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Leão: 'Não tenho que pedir desculpas', sobre críticas a técnicos estrangeiros no Brasil

Em entrevista a Oeste, ex-treinador fala sobre suas declarações, muito criticadas, acerca da presença de treinadores de fora em equipes brasileiras

Leão ex-técnico sobre alfa a respeito de treinadores estrangeiros
Leão participou de evento ao lado de Ancelotti e de outros técnicos e ex-técnicos | Foto: Reprodução/YouTube Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol

Logo depois do encerramento do 2º Fórum Brasileiro de Treinadores de Futebol (FBTF), realizado nesta terça-feira, 4, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o ex-treinador Emerson Leão ficou um tempo a mais no Rio de Janeiro.

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Até ele deixar a cidade, de carro, e retornar para São Paulo, onde chegou no início da tarde desta quarta-feira, 5, a polêmica sobre sua fala, e a de Oswaldo de Oliveira, em relação a técnicos estrangeiros no Brasil, estava efervescente.

O treinador da Seleção Brasileira, o italiano Carlo Ancelotti, participou do evento. Numa das declarações, ao lado de Ancelotti, Leão afirmou: “Eu sempre disse que eu não gosto de treinadores estrangeiros no meu país. Estou falando aqui, na frente da nossa casa [sede da CBF].”

Ele atribuiu a culpa aos próprios técnicos brasileiros. Depois, Oswaldo de Oliveira, que já dirigiu equipes como Corinthians e Flamengo, pediu que, “quando o Ancelotti for embora, depois de ser campeão, ano que vem, que [a Seleção] volte a ter um treinador brasileiro”.

Leão, ex-goleiro que atuou entre 1970 e 1986 na Seleção Brasileira, a qual dirigiu entre 2000 e 2001, já como técnico, foi um dos homenageados no fórum. Recebeu uma placa do próprio Ancelotti.

O diretor da FBTF, Alfredo Sampaio, repudiou as declarações de Oswaldo. “A diretoria da CBF com 100% de razão se sentiu atingida pelo vexame que foi dado.” A Oeste, já em São Paulo, Leão, que também foi criticado por boa parte da mídia, que considerou a fala deselegante e xenófoba, disse que quem fez estas críticas “não estava presente”. Confira.

O que você achou de toda a questão gerada depois de sua fala na CBF?

Não aconteceu questão nenhuma.

Mas e a repercussão que teve?

Tem em todo lugar.


E por que você acha que não aconteceu questão nenhuma?

Calma, que eu não terminei. Segunda coisa: quem falou foi uma jornalista na televisão, até me chamou de mal-educado, mas ela não estava lá. Ela não pegou a frase toda, nem o começo da palestra. Como que ela tem conhecimento para falar essa bobagem?

Como foi seu diálogo com o Ancelotti?

Eu diria assim: sabe quem pegou a comenda para mim, podemos assim dizer? O técnico da Seleção Brasileira. Com ele eu estive, um do lado do outro, conversando.
Então, para você ver, não aconteceu nada.

Você foi mal-interpretado?

Não tem nada de mal-interpretado, porque significa que estou pedindo desculpas. Não tenho nada que pedir desculpas para ninguém, para homem nenhum, para mulher nenhuma. Quem falou não estava presente. Pegou o final de uma frase, ou de um momento, e pôs na televisão. Eu cheguei agora na minha casa, estava dirigindo desde as 6 e meia da manhã, saí do Rio.

O que você disse então?

Eu tinha minha opinião de que nós não deveríamos admitir, de forma nenhuma, um treinador estrangeiro no nosso país, seja ele quem for, estávamos falando de nomes, mas de posto. A partir desse momento, não tenho mais nada para falar sobre o assunto. Somos nós, os errados. Nós que permitimos que isso acontecesse depois do 7 a 1 da Alemanha. Começaram a desmoralizar os treinadores brasileiros. Isso é muito ruim. Temos que recuperar através dessa nova geração, apoiada pela geração passada, da qual eu faço parte.

