O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e outros órgãos de fiscalização deflagraram nesta quinta-feira, 28, uma nova operação contra fraudes no setor de combustíveis. A Fluxo Oculto, uma continuação da Carbono Oculto, mira seis fintechs que atuariam de forma criminosa e um esquema de adulteração de combustíveis com o uso de nafta, um tipo de solvente.
+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste
Receba nossas atualizações
“O objetivo da nova operação é avançar no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes”, informou o MP de São Paulo.
Deflagrada em agosto de 2025, a Carbono Oculto revelou “o avanço do crime organizado no ecossistema do mercado de combustíveis, instituições de pagamentos e de investimento”.
A atuação das fintechs
Segundo o Ministério Público, as seis fintechs investigadas na Fluxo Oculto atuavam como bancos paralelos da organização criminosa, formando um “poderoso núcleo financeiro” para lavagem de dinheiro.
“Elas [as financeiras] compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores”, descreve o MP.
+ MP-SP recusa acordo de colaboração de ‘Primo’ e ‘Beto investigados na Operação Carbono Oculto
O órgão também afirmou que as estruturas do esquema-alvo da operação “se utilizaram do mesmo balcão financeiro marginal, compartilhando canais de escoamento e técnicas de lavagem, por vezes fundos/fintechs, alguns dos quais já indicados na primeira fase da Carbono Oculto e que, agora, aparecem evidenciados novamente, especialmente na frente da nafta”.
Participam da Operação Fluxo Oculto o MPSP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Receita Federal, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil.
Os agentes cumprem 55 mandados de busca e apreensão e têm o apoio do Gaeco dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Paraná.
Adulteração de combustíveis

O MPSP também denunciou o núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustível. Apuração conjunta com a ANP revelou robusta estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas-fantasma.
A denúncia descreve estrutura criminosa criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos Estados do país. Os denunciados usavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, na prática desviados para a Grande São Paulo.
Nesse núcleo, a investigação conjunta do Gaeco e da Receita Federal identificou o uso dos mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. “Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização”, informou o MP.
Fundos usados na fraude
Os recursos financeiros obtidos com o esquema eram então remetidos a fundos de investimentos para ocultar os reais beneficiários da fraude. Foram identificados quatro fundos que participavam do esquema e são alvo da operação, junto com duas administradoras de recursos e duas gestoras.
Os quatro fundos investigados no esquema de desvio de nafta possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. Em pouco mais de um ano, houve incremento patrimonial superior a 200% nesse montante.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.