publicidade
Brasil

Fraude no setor de combustíveis: nova operação mira 6 fintechs e cumpre 55 mandados

Ministério Público de São Paulo também denunciou à Justiça esquema de adulteração com uso de nafta

Operação Fluxo Oculto cumpre 55 mandados - 28/05/2026 | Foto: Divulgação/Gov SP
Operação Fluxo Oculto cumpre 55 mandados - 28/05/2026 | Foto: Divulgação/Gov SP

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e outros órgãos de fiscalização deflagraram nesta quinta-feira, 28, uma nova operação contra fraudes no setor de combustíveis. A Fluxo Oculto, uma continuação da Carbono Oculto, mira seis fintechs que atuariam de forma criminosa e um esquema de adulteração de combustíveis com o uso de nafta, um tipo de solvente.

+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste

Receba nossas atualizações

“O objetivo da nova operação é avançar no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes”, informou o MP de São Paulo.

Deflagrada em agosto de 2025, a Carbono Oculto revelou “o avanço do crime organizado no ecossistema do mercado de combustíveis, instituições de pagamentos e de investimento”.

A atuação das fintechs

Segundo o Ministério Público, as seis fintechs investigadas na Fluxo Oculto atuavam como bancos paralelos da organização criminosa, formando um “poderoso núcleo financeiro” para lavagem de dinheiro.

“Elas [as financeiras] compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores”, descreve o MP.

+ MP-SP recusa acordo de colaboração de ‘Primo’ e ‘Beto investigados na Operação Carbono Oculto

O órgão também afirmou que as estruturas do esquema-alvo da operação “se utilizaram do mesmo balcão financeiro marginal, compartilhando canais de escoamento e técnicas de lavagem, por vezes fundos/fintechs, alguns dos quais já indicados na primeira fase da Carbono Oculto e que, agora, aparecem evidenciados novamente, especialmente na frente da nafta”.

Participam da Operação Fluxo Oculto o MPSP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Receita Federal, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil.

Os agentes cumprem 55 mandados de busca e apreensão e têm o apoio do Gaeco dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Paraná.

Adulteração de combustíveis

Placa do Ministério Público de São Paulo
Em denúncia à Justiça, o MPSP descreve a estrutura criminosa criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos Estados | Foto: Divulgação/MPSP

O MPSP também denunciou o núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustível. Apuração conjunta com a ANP revelou robusta estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas-fantasma.

A denúncia descreve estrutura criminosa criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos Estados do país. Os denunciados usavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, na prática desviados para a Grande São Paulo.

Nesse núcleo, a investigação conjunta do Gaeco e da Receita Federal identificou o uso dos mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. “Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização”, informou o MP.

Fundos usados na fraude

Os recursos financeiros obtidos com o esquema eram então remetidos a fundos de investimentos para ocultar os reais beneficiários da fraude. Foram identificados quatro fundos que participavam do esquema e são alvo da operação, junto com duas administradoras de recursos e duas gestoras.

Os quatro fundos investigados no esquema de desvio de nafta possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. Em pouco mais de um ano, houve incremento patrimonial superior a 200% nesse montante. 

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade