A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, na manhã desta sexta-feira, 20, uma operação para desarticular um esquema da facção criminosa Comando Vermelho (CV) que, segundo as investigações, mantinha um “núcleo político” com influência nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Até 12h30, 14 pessoas haviam sido presas — oito delas no Amazonas.
Entre os alvos está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida (Avante). O prefeito não é investigado.
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Segundo o portal G1, a polícia apura que o CV teria repassado cerca de R$ 1,5 milhão à organização criminosa por meio de empresas de fachada. Também foram alvo um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de três vereadores.

A Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de autorizar bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário. As ordens são cumpridas em Manaus e nas cidades de Belém e Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA).
Segundo a polícia, foram identificadas movimentações financeiras relacionadas ao esquema nesses Estados. Os alvos no Amazonas são:
- Izaldir Moreno Barros — servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
- Adriana Almeida Lima — ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa;
- Anabela Cardoso Freitas — investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus;
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior — citado por movimentações financeiras suspeitas;
- Josafá de Figueiredo Silva — ex-assessor parlamentar;
- Osimar Vieira Nascimento — policial militar;
- Bruno Renato Gatinho Araújo — investigado por participação no esquema;
- Ronilson Xisto Jordão — preso em Itacoatiara (AM).
Em nota, o Tribunal de Justiça do Amazonas afirmou ter adotado medidas administrativas em relação ao servidor citado e declarou que não compactua com condutas incompatíveis com os deveres funcionais.
A Universidade do Estado do Amazonas informou que não se responsabiliza por atos praticados fora do ambiente institucional. Sobre Adriana Almeida Lima, declarou que eventuais ações fora do exercício acadêmico são de responsabilidade exclusiva da professora e reiterou compromisso com a ética e a legalidade.
A Polícia Militar do Amazonas comunicou que o cabo preso responderá na esfera judicial e administrativa. Segundo a corporação, foi instaurado procedimento na diretoria de justiça e disciplina, e a instituição afirmou colaborar com as investigações.
Já a Prefeitura de Manaus declarou que não é alvo da operação e que nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa municipal integram a investigação. A administração afirmou que servidores eventualmente investigados responderão individualmente por seus atos.

Esquema do Comando Vermelho movimentou R$ 70 milhões em 8 anos
De acordo com a Polícia Civil, o Comando Vermelho movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018 — média de R$ 9 milhões por ano — em parceria com traficantes do Amazonas e de outros Estados.
As investigações revelam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Essas empresas seriam utilizadas para adquirir drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus, de onde os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da Federação.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
A apuração começou depois de a apreensão de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações, um veículo utilitário e celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante, o que deu origem ao inquérito para identificar líderes, operadores logísticos, financiadores e colaboradores.
Segundo a polícia, o grupo atuava com divisão de tarefas e estrutura organizada, com núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico. As drogas eram transportadas por rotas fluviais e terrestres, com uso de veículos alugados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento.
Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações bancárias atípicas e incompatíveis com a renda declarada dos investigados, incluindo transferências entre empresas e pessoas em diversos Estados. Também há indícios de tentativa de acesso indevido a informações sigilosas para antecipar ações policiais e judiciais, fato que segue sob investigação específica.





































Finalmente o Desenvolvimento no Brasil ficou uniforme de Norte a Sul. Devemos comemorar filial dom do PCC no extremo norte do país.