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Laudo mostra concentração de bactérias em pizzaria suspeita de intoxicação

Análises apontam presença de microrganismos em alimentos depois de mais de 100 pessoas passarem mal entre os dias 15 e 16 de abril; investigação apura relação com morte

Segundo a Agevisa, o estabelecimento apresentava armazenamento inadequado de alimentos e presença de insetos | Foto: Reprodução/Brenna Huff/Unsplash
Pizzaria da Paraíba é suspeita de de causar intoxicação na Paraíba | Foto: | Foto: Reprodução/Brenna Huff/Unsplash

Resultados de análises do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) confirmaram a presença de níveis elevados de bactérias em alimentos de uma pizzaria em Pombal, no Sertão da Paraíba, investigada por um surto de intoxicação alimentar. O laudo foi divulgado pelo secretário de Saúde do Estado, Ari Reis e obtido pelo portal G1.

De acordo com o levantamento, foram identificadas as bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli nos alimentos coletados no estabelecimento. Ao todo, sete amostras foram analisadas, incluindo pizzas, molhos, carnes e materiais biológicos de pacientes. 

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A Escherichia coli, conhecida como E. coli, é uma bactéria que vive normalmente no intestino de humanos e animais | Foto: Reprodução/Freepik
A Escherichia coli, conhecida como E. coli, é uma bactéria que vive normalmente no intestino de humanos e animais | Foto: Reprodução/Freepik

+ Pizzaria é interditada depois de morte e mais de 100 casos de intoxicação

Apenas os alimentos apresentaram contaminação, enquanto as amostras biológicas não indicaram presença de patógenos. Também não houve registro de Salmonella.

Surto deixou uma pessoa morta e mais de 100 doentes

O caso ocorreu entre 15 e 16 de março, levando 117 pessoas a procurarem atendimento médico, com sintomas como náuseas, vômitos, diarréia e dores abdominais. Uma das vítimas, Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos, não resistiu. Ela era engenheira agrônoma e servidora pública.

As bactérias encontradas são comuns no ambiente e até no organismo humano, mas podem causar intoxicação quando presentes em alimentos contaminados. O Staphylococcus aureus costuma estar associado a alimentos como carnes prontas, molhos e produtos fora de refrigeração. Já a Escherichia coli indica, em geral, contaminação fecal, podendo estar presente em carnes cruas, água contaminada ou vegetais mal higienizados.

Fachada da Agência Estadual de Vigilância Sanitária da Paraíba (Agevisa/PB) | Foto: Divulgação/Agevisa
A Agência Estadual de Vigilância Sanitária da Paraíba (Agevisa/PB) interditou a pizzaria investigada | Foto: Divulgação/Agevisa

Falhas na manipulação são principal suspeita

A análise preliminar aponta falhas na manipulação dos alimentos como a principal hipótese para o surto. Ainda assim, as autoridades de saúde afirmam que não é possível estabelecer, neste momento, relação direta entre a contaminação e a morte registrada.

“A única afirmação que podemos fazer nesse momento é que há evidências científicas de que há uma má manipulação dos alimentos na pizzaria”, afirmou o secretário Ari Reis. “Não podemos atribuir a essa concentração elevada de bactérias como causa do óbito, porque precisamos que as amostras biológicas sejam analisadas para verificar toxinas dessas bactérias no sangue, principalmente na amostra desse óbito.”

Como o Lacen-PB não realiza exames para detectar toxinas bacterianas no sangue, as amostras serão enviadas para um laboratório fora do Estado. A previsão é de que os resultados fiquem prontos em até 15 dias úteis.

Investigação continua

A Polícia Civil confirmou que recebeu o laudo, mas informou que aguarda a conclusão de outros exames para se manifestar oficialmente sobre o caso.

A advogada do proprietário da pizzaria, Marcos Antônio, declarou em vídeo que ainda não teve acesso detalhado ao laudo, mas afirmou que o cliente está à disposição para colaborar com as investigações.

O Hospital Regional de Pombal informou que Raíssa apresentou rápida piora no quadro clínico e precisou ser encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) depois do atendimento inicial.

Segundo o Núcleo de Medicina e Odontologia Legal, exames toxicológicos seguem em andamento. O laudo preliminar, no entanto, não identificou alterações típicas de intoxicação alimentar nos órgãos da vítima, conforme explicou o perito Luiz Rustenes, diretor do núcleo de Cajazeiras.

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