A Dok Calçados, dona de marcas como Dijean e Ortopé, entrou em recuperação judicial. A Justiça de Sergipe aceitou o pedido da companhia na sexta-feira 10.
O pedido de recuperação judicial foi aceito na Comarca de Frei Paulo, Sergipe, onde está localizada a principal fábrica da companhia. O documento não cita o valor da dívida e a empresa tem até cinco dias para enviar a lista de credores.
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O Grupo Dok demitiu em janeiro 313 funcionários da fábrica, em operação desde 2004 e adquirida em 2020. A Dok comprou a unidade por R$ 25 milhões, em operação firmada com a Vulcabras Azaleia, que até então detinha a marca Dijean. A Dok também fechou uma fábrica em Salgado, em Sergipe, e demitiu quase 200 funcionários do local.
Em nota ao jornal Valor Econômico, a Dasa Advogados, que representa a Dok, afirmou que não há previsão de fechamento de outras unidades e que a fábrica de Frei Paulo segue como principal unidade do grupo, empregando cerca de 2,5 mil pessoas. As demissões realizadas no mês passado, de acordo com a defesa da fabricante de calçados, “fazem parte da reestruturação empresarial já iniciada”.
O Ministério Público de São Paulo investiga a Dok desde janeiro, após fundos de investimento acusarem a empresa de emitir duplicatas frias e operar antecipação de recebíveis com notas fiscais dessas operações inexistentes. De acordo com a denúncia dos fundos, as emissões falsas foram identificadas em dezembro por varejistas como Riachuelo, C&A e Renner.
Fraude com notas falsas
A Dok está sendo acusada de emissão de notas falsas em nome de varejistas de moda e antecipação de recebíveis fraudulentos, referentes a essas notas. A emissão foi detectada por varejistas que tiveram seus carimbos falsificados, como Riachuelo, Renner e C&A. Os fundos lesados pela antecipação de recebíveis, que estimam movimentação indevida de pelo menos R$ 370 milhões pela Dok, também questionam a veracidade dos lucros reportados em balanços recentes da fabricante de calçados.
A Riachuelo aponta que foram emitidas pelo menos 1,4 mil notas falsas, movimentando R$ 20 milhões. Os fundos receberam notificações semelhantes da Renner, que entrou com ação judicial, solicitando a sustação de protestos de títulos falsos no valor de R$ 10,3 milhões. Já a C&A afirma, referindo-se a uma das operações da Dok, que “não reconhece a entrega de mercadorias com os números das notas fiscais”.
Para os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios, representados pelo FZ Advogados, é necessário ainda investigar os últimos balanços trimestrais da Dok, que apontam dados com faturamento de R$ 270 milhões no primeiro semestre do ano passado e lucro anual acima de R$ 11 milhões.
“Sabe-se agora que se tratava de um cenário irreal e provavelmente inflacionado, preparado com o objetivo de seduzir as empresas do setor a abrirem cadastro, e adquirirem créditos em volumes milionários, até porque os devedores em questão, seriam gigantes do setor, a quem se reputa não residir suspeita de qualquer ordem”, afirmaram os advogados.






































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