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Possível 'super El Niño' acende alerta para calor extremo e fortes chuvas no Brasil

Modelos climáticos indicam alta chance de formação do fenômeno em 2026, mas cientistas ainda divergem sobre intensidade

Mulher passa pela orla de Ipanema, na zona sul do Rio - 11/3/2026 | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo
No Brasil, os efeitos mais comuns do El Niño incluem aumento das chuvas no Sul, redução de precipitações no Norte e em partes do Nordeste, além de maior irregularidade climática no Sudeste e Centro-Oeste | Foto: Pedro Kirilos/Estadão Conteúdo

A possibilidade de formação de um “super El Niño” voltou ao centro das discussões climáticas, nos últimos dias, e mobilizou meteorologistas no Brasil e no exterior.

A preocupação cresceu depois de centros internacionais elevarem as chances de desenvolvimento do fenômeno climático ainda em 2026.

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A National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa), agência climática dos Estados Unidos, estima mais de 80% de probabilidade de formação do El Niño nos próximos meses.

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Modelos europeus também passaram a projetar um aquecimento intenso do Oceano Pacífico Equatorial, semelhante ao registrado em eventos históricos considerados muito fortes.

O cenário levantou alertas sobre possíveis secas, enchentes, ondas de calor e impactos na produção agrícola em diferentes regiões do planeta.

O El Niño é um fenômeno natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Essa mudança altera a circulação atmosférica e interfere nos padrões de chuva, temperatura e vento em várias partes do mundo.

Embora o fenômeno ocorra no Oceano Pacífico, seus efeitos alcançam regiões da América do Sul, Ásia, África e América do Norte.

El Niño
Sul do Brasil deve ser a região mais atingida pelo aumento do nível de chuvas provocado pelo El Niño | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Cientistas ainda divergem sobre intensidade do El Niño

Especialistas explicam que a principal diferença entre um El Niño comum e um evento considerado muito forte está na intensidade do aquecimento do oceano.

As projeções atuais indicam forte probabilidade de formação do fenôeno, mas ainda há incerteza sobre sua intensidade final.

Segundo a NOAA, existe 82% de chance de o El Niño surgir entre maio e julho e 96% de probabilidade de ele permanecer ativo no fim de 2026 e início de 2027.

Os meteorologistas alertam, porém, que previsões feitas entre março e maio costumam ser menos confiáveis por causa da chamada “barreira de previsibilidade”, período em que oceano e atmosfera passam por transição e dificultam as simulações climáticas.

No Brasil, os efeitos mais comuns do El Niño incluem aumento das chuvas no Sul, redução de precipitações no Norte e em partes do Nordeste, além de maior irregularidade climática no Sudeste e Centro-Oeste.

Especialistas também projetam maior frequência de ondas de calor e risco de impactos sobre agricultura, geração de energia e abastecimento.

O setor elétrico acompanha o cenário com atenção porque períodos prolongados de seca podem reduzir o nível dos reservatórios das hidrelétricas e elevar o custo da geração de energia.

Pesquisadores ressaltam ainda que o aquecimento global não provoca o El Niño, mas pode intensificar eventos extremos associados ao fenômeno, em um planeta já mais quente do que a média histórica.

Os primeiros efeitos climáticos devem aparecer no segundo semestre de 2026, enquanto os impactos mais fortes podem ocorrer entre o fim do ano e o início de 2027.

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