Pesquisadores brasileiros anunciaram o desenvolvimento de um medicamento inédito que pode revolucionar o tratamento de lesões na medula espinhal. O novo composto, chamado polilaminina, foi apresentado nesta terça-feira, 9, pelo laboratório Cristália em São Paulo, trazendo esperança para pacientes paraplégicos e tetraplégicos.
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O segredo do tratamento está na proteína laminina, extraída da placenta humana, cuja ação no sistema nervoso foi estudada por mais de 25 anos por Tatiana Coelho de Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e sua equipe. A pesquisa resultou em um medicamento capaz de estimular a regeneração de neurônios e a formação de novos axônios.
Resultados clínicos e relatos de pacientes
Nos testes experimentais, a polilaminina foi aplicada diretamente na coluna de pacientes que perderam movimentos depois de acidente. Entre os oito voluntários nos estudos clínicos aprovados, alguns apresentaram recuperação total, sem sequelas, e retornaram à rotina habitual.
Entre os casos de sucesso, está o da atleta paralímpica de rúgbi Hawanna Cruz Ribeiro, de 27 anos, que, depois de três anos tetraplégica por causa de uma queda, recuperou grande parte do controle do tronco e parte da sensibilidade. “Recuperei entre 60% e 70% do controle do meu tronco”, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo. “Sinto que a sensibilidade na minha bexiga voltou, mas ainda não sou independente nessa questão. Não tenho nenhuma dúvida da minha melhora.”
Outro paciente, Bruno Drummont de Freitas, de 31 anos, ficou tetraplégico depois de um acidente de trânsito, mas recebeu a polilaminina 24 horas depois do trauma. “Em cinco meses, mais ou menos, eu já estava completamente recuperado”, declarou. “Tenho uma rotina normal, faço esportes e não passo mais por nenhum tipo de tratamento. Tenho consciência do quanto é importante para milhares de pessoas o que estou relatando, mas não tenho dúvidas. Eu me recuperei totalmente e poderia estar tetraplégico.”
O medicamento também demonstrou eficácia em testes com cães e ratos, levando à recuperação da marcha em animais com lesões severas. A produção da polilaminina ocorre no laboratório de biotecnologia do Cristália, com uso de placentas de mulheres saudáveis acompanhadas durante toda a gestação.
Ogari Pacheco, médico e fundador do Cristália, expressou entusiasmo com o avanço. “Hoje é o dia mais feliz da minha vida”, destacou durante evento de apresentação. “Estou muito emocionado. Estamos vivendo um dia histórico para o mundo aqui.”
Impacto e expectativas para o tratamento
Acidentes, quedas, mergulhos e ferimentos à bala podem causar lesões na medula espinhal, levando à interrupção da comunicação entre o cérebro e os membros. Até o momento, não existia método eficaz para regenerar esse tecido nervoso, o que torna o novo medicamento uma possível revolução, caso seja comprovado em todas as etapas regulatórias.
Hospitais paulistas, como o Hospital das Clínicas e a Santa Casa, já se preparam para as futuras aplicações clínicas, que dependerão da aprovação da Anvisa. Inicialmente, o tratamento será destinado a pessoas que sofreram lesão medular recente, em até três meses depois do trauma.
Os pesquisadores destacam que a polilaminina não apresentou efeitos colaterais até o momento e que o medicamento também pode agir em lesões antigas, desde que haja comprometimento do paciente com o pós-operatório.
“Embora os resultados de laboratórios sejam promissores, ainda não é possível fazer qualquer afirmação quanto a segurança e eficácia da substância. Este é um processo normal quando se trata da avaliação de novos medicamento, visto que a ciência é dinâmica e incerta”, disse Pacheco. “O processo aberto na Anvisa é para avaliação da proposta de ensaio clínico utilizando-se o produto biológico polilaminina para o tratamento de lesões de medula espinhal em humanos.”
Desafios, limitações e próximos passos
Embora especialistas consultados vejam o avanço como promissor, recomendam cautela, especialmente porque a maior efetividade foi observada em lesões recentes. O processo de patente já está em andamento, mas a comercialização pode levar anos. Estudos replicados em outros laboratórios confirmaram a eficácia do método.
Os responsáveis pelo estudo adiaram a publicação científica, visando a proteger o ineditismo do medicamento e preservar o impacto do avanço. A expectativa é alta para os próximos passos depois da aprovação regulatória.
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Deus ilumine os cientistas.
Deus nosso Senhor seja louvado!