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Impacto na Lua formou vales de até 300 km de extensão em 10 minutos

Pesquisa revela que formações surgiram há 3,8 bilhões de anos

A Lua é a 'menina dos olhos' da exploração espacial
A Lua é a 'menina dos olhos' da exploração espacial | Foto: Reprodução/Pixabay

Um estudo publicado na revista Nature Communications na terça-feira 4 revelou que dois imensos vales na Lua, comparáveis em tamanho ao Grand Canyon, foram esculpidos em menos de dez minutos por fluxos de rocha ejetados de um impacto catastrófico ocorrido há cerca de 3,8 bilhões de anos.

O trabalho, conduzido pelos cientistas norte-americanos David Kring, Danielle Kallenborn e Gareth Collins, detalha como o impacto que formou a Bacia de Schrödinger resultou na criação de Vallis Schrödinger e Vallis Planck, duas formações geológicas na crosta lunar.

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A pesquisa se baseia em mapeamento fotogeológico e modelagem da trajetória dos detritos ejetados do impacto. Os cientistas descobriram que a velocidade com que essas rochas atingiram a superfície da Lua foi de cerca de 1 km/s, o suficiente para escavar cânions de até 280 quilômetros de comprimento e 3,5 quilômetros de profundidade.

Segundo o estudo, “o impacto gerou fluxos de detritos que esculpiram os vales em menos de dez minutos”, um processo extremamente rápido, quando comparado à formação do Grand Canyon, localizado nos Estados Unidos, que levou milhões de anos.

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A Bacia de Schrödinger, local onde o impacto ocorreu, é uma das mais recentes e bem preservadas crateras gigantes na Lua. Com 320 quilômetros de diâmetro e 4,5 quilômetros de profundidade, a bacia se encontra na borda da Bacia do Polo Sul-Aitken, a maior e mais antiga estrutura de impacto lunar.

O estudo destaca que o impacto formador da Bacia de Schrödinger também gerou um anel de montanhas de 150 quilômetros de diâmetro, causado pelo colapso da crosta lunar. Os pesquisadores identificaram um padrão assimétrico na distribuição dos materiais ejetados, o que permitiu inferir a trajetória do objeto impactante.

Energia do impacto contra a Lua foi descomunal

A energia liberada pelo evento foi colossal. Os cientistas estimam que a formação do Vallis Schrödinger exigiu uma energia mínima “de 1,2 mil a 2,2 mil vezes maior do que a energia planejada para explosões nucleares destinadas a escavar um segundo Canal do Panamá na Terra”.

Os resultados do estudo também têm implicações para a exploração lunar. A região da Bacia de Schrödinger é considerada um dos principais alvos das futuras missões Artemis, da Nasa, e os cientistas destacam que a distribuição assimétrica dos detritos pode facilitar o acesso a rochas mais antigas da crosta lunar.

“A assimetria na distribuição dos detritos sugere que menos material de Schrödinger cobre as áreas de pouso candidatas, tornando mais provável a coleta de amostras do manto primordial da Lua”, destaca o artigo.

Bandeira dos Estados Unidos com o Apollo 11 de fundo
Nasa planeja uma nova missão Artemis na Lua | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Os pesquisadores também compararam a formação dos vales lunares com os processos erosivos terrestres. Enquanto o Grand Canyon foi esculpido ao longo de milhões de anos pela ação da água, os cânions lunares foram criados em questão de minutos pelo impacto devastador de detritos.

“Esse estudo nos dá uma visão impressionante da rapidez e da violência dos processos geológicos na Lua, contrastando com a escala de tempo muito mais lenta dos processos terrestres”, conclui o artigo.

Leia também: “E tem início a colonização do espaço”, artigo de Dagomir Marquezi publicado na Edição 66 da Revista Oeste

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