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Saúde

Hormônio do amor: como a ocitocina contribui para a confiança dos bebês

Professor Daniel Yankelevich, da Unifesp, ressalta para Oeste as inovações de estudo do Instituto Weizmann sobre o tema

Estudo Weizmann ocitocina professor Unifesp
Ocitocina é um hormônio que influencia os primeiros vínculos | Foto: Reprodução/Pixabay

O vínculo afetivo nos primeiros meses de vida é essencial para o bebê desenvolver uma confiança em si mesmo que o possibilite lidar bem com a ausência da mãe. O estudo foi feito em camundongos, pelo Instituto Weizmann, de Israel, mas as projeções indicam que, mais para a frente, e em pouco tempo, os resultados também serão constatados em humanos.

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O chamado “hormônio do amor” influencia os primeiros vínculos entre filhotes de camundongos e suas mães. Liderada pelo professor Ofer Yizhar, a equipe desenvolveu uma técnica inédita, não invasiva, que permite desligar neurônios específicos no cérebro de animais jovens sem alterar seu comportamento natural.

Este novo método possibilita a observação do funcionamento do cérebro sem interferir na rotina dos filhotes, o que o torna uma ferramenta poderosa para estudar o desenvolvimento do sistema nervoso”.

Ofer ressalta qual é o núcleo do estudo: “É especialmente útil para investigar a ocitocina, já que os efeitos desse hormônio dependem do contexto social – e nossa técnica possibilita desativar o sistema de forma controlada, exatamente no momento que queremos analisar”.

Para o neurologista Daniel Yankelevich, preceptor no ambulatório de Neurocomportamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e, entre outros, coordenador de equipe da neurologia do Dr. Consulta, o fato de o método não ser invasivo é uma inovação.

“Os filhotes que tiveram a ocitocina bloqueada através de medicação ou de métodos genéticos, não buscavam a mãe depois da separação apesar de manterem os mesmos comportamentos motores e a busca por alimentos”, observa Yankelevich a Oeste. O médico também integra a equipe de Neurologia do Hospital do Coração.

“Talvez o ponto mais inovador desse estudo é o fato de os especialistas terem conseguido manipular neurônios que produzem ocitocina usando luz vermelha, inativando ou ativando eles, sem precisar de métodos em que é necessário fazer cirurgia no cérebro do filhote, um cérebro muito pequeno, muito difícil de ser manipulado.”

A ocitocina é um hormônio central para esse tipo de estudo e para a autoestima das pessoas desde os primeiros anos. Trata-se de um neurotransmissor (mensageiro químico) que atua como regulador central dos vínculos afetivos, ao promover conexões emocionais, facilitar parto e amamentação, e modular a confiança e interação social.

Hormônio do amor e a insegurança

A equipe concentrou-se no momento em que o filhote era separado da mãe e depois reunido com ela. Situação deste tipo é vivida por qualquer criança pequena. Constatou-se que a atividade da ocitocina aumentava no cérebro dos camundongos, voltando ao nível normal quando a mãe retornava.

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Os que mantinham o sistema ativo se adaptavam gradualmente ao isolamento. Eles emitiam menos vocalizações ultrassônicas, equivalentes ao choro humano. Os filhotes com o sistema desligado, porém, não conseguiam se ajustar e prosseguiam emitindo sinais de angústia até o reencontro.

Yankelevich explica que estudos deste tipo podem ter seu lugar para se entender a origem de transtornos ligados à ausência de prosociabilidade (capacidade de ajudar pessoas) e vínculo como o Transtorno do Espectro Autista.

“O objetivo do trabalho envolve o entendimento de que o comportamento pró social dos seres humanos pode ter origem em seus estágios precoces direcionado pela ativação de células produtoras de ocitocina.”

Além de Ofer, participaram do estudo o médico-cientista Daniel Zelmanoff, Rebecca Bornstein, Menachem Kaufman, Julien Dine, Jonas Wietek, Anna Litvin, Ayelet Atzmon, Ido Porat, Shaked Abraham e Savanna Cohen, dos departamentos de Ciências do Cérebro e de Neurociência Molecular do Instituto Weizmann.

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