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Promotor que recusou penduricalho é atacado em grupo de WhatsApp: ‘Mesquinho’ e ‘ingênuo’

Jairo de Luca entrou com uma ação no STF para questionar os benefícios extras recebidos por integrantes do Ministério Público de São Paulo

As mensagens sugerem que a ação de Jairo Luca, que pediu a suspensão de pagamentos de penduricalhos, foi vista como um ataque à própria categoria | Foto: Divulgação/MPSP
As mensagens sugerem que a ação de Jairo Luca, que pediu a suspensão de pagamentos de penduricalhos, foi vista como um ataque à própria categoria | Foto: Divulgação/MPSP

Integrantes do Ministério Público de São Paulo (MPSP) usaram um grupo de WhatsApp para atacar o promotor aposentado Jairo de Luca. A ação foi motivada depois de o jurista entrar com um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar os penduricalhos. As informações são do site Metrópoles.

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No grupo “Equiparação Já”, que reúne cerca de 500 integrantes, promotores e procuradores expressaram descontentamento e criticaram a iniciativa do colega. As mensagens sugerem que a ação de Luca, que pediu a suspensão de pagamentos de benefícios extras, foi vista como um ataque à própria categoria. 

Alguns integrantes do grupo chegaram a chamá-lo de “inimigo da classe”. Também disseram que ele deveria ser processado coletivamente pelo MPSP. Além disso, os juristas discutem a diferença salarial em relação ao Tribunal de Justiça de São Paulo, que, segundo os participantes, oferece vencimentos maiores aos magistrados.

Críticas aos penduricalhos

Luca contestou a recomendação do Conselho Nacional do Ministério Público que autorizou pagamentos como licença compensatória e compensação por acúmulo de acervo e substituição. Os valores podem ultrapassar o teto constitucional de R$ 46,3 mil. 

Segundo cálculos do MPSP, cada integrante poderia receber mais de R$ 1 milhão, embora o montante ainda não tenha sido repassado. Luca argumentou que tais pagamentos não deveriam ser feitos para funções já previstas na carreira.

No grupo, colegas classificaram Luca como “idealista”, “mesquinho” e “ingênuo”. “Uma burrice, sem tamanho”, afirmou um promotor identificado como Leonardo, segundo o Metrópoles. “Uma ação pequena, de uma pessoa mesquinha, com visão estreita.” 

A promotora Valéria Maiolini ressaltou que apenas São Paulo seria prejudicado caso a ação prosperasse. “Síndrome de vira lata, mesmo”, escreveu no grupo. “Querer nivelar por baixo quando todos já receberam as verbas, menos São Paulo.”

O procurador Marcio Christino, por sua vez, afirmou que juízes conhecidos dele possuem carros de luxo e criticou a medida. “Tal ação é de antemão um insucesso, não servirá para nada, exceto nos expor”, opinou. “Certo está o Leonardo, a luta é pelo orçamento que beneficiará a todos.”

Colega sugere ação indenizatória contra Luca

Christino ainda sugeriu que, caso a ação não prospere, Luca poderia ser alvo de ação indenizatória movida por toda a classe. “Mais ainda, pessoalmente, me sinto ofendido com estas colocações, sendo a ação negada, o autor pode ser objeto de ação indenizatória pelo total da classe, embora reconheça que o tema me seja estranho.”

Placa do Ministério Público de São Paulo
Deputada Andrea Werner recebeu cerca de 200 denúncias sobre os casos | Foto: Divulgação/MPSP

O administrador do grupo, Luiz Faggioni, reforçou as críticas. Chamou Luca de “inimigo da classe”. Uma integrante identificada como Valéria perguntou se o promotor havia recusado outros benefícios, como o auxílio-moradia.

Leia mais: “Cura cara”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 271 da Revista Oeste

“Alguém sabe dizer se o colega abriu mão do auxílio-moradia quando foi pago”, escreveu Valéria, conforme noticiou o Metrópoles. “Porque quem não concordou abriu mão de receber! E ele?” Faggioni respondeu: “Está militando para destruir direitos importantíssimos”. O administrador do grupo afirma, ainda, que a ação de Luca fortaleceu discursos contrários aos servidores públicos.

Penduricalhos são benefícios extras que podem ultrapassar o teto constitucional | Foto: Reprodução/Freepik
Penduricalhos são benefícios extras que podem ultrapassar o teto constitucional | Foto: Reprodução/Freepik

Um promotor chamado Leonardo justificou a existência dos penduricalhos. O jurista afirmou que os benefícios seriam uma resposta à falta de reajuste real dos salários. “A armadilha é que o salário de todo o funcionalismo público foi indexado ao do ministro do STF”, escreveu. “Então, fica praticamente inviável um aumento real. Por isso surgiram os penduricalhos: legítima defesa contra o arrocho salarial.”

A Oeste, Luca se manifestou. Em nota, o promotor aposentado voltou a criticar os penduricalhos recebidos por membros do MPSP. Além disso, ele avisou que não se ofendeu com a revelação do teor de mensagens de colegas no WhastsApp.

“Não me senti ofendido. As pessoas têm o direito de se expressar”, disse Luca. “De outro lado, a ação não se dirige ao Ministério Público de São Paulo, mas a atos normativos do Conselho Nacional do Ministério Público que deram margem ao benefício licença-compensatória, que não parece ter embasamento legal e constitucional. O valor pago atualmente gira em torno de oito salários mínimos e visa gratificar os integrantes do sistema de justiça pela execução de tarefas que já são inerentes aos próprios cargos. Isso não parece adequado à luz da isonomia e do objetivo fundamental de reduzir desigualdades.”

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5 comentários
  1. Contratudoisto
    Contratudoisto

    Expor estes absurdos contra os cidadãos e dever de moralidade. Estas supercastas, se querem ganhar mais, que o façam na iniciativa privada.

  2. Leonardo de Almeida Queiroz
    Leonardo de Almeida Queiroz

    Todo sonegador de impostos deve apelar à “doutrina “ do promotor Leonardo e alegar que a sonegação é legítima defesa! Nosso Judiciário perdeu qualquer noção de pudor!

    1. Contratudoisto
      Contratudoisto

      Pior que isto: são o exemplo vivo, presente, que a classe se junta em conluio contra a sociedade. Qualquer inimigo da classe é amigo do país e di cidadão. É vergonhoso escandaloso, imoral, ilegal e infecente o que o judiciario faz contra o país em todas as suas esferas.

  3. Marcos Otávio Tabosa Araújo
    Marcos Otávio Tabosa Araújo

    No Brasil de hoje, escandaloso é ser sensato e digno.

  4. Silva lilica
    Silva lilica

    Dinheiro foi feito para ser usado e não para ser seu dono. O que o dinheiro não compra, Deus lhe concede pela graça. Parabéns Senhor promotor aposentado.

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