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Investigação da PF mostra possível vínculo do PCC com funk e jogos de azar

Conversas interceptadas pela agência revelam diálogos sobre sucesso do esquema ilegal e resolução de conflitos através do 'tribunal' do crime organizado

O influenciador Wesley Alemão, com 8,1 milhões de seguidores, é uma das figuras centrais do esquema | Foto: Reprodução/Redes sociais
O influenciador Wesley Alemão, com 8,1 milhões de seguidores, é uma das figuras centrais do esquema | Foto: Reprodução/Redes sociais

Empresários do funk e influenciadores digitais com mais de 50 milhões de inscritos no YouTube e milhões de seguidores em redes sociais estão sob investigação. De acordo com uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a Polícia Federal (PF) detectou vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e possíveis crimes, como lavagem de dinheiro e loterias ilegais.

Desde março, a Operação Latus Actio investiga o esquema. Foram apreendidos celulares e computadores de empresários, como Henrique Viana, o Rato, sua mulher, Daniela Viana, e o influenciador Wesley Alemão. A defesa nega as acusações.

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Wesley Alemão, com 8,1 milhões de seguidores, se apresenta como ex-gerente de ponto de venda de drogas. Ele promovia rifas de carros de luxo, como Ferrari e Lamborghini. A PF suspeita que essas rifas eram fachada para lavagem de dinheiro.

Rifas com carros de luxo eram anunciadas nas redes sociais | Foto: Instagram Wesley Alemão/Reprodução/Estadão
Rifas com carros de luxo eram anunciadas nas redes sociais | Foto: Instagram Wesley Alemão/Reprodução/Estadão
Rifas com carros de luxo eram anunciadas nas redes sociais | Foto: Instagram Wesley Alemão/Reprodução/Estadão
Rifas com carros de luxo eram anunciadas nas redes sociais | Foto: Instagram Wesley Alemão/Reprodução/Estadão

Rato e sua esposa atuam no funk, agenciando artistas e promovendo eventos por meio da produtora Love Funk Shows. A PF acredita que o dinheiro dos shows também era usado para lavar o dinheiro do crime organizado.

Rato também possui uma empresa de comércio de pneus, uma fazenda na Paraíba, a gravadora Foguete Music Records, com sede em Goiânia, e a Love Funk Music. Nas redes sociais, ele exibe uma vida de luxo, com bens em nome de terceiros.

Relatórios enviados pelos bancos Itaú e Safra ao Coaf revelam que a Love Funk opera em uma localização periférica, incompatível com o volume financeiro movimentado. O Safra também destacou que a maioria das pessoas que enviaram dinheiro à empresa receberam auxílio emergencial do governo federal em 2020.

Polícia Federal suspeita de empresas de fachada

Conversas interceptadas mostram celebração do sucesso do esquema, incluindo um vídeo em que Rato joga notas de dólar ao ar. De acordo com a Receita Federal, ele não declarou patrimônio, e suas transações financeiras de 2017 a 2022 foram insignificantes, conforme apontado pela Polícia Federal.

Em um dos vídeos encontrados pela PF, Rato joga notas de dinheiro para o alto | Foto: Reprodução/Polícia Federal/Estadão
Em um dos vídeos encontrados pela PF, Rato joga notas de dinheiro para o alto | Foto: Reprodução/Polícia Federal/Estadão

No caso de Wesley Alemão, o Coaf constatou que ele não emitiu notas fiscais entre 2021 e 2022 e recebeu R$ 150 mil da empresa Fox Rodas, de Jonatas Dias dos Santos, outro investigado pela Polícia Civil, que foi absolvido pela Justiça estadual.

A Fox Rodas possui mais de 40 veículos registrados em seu nome, muitos de alto valor, totalizando mais de R$ 10 milhões, segundo a Polícia Federal. No entanto, seu capital social é de apenas R$ 200 mil. Wesley Alemão vendeu um Porsche Carrera 911 para a Fox Rodas por R$ 900 mil.

A PF acredita que a Fox Rodas e a Pneus Itu Eireli sejam empresas de fachada usadas em um esquema de lavagem de dinheiro, tanto na compra de veículos e imóveis, cujos verdadeiros donos seriam terceiros, quanto em movimentações bancárias para ocultar a origem ilícita do dinheiro.

PCC era usado como artifício para “resolver” conflitos entre empresários

A marca PCC
A marca ‘PCC’ em parede da Penitenciaria José Parada Neto, Guarulhos (SP) | Foto: Divulgação/Marco Gomes/Flickr

Mensagens obtidas pela Polícia Federal com os acusados revelam ameaças de morte, ocultação de bens e o uso do PCC para resolver disputas entre empresários. Segundo a PF, Rato se envolveu em um conflito com um concorrente chamado Dom Novo, que usava um telefone de Orlando, Flórida.

A disputa estava relacionada ao DJ WN. No dia 1º de fevereiro deste ano, Dom Novo avisou Rato: “Ontem estavam falando de você na Final inteira,” referindo-se ao grupo Sintonia Final, que lidera o PCC.

Rato chama Dom Novo de “verme”, e ele responde: “Verme é você, que rouba irmão. Deixei tudo preparado caso você queira guerra”. No PCC, “irmão” é como se referem entre si, e “tabuleiro” significa plano de ataque contra inimigos.

Durante a conversa, Rato admite ter ameaçado matar Dom Novo. Eles terminam ao propor dividir “uns artistas” para resolver a situação. Em outra mensagem, Dom Novo ameaça Rato, exigindo que ele siga as ordens da facção, e sugere uma videoconferência com a “Final da Leste”, grupo que lidera o PCC na zona leste de São Paulo.

Em outro momento, Rato recebe cobranças de presidiários da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde está a cúpula do PCC, incluindo Márcio Geraldo Alves Ferreira, o Buda. Por meio de um homem chamado Bahia, Buda manda um recado a Rato, oferecendo apoio e mencionando uma situação anterior.

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