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Brasil

Mortes em casa por outras doenças aumentam na pandemia

Câncer, doenças cardiovasculares e causas mal definidas foram as principais patologias que influenciaram no crescimento dos números

mortes em casa
Brasília - Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Taguatinga. Em alguns hospitais do Distrito Federal faltam leitos para os pacientes. Foto: Marcello Casal JR/ABr

Na pandemia, as mortes registradas em casa por doenças que não são classificadas como covid-19 tiveram um salto.

O levantamento foi realizado com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade pela Vital Strategies, organização global composta de especialistas e pesquisadores com atuação em governos, e divulgado nesta segunda-feira, 2, pelo jornal Folha de S.Paulo.

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Os números

Em 2020, foram quase 320 mil óbitos para todas as causas de mortes domiciliares, o que representa um aumento de 21% em relação ao ano de 2019, com 265 mil óbitos registrados.

Já no ano passado, foi observado um aumento de 18% em relação a 2019. As mortes domiciliares por covid-19 não fazem parte desse quantitativo.

Segundo o levantamento, os picos de mortes domiciliares aconteceram um pouco depois do aumento dos casos de covid-19.

Os dados apontam, por exemplo, um crescimento de mortes por câncer em ambientes domiciliares e uma redução em ambientes hospitalares. Foram 42,4 mil óbitos em casa em 2020, contra 34,1 mil em 2019, crescimento de 24%. Em 2021, foram quase 40 mil mortes em domicílio.

“Nesses períodos, houve sobrecarga do sistema de saúde e diminuição da cobertura da atenção primária. Muitas pessoas tentaram ir ao hospital e não conseguiram atendimento por conta da sobrecarga, outras nem tentaram”, disse Fátima Marinho, médica epidemiologista e especialista sênior da Vital Strategies.

Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, que têm como principal causa a diabetes, tiveram aumento das mortes em domicílios a partir de abril de 2020. Pacientes com consultas adiadas e exames cancelados podem ter tido a diabetes agravada por falta de intervenção oportuna.

Norte e Nordeste lideram aumento por Estados

Os Estados do Amazonas, Roraima, Piauí, Alagoas e Sergipe apresentaram maiores proporções de aumento de óbitos domiciliares por doenças não classificadas como covid.

De acordo com a pesquisa, muitos procedimentos foram cancelados e adiados, o que pode ter agravado a situação e levado pacientes a morrerem em casa. Com o adiamento de procedimentos cirúrgicos, alguns tumores oncológicos deixam de ser operáveis, por exemplo, reduzindo a expectativa de vida do paciente.

Leia também: “As inúmeras contradições da pandemia”, reportagem de Paula Leal publicada na edição 97 da Revista Oeste

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1 comentário
  1. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    Governadores desumanos obrigaram os doentes a ficarem presos em casa até morrer.

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