O treinador brasileiro precisa evoluir ou não dentro desse conceito?

Isso não foi perguntado para mim. Isso não foi falado para mim.

Pergunto, então.

Todo mundo descreveu o que pensava a respeito de tudo. Que precisam novos professores na CBF, que precisamos abrir mais o leque, mudar certas coisas, nos relacionar melhor. A CBF fez o favor, e estavam falando que os outros não fizeram, de abrir para atletas e treinadores, isso é bom. Acho que não podemos perder esse momento. Colocaram as pessoas para falar em nome dos atletas e dos treinadores. Pessoas com brilho próprio, capacitadas, com caráter. Aí pegam o final de uma frase e fazem isso.

E quando o brasileiro trabalha fora? Você já trabalhou no Japão, o Oswaldo também.

Algumas pessoas, como eu, o Zico e outros, foram para Japão, Arábia, quando o futebol profissional estava começando. Não compare com o Brasil, pelo amor de Deus.

Claro, mas e se a respeito do Carlos Alberto Silva, quando dirigiu o Porto, falassem isso? Ou o Luxemburgo, no Real Madrid? E se fosse o inverso em relação a brasileiros?

Por que chamaram eles?

Acho que porque fizeram bons trabalhos por aqui…

Tá bom, ótimo. Foi a mesma coisa com os treinadores daqui. A maioria fez bom trabalho em algum lugar. Antigamente não tinha empresário. Agora tem, e são eles que colocam a maioria aqui. O trabalho deles é problema deles lá, nada contra, mas já falei o que tinha para falar. A turma daqui de dentro é que tinha de arrumar meios possíveis e verdadeiros, para que eles voltem a ocupar esses cargos.

Leia mais: “Ancelotti quer acabar com o ‘complexo de vira-latas’ do futebol brasileiro”

Para que não haja necessidade de recorrer a técnicos estrangeiros…

Óbvio. Se eu tenho um jogador como o Zico, para que vou recorrer a outro?

Mas os jogadores brasileiros também não evoluíram tecnicamente, concorda?

É óbvio. Isso serve para todo mundo no esporte: dirigentes, supervisores. Quando chega um estrangeiro, não chega sozinho. Vem com seis, oito pessoas, empresário, família, tudo.

O que você quis dizer, então, é que o importante é que não haja necessidade de técnicos estrangeiros, é isso?

Eu disse que, se nós — que somos os culpados — melhorarmos nossos padrões, não será necessário ninguém de fora. Não é o que eu quis dizer, é o que eu disse. Você não estava presente, veja a fita toda.

A que você atribuiu os bons resultados de alguns técnicos estrangeiros no Brasil?

O problema é que vocês não veem: quando chega um técnico estrangeiro, ele traz a própria comissão. E por que, quando o treinador é brasileiro, não contratam tantos jogadores bons? Ele [o técnico estrangeiro] vem para o Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Botafogo — todos grandes times — e ainda pode contratar mais três ou quatro?

E com o Ancelotti, dá para ser campeão mundial?

Faça uma pesquisa e veja o que os brasileiros acham da Seleção. Infelizmente, poucos acreditam. Jogamos amistosos, ele está observando, creio eu, mas é preciso treinar. Os times estão em finais e classificatórias, não há tempo para treinar. Qualquer treinador vai ter dificuldades. Se não tem quem treinar, como introduzir sua dinâmica de trabalho? Seja em clube, seleção, colégio, várzea, não tem jeito.

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1 comentário
  1. ELIAS
    ELIAS

    Independente das razões e explicações, um tanto confusas convenhamos, expor essa opinião na presença do técnico Ancelotti é desrespeitoso e grosseiro. Emerson Leão tem todo o direito a ter suas opiniões, mas a ocasião da manifestação foi um vexame sim.

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