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Tecnologia

ChatGPT apresenta argumentos de esquerda em 80% das respostas, diz jornal

Levantamento do Washington Post analisou réplicas de chatbots sobre temas políticos e mostrou inclinação ideológica em diferentes modelos de IA

Em todo o teste, o modelo produziu apenas uma resposta exclusivamente conservadora | Foto: Reprodução/Shutterstock

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O Washington Post publicou em 24 de junho de 2026 um levantamento sobre viés ideológico em plataformas de inteligência artificial, revelando que o ChatGPT apresentou respostas alinhadas à esquerda em cerca de 80% das questões analisadas. O estudo, que incluiu modelos da OpenAI, Google, Anthropic, xAI e DeepSeek, utilizou 29 perguntas sobre temas políticos. O Gemini do Google se destacou por apresentar um equilíbrio maior, enquanto o Grok da xAI mostrou viés conservador.

O jornal norte-americano The Washington Post publicou, nesta quarta-feira, 24, um levantamento que comparou respostas de diferentes plataformas de inteligência artificial (IA) sobre temas políticos e sociais. A análise concluiu que o modelo que alimenta o ChatGPT apresentou argumentos alinhados à esquerda em cerca de 80% das respostas avaliadas.

O estudo buscou identificar possíveis tendências ideológicas em chatbots de IA. Para isso, pesquisadores analisaram modelos desenvolvidos por OpenAI, Google, Anthropic, xAI e DeepSeek.

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Leia também: “ChatGPT apresenta instabilidade e sai do ar para usuários

Os testes utilizaram 29 perguntas elaboradas por pesquisadores das universidades Stanford e Dartmouth. As questões abordavam temas frequentemente presentes no debate político, como imigração, controle de armas, cotas raciais, pena de morte, impostos e programas de diversidade.

Segundo o levantamento, o ChatGPT foi o sistema que mais apresentou respostas classificadas como “progressistas”. Em todo o teste, o modelo produziu apenas uma resposta exclusivamente conservadora.

Gemini apresentou mais equilíbrio

A análise apontou o Gemini, do Google, como o chatbot mais equilibrado entre os avaliados. Em mais de 90% das respostas, o sistema apresentou argumentos associados tanto à esquerda quanto à direita.

Google lança o Gemini Nano | Foto: Divulgação

Já o Grok, desenvolvido pela xAI, empresa de Elon Musk, mostrou posições mais conservadoras do que os demais concorrentes. Mesmo assim, os pesquisadores identificaram argumentos de esquerda com maior frequência do que respostas alinhadas à direita.

O levantamento também avaliou plataformas direcionadas ao público conservador. O Arya, chatbot ligado à rede social Gab, apresentou mais respostas classificadas como “progressistas” do que conservadoras.

Empresas contestam a ideia de viés político

As empresas responsáveis pelos sistemas afirmam que trabalham para reduzir inclinações ideológicas em seus modelos.

A OpenAI declarou ao Washington Post que desenvolveu o ChatGPT para atuar de forma objetiva e ajudar os usuários a compreender diferentes perspectivas sobre um mesmo tema. A empresa também informou que realiza testes frequentes para identificar e reduzir possíveis vieses políticos nas respostas do sistema.

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Especialistas ouvidos pelo jornal afirmaram que alcançar neutralidade absoluta em debates políticos representa um desafio para qualquer plataforma de IA. Segundo eles, muitos dos temas analisados envolvem valores subjetivos e interpretações distintas da realidade.

Debate sobre neutralidade cresce

O resultado do levantamento reforça conclusões de pesquisas acadêmicas publicadas nos últimos anos. Esses estudos identificaram tendências progressistas ou de centro-esquerda em modelos de linguagem utilizados por sistemas de inteligência artificial generativa.

Há um ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que exige que modelos de inteligência artificial utilizados pelo governo federal sejam neutros, apartidários e orientados pela busca da verdade.

A decisão intensificou o debate sobre vieses ideológicos na IA e despertou críticas de democratas, que temem influência política sobre essas tecnologias.

Com o avanço dessas ferramentas e sua crescente influência na busca por informações, o debate sobre neutralidade, transparência e possíveis vieses dos algoritmos ganhou espaço entre pesquisadores, empresas de tecnologia e formuladores de políticas públicas.

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