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Justiça inclui acusados de matar delator do PCC na lista da Interpol

Mandados seguem ativos desde 2025, e investigação indica participação de policiais militares no atentado planejado em Guarulhos

Em maio de 2024 o Partido dos Trabalhadores (PT) chegou a divulgar a notícia falsa sobre 51 manifestantes que seriam procurados pela Interpol | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Depois de não conseguir localizá-los em território nacional, a Polícia Federal (PF) solicitou a inclusão | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A Justiça Federal autorizou o nome de dois brasileiros na Difusão Vermelha da Interpol. Emilio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como “Cigarreira”, e Kauê do Amaral Coelho, apelidado de “Jubileu”, passaram a figurar na lista de procurados por envolvimento no assassinato de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Depois de não conseguir localizá-los em território nacional, a Polícia Federal (PF) solicitou a inclusão. O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo acolheu o pedido e destacou a gravidade do crime. A partir da decisão, qualquer país membro da Interpol pode prender os foragidos para fins de extradição.

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A investigação indicou Emilio como o mandante e Kauê como responsável por repassar aos executores informações sobre a rotina da vítima. Gritzbach morreu a tiros logo depois de desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na tarde de 8 de novembro de 2024.

Os autores do crime estavam posicionados entre o terminal e os veículos de escolta e usaram fuzis calibres 7,62 e .556 para atingir o empresário. Além dele, um motorista de aplicativo também morreu, e outras pessoas ficaram feridas.

Gritzbach já era vigiado antes de desembarcar em Guarulhos

Emilio ocupava posição de liderança na ação. Para despistar as autoridades, utilizava identidades falsas em nome de João Bortolato Fallopa e João Luiz da Cunha.

A PF justificou o pedido de cooperação internacional com base na capacidade de Emilio em permanecer oculto, mesmo depois da emissão do mandado de prisão preventiva, em março de 2025.

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Os agentes identificaram Kauê como olheiro que monitorava a chegada do voo de Gritzbach e repassava os dados à quadrilha. Segundo as autoridades, o assassinato teve caráter de retaliação à delação firmada pela vítima com o Ministério Público (MP).

Gritzbach atuava no mercado de imóveis de luxo e havia firmado acordo de colaboração com o MP para revelar operações de lavagem de dinheiro do PCC e conexões com agentes públicos.

Antes de morrer, Gritzbach havia passado um tempo em Maceió, onde buscou joias como parte de uma cobrança. No retorno a São Paulo, os criminosos já conheciam sua rotina.

Polícia identificou elo entre atiradores e policiais militares

A apuração do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa reconstituiu a execução por meio de imagens do aeroporto, dados de geolocalização, registros de WhatsApp e quebra de sigilos telefônicos. O veículo utilizado, um Gol preto, foi abandonado com armas, roupas e vestígios de DNA.

O laudo pericial ligou fisicamente o carro ao policial militar Ruan Silva Rodrigues, suspeito de atuar como atirador principal. As provas incluíram o DNA na maçaneta interna do carro e a conexão do celular dele com redes móveis nas imediações do aeroporto.

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Outros dois PMs também foram denunciados: Denis Antonio Martins, segundo atirador, e o tenente Fernando Genauro da Silva, identificado como motorista e articulador do crime. Os três estão presos e se tornaram réus.

A polícia também denunciou Matheus Augusto de Castro Mota, suspeito de financiar parte da operação criminosa. Segundo o inquérito, ele pagou R$ 5 mil para auxiliar na fuga dos executores.

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