publicidade
Agronegócio

Exportações de café batem recorde, mas preços altos preocupam setor

Empresários relatam atrasos em portos, e sindicato cobra mais estrutura para fiscalização

Grãos de café, ao lado da bebida pronta
Grãos de café, ao lado da bebida pronta | Foto: Diego Leite/Pixabay

Apesar de o Brasil ter registrado um recorde nas exportações de café em 2024, com 50,4 milhões de sacas embarcadas para 116 países, o setor enfrenta obstáculos logísticos, e os consumidores lidam com a alta dos preços. A lentidão na emissão de certificados fitossanitários tem provocado atrasos nos portos, enquanto o clima e o custo da produção pressionam o mercado interno.

De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o volume exportado representa um aumento de 28,5% em relação a 2023. A atuação dos auditores fiscais federais agropecuários, responsáveis pela certificação sanitária do produto, é fundamental para a manutenção desses números e da credibilidade internacional do café brasileiro.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Agronegócio em Oeste

“Em portos, aeroportos, fronteiras e áreas de produção, no beneficiamento até o comércio, os auditores fiscais federais agropecuários atuam de forma preventiva, protegendo toda a cadeia produtiva e garantindo que o Brasil siga sendo referência mundial em segurança agropecuária”, destacou o presidente do Sindicato Nacional da categoria (Anffa Sindical), Janus Pablo Macedo.

Segundo o sindicato, a Turquia e outros países exigem esse documento para autorizar a entrada da mercadoria. Na última sexta-feira, 11, representantes do sindicato se reuniram com integrantes do Ministério da Agricultura e Pecuária em Santos (SP) para discutir os gargalos que afetam o maior complexo portuário do país.

Leia mais:

Exportadores relataram atrasos nas operações e mudanças nas escalas de navios por causa da demora na liberação dos certificados. A entidade defende investimentos em infraestrutura e recomposição do quadro de servidores para evitar prejuízos às exportações.

No mercado interno, o consumidor tem sentido os efeitos da alta dos preços. A combinação entre escassez de chuvas, aumento dos custos com energia e combustíveis e incertezas climáticas dificulta uma eventual redução dos valores. Para o Anffa Sindical, a manutenção dos preços elevados no curto prazo parece inevitável diante dos desafios produtivos e logísticos.

Série de fatores levou o preço do café às alturas

O café está caro, e isso não é por acaso. Um dos principais fatores é o sucesso das exportações brasileiras em 2024, que bateram recorde com mais de 50 milhões de sacas vendidas a 116 países. Com tanta demanda externa, a oferta para o mercado interno ficou mais restrita, o que elevou os preços ao consumidor.

Outro elemento importante é o câmbio. Como cerca de 80% dos insumos usados na produção de café são importados e pagos em dólar, a valorização da moeda norte-americana encarece a produção. Isso pressiona o custo final, tanto para produtores quanto para consumidores.

A logística também tem peso nessa conta. Falhas na infraestrutura portuária impediram o embarque de cerca de 1,6 milhão de sacas, o que representa perdas de milhões de reais. Esses custos extras acabam repassados ao longo da cadeia produtiva.

No cenário internacional, problemas climáticos reduziram a produção em países como Vietnã e Indonésia. Com menos café no mercado global, os preços subiram — o arábica teve alta de 70% e o conilon, de 83% em um ano. O Vietnã, inclusive, teve de importar café do Brasil.

Internamente, o clima também foi desafiador. Regiões brasileiras enfrentaram estiagens no ciclo de formação dos grãos, o que pode afetar a próxima safra. Se a oferta cair, a tendência é que os preços continuem altos.

Por fim, tarifas de exportação e exigências sanitárias em mercados estrangeiros dificultam a venda de café industrializado, o que poderia gerar mais valor agregado. Enquanto isso, o Brasil exporta em larga escala, e o consumidor paga mais caro pela xícara de todo dia.

Leia também: “O Brasil se tornou uma armadilha para os investidores”, artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 251 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.