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Focos de calor em janeiro dobram média histórica e atingem níveis recordes em Estados

Esse volume é o sexto mais alto já registrado em janeiros desde 1999 e o segundo maior da década, ficando atrás apenas de 2024

O veranico, fenômeno que altera a direção dos ventos, promete uma grande onde de calor nesta semana | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
No Nordeste, a persistência da seca intensificou o problema, destacando Maranhão, Ceará e Piauí entre os Estados com mais focos | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

As ocorrências de focos de calor em janeiro chamam atenção por ultrapassar o padrão registrado nos últimos anos, alcançando 4,3 mil pontos ativos monitorados pelo satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número representa o dobro da média histórica para o período e um salto de 46% em comparação ao ano passado.

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Esse volume é o sexto mais alto já registrado em janeiros desde 1999 e o segundo maior da década, ficando atrás apenas de 2024, quando houve 4,5 mil focos. O Pará liderou o ranking dos Estados, com 985 focos, cenário agravado pela presença de áreas sob seca, conforme atualização do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA) referente a dezembro passado.

Seca agrava situação no Nordeste

No Nordeste, a persistência da seca intensificou o problema, com destaque para Maranhão, Ceará e Piauí entre os Estados com mais focos. O Maranhão registrou 945 ocorrências, e todo o Estado enfrenta seca atualmente. Ceará e Piauí, com 466 e 229 focos respectivamente, também sofrem com estiagem prolongada desde o inverno de 2023.

O Maranhão já supera seu próprio recorde histórico de focos em janeiro, ultrapassando os 712 registros de 2019. Embora a quantidade de focos não seja o único critério para mensurar queimadas, o dado é utilizado com frequência para orientar políticas públicas de prevenção e combate a incêndios.

Apesar do aumento em janeiro, especialistas revelam que isso não garante um ano com mais queimadas do que a média anual, que gira em torno de 200 mil registros. Nos anos anteriores, apenas 2016 contrariou a tendência ao fechar abaixo da média, mesmo com janeiro elevado.

Autoridades estaduais e contexto dos dados

Sobre os dados, o Pará destacou que “recortes temporais muito curtos devem ser analisados com cautela” e que “janelas reduzidas podem refletir ocorrências concentradas em poucos dias ou localidades específicas, o que não permite antecipar uma tendência anual consolidada”.

No Ceará, a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema) explicou que o alto número de focos em janeiro reflete, em grande parte, o cenário observado em dezembro de 2025, quando houve recorde em 20 anos. A Sema-CE esclareceu que tais focos podem ter origem em incêndios, queimadas ou outras fontes de calor, o que não significa necessariamente fogo em vegetação.

Já o Maranhão informou que intensificou campanhas educativas, distribuição de equipamentos e respostas rápidas no combate a incêndios. “A severa estiagem que afeta o Estado cria condições extremamente favoráveis para esse aumento, apesar das ações preventivas”, explicou a Secretaria Estadual de Meio Ambiente. O Estado também ampliou fiscalizações, uso de drones para monitoramento e assistência a comunidades rurais e animais silvestres.

Leia também: “Togas fora da lei”, artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 245 da Revista Oeste

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