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Tecnologia

Nvídia é 1ª empresa da história a valer US$ 4 trilhões

Ações da fabricante de chips bateram a cotação de US$ 163,93 nesta quarta-feira, 9

Nvidia registra 109% de alta do lucro anual no terceiro trimestre
Fundada em 1993, a Nvidia projeta unidades de processamentos gráficos (GPUs) e chips | Foto: Reprodução/Nvidia

A Nvídia se tornou, nesta quarta-feira, 9, a primeira empresa da história a ultrapassar o valor de mercado de US$ 4 trilhões, impulsionada pela crescente demanda por chips de inteligência artificial (IA). As ações da companhia chegaram a US$ 163,93, mas logo recuaram. A cotação era de US$ 162,87 às 15h40.

A ascensão da empresa liderada por Jensen Huang foi acelerada pela explosão da IA generativa, sobretudo depois do lançamento do ChatGPT, da OpenAI, o que transformou a tecnologia em prioridade para as gigantes do setor. 

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No último trimestre, a Nvídia registrou um salto de 69% na receita em relação ao período anterior. Ao fim do ano fiscal de 2024, o crescimento foi de 112%.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, durante conferência em 2016, em Taiwan - 31/5/2016 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, durante conferência em 2016, em Taiwan – 31/5/2016 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Apesar do desempenho positivo, a empresa enfrentou incertezas em abril, quando o então presidente Donald Trump anunciou um pacote de tarifas sobre produtos importados. A medida causou preocupação entre investidores, uma vez que boa parte dos chips da Nvídia é produzida em Taiwan. 

A pressão fez com que o governo norte-americano recuasse e isentasse itens como semicondutores, smartphones e computadores — o que aliviou o setor e impulsionou o valor da companhia.

“Há uma empresa no mundo que é a base da revolução da IA, que é a Nvídia, com o padrinho da IA, Jensen, tendo a melhor posição e perspectiva para discutir a demanda geral de IA das empresas e o apetite pelos chips de IA da Nvídia no futuro”, afirmou Dan Ives, analista da Wedbush Securities.

Nos últimos dois anos, a valorização da empresa foi meteórica. Avaliada em US$ 735 bilhões em 2021, saltou para US$ 3,4 trilhões no fim de 2024 e agora se aproxima de US$ 4 trilhões, à frente de rivais como Apple e Microsoft. Atualmente, a concorrente mais próxima é a própria Microsoft, avaliada em US$ 3,7 trilhões.

A Nvídia já lidera o grupo conhecido como “Magnificent Seven” — formado por Apple, Google, Amazon, Meta, Microsoft, Nvídia e Tesla — dentro do índice S&P 500, que reúne as 500 maiores companhias dos EUA.

Microsoft, Google e Amazon tentam avançar na corrida da IA

Esse sucesso não viria sem uma base sólida de clientes. Em 2024, a Microsoft comprou cerca de 485 mil chips da Nvídia, segundo o jornal britânico Financial Times. A Meta, segunda maior cliente, adquiriu aproximadamente 224 mil unidades. 

Diretor-executivo da Microsoft, Satya Nadella, diz que a empresa busca por variedade de modelos de IA | Foto:Reprodução/Microsoft
Diretor-executivo da Microsoft, Satya Nadella diz que a empresa busca por variedade de modelos de IA | Foto:Reprodução/Microsoft

No Brasil, a Universidade Federal de Goiás recebeu 64 unidades das poderosas GPUs B200 por R$ 40 milhões, depois de meses de espera.

Para reduzir a dependência da Nvídia, algumas gigantes vêm desenvolvendo seus próprios chips de IA. O Google aposta na linha Tensor, a Amazon no Trainium e a Microsoft no chip Maia, voltado para rodar modelos de linguagem em sua nuvem Azure. Ainda assim, nenhuma delas conseguiu atender à crescente demanda de forma independente.

“Acreditamos que tanto a Nvídia quanto a Microsoft atingirão o clube das empresas com valor de mercado de US$ 4 trilhões até setembro e, nos próximos 18 meses, o foco será o clube das empresas com capitalização de mercado de US$ 5 trilhões… já que este mercado em alta de tecnologia ainda está em seus estágios iniciais, liderado pela revolução da IA”, disse Dan Ives.

Em 2024, a Nvídia investiu US$ 1 bilhão em 50 rodadas de financiamento de startups e empresas do setor, valor superior ao de 2023, quando aplicou US$ 872 milhões em 39 operações, conforme dados da Dealroom.

Para Ives, a influência da empresa vai além da fabricação de chips: “Embora os primeiros passos nas implantações de IA estejam em torno dos chips da Nvídia e dos gigantes da nuvem, estimamos que, para cada US$ 1 gasto na Nvídia, há um multiplicador de US$ 8 a US$ 10 no restante do ecossistema tecnológico.”

Nvídia domina 70% do mercado global de chips

Fundada em 1993, a Nvídia começou desenvolvendo GPUs para jogos. Em 1999, passou a fabricar chips voltados para processar gráficos pesados, que se tornaram fundamentais também em supercomputadores, mineração de criptomoedas e, agora, inteligência artificial.

Amazon já investiu cerca de R$ 45 bilhões em inteligência artificial | Foto: Unsplash
Amazon já investiu cerca de R$ 45 bilhões em inteligência artificial | Foto: Unsplash

As GPUs evoluíram para executar tarefas complexas de IA com muito mais eficiência energética que CPUs tradicionais. Estima-se que apenas duas GPUs possam realizar o mesmo trabalho que 10 mil CPUs em determinadas tarefas de IA.

Atualmente, a Nvídia domina cerca de 70% do mercado global de chips gráficos, à frente de concorrentes como AMD, Intel, Qualcomm, Amazon e Google, segundo dados da consultoria Omdia. A demanda é tão intensa que startups e empresas que desejam entrar na corrida da IA enfrentam filas de até 18 meses para receber os chips da empresa — um cenário inusitado em um setor onde a inovação não costuma esperar.

“Se fosse uma empresa de semicondutores comum, o valor das ações da Nvídia seria US$ 58 e não US$ 158”, afirmou o apresentador e analista Jim Cramer, nesta terça-feira, 8.

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