vidas, o governo comprou 2.500 antídotos contra intoxicação por metanol. O tratamento precoce é essencial para evitar cegueira ou morte. pic.twitter.com/yU3zngyc0R
— Governo de S. Paulo (@governosp) October 6, 2025
“Nós tivemos 15 casos descartados após análise clínica, e a gente está tentando aumentar nossa condição de fazer esses exames e trazer esses resultados o mais rápido possível”, afirmou o governador. “E aí tem acertos de logística, porque o Estado é muito grande e tem casos em várias regiões.”
Casos em diferentes regiões de São Paulo e situação nacional

Os registros suspeitos abrangem 26 municípios paulistas. A maior concentração está na Região Metropolitana da capital, mas também atinge cidades do interior.
O Ministério da Saúde informou, neste domingo, 5, que o total de casos confirmados chega a 16 no país, incluindo dois em Curitiba. Em escala nacional, 225 notificações seguem sob investigação, com duas mortes confirmadas em São Paulo e outras 13 em apuração em SP, PE, MS, PB e CE.
Os dados são repassados pelos Estados e organizados pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (Cievs). Como o exame para detectar metanol pode demorar dias, o poder público divulga tanto os casos confirmados quanto os suspeitos.
Características e riscos do metanol
O metanol é um composto químico usado em produtos como solventes, vernizes, anticongelantes e fluidos para copiadoras. Embora seja incolor e tenha odor parecido com o álcool comum, custa menos e pode ser misturado ilegalmente a bebidas.
Segundo especialistas, a diferença não é perceptível ao paladar, o que dificulta a identificação de fraudes no momento do consumo. Os sintomas do envenenamento, que surgem horas depois, incluem confusão, visão turva, dores abdominais, náusea e falta de ar.
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Até pequenas doses podem ser extremamente perigosas, e ingestões em quantidade podem resultar em morte. O metanol, quando metabolizado, origina substâncias tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, os quais atacam principalmente o cérebro e os olhos.
A gravidade da intoxicação depende tanto da dose ingerida quanto das características do organismo do indivíduo afetado. Os sinais iniciais podem aparecer entre 40 minutos e 72 horas, com sintomas semelhantes à embriaguez, como descoordenação, vômitos, fala arrastada e queda de pressão arterial, tontura e desmaios.
Entre 18 e 48 horas depois do consumo, o ácido fórmico pode baixar o pH do sangue. Isso danifica órgãos e causa insuficiência renal, convulsões e até hemorragias digestivas. Diante da rapidez dos efeitos, o atendimento médico deve ser imediato.
No hospital, há medicamentos que auxiliam a eliminar o metanol e pode haver a indicação de diálise. Agentes de saúde utilizam o etanol como antídoto, pois seu metabolismo pelo fígado retarda e reduz a toxicidade do metanol, mas o tratamento precisa começar o mais breve possível.
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