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Brasil

Cientistas encontram em SP opioide até 2 mil vezes mais potente que heroína

Achado inédito no Brasil, de pesquisadores da USP, Unicamp e Polícia Científica, revela nitazeno em ervas e comprimidos

Cientistas descobrem pela primeira vez no Brasil um opioide 2 mil vezes mais potente que a heroína
Nos Estados Unidos, maioria das mortes por overdose é decorrente de opioides | Foto: Reprodução/PxHere

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Polícia Científica de São Paulo identificaram, pela primeira vez, a presença de nitazeno em ervas e comprimidos apreendidos no Estado, entre julho de 2022 e abril de 2023. A substância em questão é um opioide sintético até 2 mil vezes mais potente que a heroína.

Inicialmente, a criação do nitazeno foi uma alternativa à morfina, que tem efeito analgésico, mas seu uso nunca recebeu aprovação, devido ao alto risco de overdose. Como exemplo, a planta papoula dá origem a opioide natural, mas especialistas descobriram como criar substâncias derivadas em laboratório.

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Um estudo publicado em junho na revista Forensic Science International: Reports, intitulado “Opioides sintéticos ilícitos no Brasil: A chegada dos nitazenos”, descreve a primeira apreensão consistente de nitazeno no Brasil.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cientistas desenvolvem os nitazenos há cerca de 60 anos. Porém, devido ao seu alto potencial de overdose, médicos nunca o usaram. A partir disso, eles entraram diretamente no mercado ilegal.

Alerta sobre o aumento das mortes por overdose

Medicamentos
O fentanil é cerca de 50 vezes mais potente que a heroína e cem vezes mais que a morfina | Foto: Reprodução/HeungSoon/Pixabay

A preocupação com os opioides aumentou. Em 2023, cerca de 81 mil das 107,5 mil mortes por overdose nos EUA foram causadas por esses compostos, principalmente o fentanil.

De acordo com a Administração de Repressão às Drogas dos EUA (DEA), o fentanil é cerca de 50 vezes mais potente que a heroína e cem vezes mais que a morfina. O nitazeno eleva ainda mais esse potencial, sendo de dez a 40 vezes mais forte que o fentanil, conforme explicação de Christopher P. Holstege, professor de medicina de emergência da Universidade de Virgínia.

Os pesquisadores brasileiros afirmam que “os nitazenos foram encontrados isolados em 28,6% e misturados em 71,4% das amostras, enquanto o grupo opioide não nitazeno (como fentanil, heroína e morfina) foi encontrado em 27,1% e misturado em 72,9% das amostras”.

Leia também: “A descriminalização da irresponsabilidade”, artigo de Roberto Motta publicado na Edição 224 da Revista Oeste

Eles ainda destacam que 99% dos casos de nitazeno foram em ervas, fato inesperado. “Não há estudos farmacológicos ou toxicológicos abrangentes disponíveis com relação a essa forma de ingestão de opioides”, disseram.

“Até onde sabemos, este é o primeiro relato desses opioides sintéticos na forma de fragmentos de ervas.”

Opioide no Brasil: cenário e preocupações

Embora o abuso de opioides no Brasil ainda seja baixo, quando comparado a países como os EUA e Canadá, os pesquisadores alertam para uma mudança no cenário. “É evidente que o cenário de opioides no país mudou em relação aos anos anteriores”, afirmam os cientistas.

A legislação brasileira rigorosa, que dificulta o acesso a medicamentos à base de opioides, tem contribuído para o baixo índice de abuso.

Leia mais: “Brasil, o país da dengue”, reportagem de Rachel Díaz publicada na Edição 220 da Revista Oeste

“De fato, os opioides representam menos de 2% dos medicamentos prescritos para tratar a dor e exemplos deles são a codeína e o tramadol, que são mais leves”, explicam os pesquisadores.

No entanto, eles alertam que as autoridades policiais e os profissionais de saúde devem permanecer vigilantes. “A ameaça representada pelos novos compostos começa a se expandir no Brasil”, disseram.

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