A OpenAI, dona do ChatGPT, não deve ter lucro antes de 2030 e enfrenta um déficit de US$ 207 bilhões para manter seus projetos, segundo relatório do banco HSBC. As informações foram divulgadas depois de meses de instabilidade no mercado de inteligência artificial, apesar dos resultados positivos da Nvídia em novembro, e reacendem questionamentos sobre uma possível bolha no segmento.
O estudo, liderado pelo analista Nicholas Cote-Colisson, atualiza previsões e destaca que a OpenAI fechou acordos plurianuais com Microsoft e Amazon, que somam US$ 288 bilhões em compromissos, porém sem aporte de novos recursos. O objetivo é alcançar 36 gigawatts de potência computacional até 2030, volume energético suficiente para abastecer um Estado de porte intermediário dos Estados Unidos.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Tecnologia em Oeste
Mesmo diante de receitas projetadas acima de US$ 213 bilhões em 2030, o HSBC calcula que as despesas com infraestrutura chegarão a US$ 792 bilhões de 2025 a 2030, elevando os compromissos totais em computação para US$ 1,4 trilhão até 2033. Só o aluguel de data centers deve consumir US$ 620 bilhões desse montante, o que deixa a empresa dependente de captação adicional.

Para diminuir o déficit, o banco sugere alternativas como elevar a fatia de assinantes pagos, ampliar a participação em publicidade digital ou buscar ganhos extraordinários de eficiência. Mesmo em cenários otimistas, a OpenAI precisaria buscar mais recursos depois de 2030, segundo o HSBC. As receitas, embora em expansão, não acompanham o ritmo dos custos previstos.
A sobrevivência da OpenAI depende fortemente de seus investidores e parceiros de nuvem, como Microsoft e Amazon, que também são financiadores relevantes. Empresas como Oracle, Nvídia e Advanced Micro Devices acompanham de perto, pois o sucesso ou o fracasso da OpenAI impacta diretamente suas operações.
O setor enfrenta riscos elevados, incluindo modelos de receita incertos, possível saturação do mercado de assinaturas e necessidade de capital constante.

O HSBC observa que aumentar a dívida seria uma das opções mais difíceis no cenário atual, já que Oracle e Meta recorreram recentemente a financiamentos de alto valor para sustentar projetos de IA. O banco ressalta que a maioria das grandes empresas do setor tem usado fluxo de caixa livre e destaca o aumento nos swaps de inadimplência de crédito da Oracle, fato ressaltado por Lisa Shalett, do Morgan Stanley, em entrevista à Fortune.
Grandes bancos analisam riscos operacionais da OpenAI
O relatório cita a frase do ganhador do Nobel Robert Solow: “Você pode ver a era dos computadores em todos os lugares, exceto nas estatísticas de produtividade”, e menciona que os ganhos de produtividade nas economias avançadas seguem baixos.
O HSBC relembra também a fala do governador do Federal Reserve, John Williams, em 2017, de que “a produtividade proporcionada por tecnologias modernas como a internet até agora só influenciou nosso consumo de lazer – e ainda não chegou aos escritórios ou fábricas”, conforme publicado pela revista Fortune.

Savita Subramanian, chefe de Estratégia Quantitativa e Ações dos EUA do Bank of America Research, afirmou em agosto que enxerga “uma mudança radical” na produtividade nesta década, mas não necessariamente por causa da IA. Ela explicou que fatores como inflação salarial estimularam empresas a substituirem pessoas por processos automatizados, mas alertou para os riscos da crescente dependência de ativos pesados, especialmente data centers.
Em análise recente, Jason Furman, economista da Universidade Harvard, calculou que, sem a contribuição dos data centers, o PIB teria crescido apenas 0,1% no primeiro semestre de 2025. Diante desse cenário, a OpenAI desafia os mercados a refletirem até quando o crescimento poderá se basear na expectativa de retornos futuros da IA, sem garantias de que esses ganhos realmente acontecerão.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.