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Mais de 30% dos cursos de medicina reprovam em exame nacional

Resultados do Enamed mostram falhas de quase 13 mil alunos em conhecimentos básicos

Oito cursos de medicina, com proficiência inferior a 30%, não poderão ampliar vagas | Foto: Divulgação/MEC
Oito cursos de medicina, com proficiência inferior a 30%, não poderão ampliar vagas | Foto: Divulgação/MEC

Mais de 30% dos cursos de medicina do Brasil reprovaram no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A prova revelou erros em perguntas simples do cotidiano médico, como diagnóstico de dengue, avaliação de dor de cabeça e prescrição de medicamentos, segundo o programa Fantástico, da Rede Globo, que teve acesso às respostas.

Exame nacional aplicado a estudantes do último ano, o Enamed tem a função de medir a qualidade de 351 cursos de medicina no país. Mais de 39 mil estudantes participaram da avaliação, e 40% não atingiram a proficiência mínima para exercer a profissão.

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O presidente do Conselho Federal de Medicina, José Hiran Gallo, defende medidas para impedir que formandos de faculdades reprovadas atuem profissionalmente. Ele apoia um projeto de lei que cria um exame obrigatório de proficiência após a graduação. “Defendemos o Profimed, que deve ser aprovado em fevereiro no Senado”, afirma.

"Não é apenas uma recaída na batalha da cloroquina", disse a médica, em artigo recente | Foto: Divulgação/Conselho Federal de Medicina (CFM)
Prédio do Conselho Federal de Medicina na Asa Sul, em Brasília | Foto: Divulgação/Conselho Federal de Medicina

Um relatório do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelo exame, que detalha o desempenho dos alunos em questões consideradas elementares. Entre quase 13 mil estudantes reprovados, que acertaram menos de 60% da prova, os erros chamam atenção.

Em uma questão classificada como fácil pelo Inep, sobre a conduta médica diante de sintomas graves de dengue — como febre, dores intensas e vômitos persistentes —, 66% dos alunos erraram. Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Alexandre Telles, o erro pode levar à liberação inadequada de pacientes com risco de evolução grave, como a dengue hemorrágica.

Outra questão abordava um caso de dor de cabeça persistente em uma mulher de 55 anos, com alterações visuais e cansaço. A resposta correta era solicitar um exame de sangue simples para investigar inflamação nos vasos sanguíneos. Entre os reprovados, 65% erraram. “É preocupante que futuros médicos não saibam reconhecer sinais de gravidade”, disse Telles.

A dengue, transmitida por mosquitos, é a arbovirose mais disseminada globalmente | Foto: Jcomp/Freepik
A dengue, transmitida por mosquitos, é a arbovirose mais disseminada globalmente | Foto: Jcomp/Freepik

Segundo o Ministério da Educação (MEC), algumas das faculdades que receberam notas 1 e 2 no Enamed sofrerão sanções, como a suspensão de novas matrículas ou redução de vagas. Também estão previstos processos administrativos para correção de falhas pedagógicas e estruturais.

Victor Miranda, aluno da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), avalia que o problema é generalizado e ligado à mercantilização do ensino médico. Bolsista do ProUni, ele obteve nota 8,2 no Enamed, acima da média, apesar de a faculdade ter recebido nota 2.

Para o estudante, a ausência de hospital-escola e estágios superlotados prejudicaram a formação. “Vou ter uma aula de AVC e gostaria que fosse com um neurologista, mas muitas vezes não é”, comentou.

“O que acontece com a minha faculdade acontece com várias faculdades privadas ao longo do Brasil”, disse à Rede Globo. “Eu acho que é também uma questão da mercantilização da medicina, a medicina virar um sinônimo de lucro.” Em nota, a Unicid afirmou ter histórico de excelência e que recebeu nota máxima em avaliação presencial do curso.

Alunos de medicina erram questões sobre prescrição de medicamentos

Embora o Enamed não inclua prova prática, o MEC ressalta que o exame cobra conhecimentos que deveriam ser dominados por alunos com experiência clínica, como a prescrição de medicamentos. Em uma questão sobre Parkinson, por exemplo, 56% erraram os dois remédios indicados.

Um estudante de uma universidade reprovada no Rio de Janeiro, que pediu anonimato, relatou indignação dos colegas ao ver uma professora errar a prescrição de um medicamento em sala de aula.

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Fachada do Ministério da Educação, em Brasília | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Leonardo Celestino, que paga cerca de R$ 12 mil de mensalidade na Faculdade de Medicina Estácio de Sá, em Angra dos Reis — instituição com nota 1 —, afirma que há sobrecarga de professores e falta de especialistas. “Falta investimento no corpo docente, o que impacta diretamente no ensino”, declarou.

A Estácio de Sá declarou que o Enamed, isoladamente, não reflete a qualidade do ensino e informou que o curso recebeu nota 4 depois de avaliação detalhada.

Já o diretor do sindicato das universidades privadas, Rodrigo Capelato, questiona os resultados do exame. Segundo ele, o Enamed é apenas um dos instrumentos de avaliação, e não deve ser usado isoladamente para afirmar que estudantes estão inaptos à profissão. “Dizer que, numa prova, 13 mil não estão aptos me parece um exagero”, afirmou.

+ “Enamed expôs faculdades de medicina que visam apenas o lucro, diz médico

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1 comentário
  1. Antonio Da Silva
    Antonio Da Silva

    Olha aí a beleza que é privatizar a educação. Educação é um bem e deve ser ESTATAL.

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