Um estudo, publicado no início de 2025 na revista Proteins, mostra que peptídeos derivados do marimbondo-estrela (Polybia occidentalis) interferem na formação das placas beta-amiloides no cérebro. Essas placas estão associadas à inflamação, à falha na comunicação entre neurônios e à morte celular — processos centrais do Alzheimer.
A estratégia integra o campo das terapias antiamiloides, uma das frentes mais recentes no tratamento do Alzheimer. No Brasil, essa abordagem foi aprovada pela Anvisa apenas em abril de 2025, com uso restrito ao donanemabe (Kisunla).
Receba nossas atualizações
A pesquisa com peptídeos do veneno de marimbondos começou há cerca de 25 anos, sob liderança da neurocientista Márcia Mortari, da Universidade de Brasília. A observação inicial foi que a picada desses insetos paralisava pequenas presas, indicando ação direta sobre o sistema nervoso.
Venenos como base terapêutica para o Alzheimer

A partir do isolamento da occidentalina-1202, com potencial anticonvulsivante, os pesquisadores desenvolveram derivados, como a octovespina e a fraternina-10, voltados a doenças neurodegenerativas. Em testes com camundongos, a octovespina reduziu a agregação das placas beta-amiloides e sintomas como o esquecimento.
+ Leia mais notícias de Saúde em Oeste
Simulações computacionais indicaram que os peptídeos alteram a estrutura das placas beta-amiloides, sugerindo potencial de desagregação. A fraternina-10, porém, apresentou menor eficácia em modelos animais.
Segundo os pesquisadores, as diferenças refletem limitações entre simulações, testes laboratoriais e organismos vivos. Antes de qualquer aplicação clínica, ainda serão necessários estudos pré-clínicos mais amplos e a definição de dose, segurança, toxicidade e formas viáveis de administração.
Envelhecimento e impacto
O avanço da pesquisa ocorre em meio ao envelhecimento acelerado da população brasileira. Em 2019, o país tinha cerca de 1,8 milhão de pessoas com doenças neurodegenerativas; a estimativa é chegar a 5,7 milhões em 2050.
Mesmo sem representar cura, especialistas afirmam que terapias antiamiloides podem retardar a progressão da doença e preservar a autonomia dos pacientes, reduzindo o impacto sobre famílias e sistemas de saúde.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.