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Saúde

Brasil tem cerca de 4 mil acidentes que causam paralisia por ano

Estudo da Universidade de Tel-Aviv está prestes a encontrar uma solução que devolva os movimentos em casos antes considerados irreversíveis

Estudo Universidade Tel Aviv paralisia medula
Expectativa é que implante de medula possibilite a recuperação dos movimentos Foto: Nayeli Dalton/Unplash

A paralisia causada por acidentes de carro, quedas ou lesões esportivas representam mais de 90% dos novos casos em todo o mundo, conforme informação de equipe da Universidade de Tel-Aviv. No Brasil, cerca de 4 mil pessoas sofrem uma lesão na medula espinhal por ano, o que, em geral, as deixa paralisadas. Perto de 150 mil vivem com paralisia. Mas esse drama, que conta tantas histórias tristes, pode estar perto do fim.

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Uma equipe da universidade está prestes a implantar uma medula espinhal humana personalizada em pacientes, o que permitirá que pessoas paralisadas voltem a caminhar.

“Enviamos nossos achados ao Ministério da Saúde de Israel”, conclui o professor Tal Dvir, chefe do Sagol Center for Regenerative Biotechnology, diretor do Centro de Nanotecnologia da Universidade de Tel-Aviv e cientista-chefe da Matricelf.

“Nosso trabalho concentra-se na lesão traumática da medula espinhal e o tratamento visa a restaurar o movimento e a sensação, independentemente do local onde ocorreu a lesão”, diz Dvir.

A Oeste, Gil Hakim, CEO da Matricelf, fundada em 2019, declara: “A inovação deste estudo reside na forma como combinamos dois elementos personalizados do mesmo paciente: células neurais cultivadas a partir do próprio sangue do paciente e material biológico de suporte, obtido de uma pequena biópsia abdominal”, explica o especialista.

Ele ressalta que não se trata apenas de ajudar o corpo a se adaptar, mas, sim, de reconstruir o que foi perdido, algo que a ciência jamais alcançou.

“Juntos, estes elementos criam um tecido vivo de medula espinhal projetado para reconectar a área danificada”, observa Hakim. “Visto que todo o material provém do paciente, não há risco de rejeição.”

Há cerca de seis meses a equipe recebeu aprovação do ministério israelense para iniciar testes de uso compassivo em oito pacientes.

“Estamos altamente confiantes neste processo”, afirma Dvir. “Nosso objetivo é ajudar pacientes paralisados a se levantarem de suas cadeiras de rodas. Os testes em modelos animais mostraram sucesso extraordinário.”

Possível solução para a paralisia

O processo teve início há três anos. Na ocasião, o laboratório do professor Dvir criou uma medula espinhal humana tridimensional em laboratório. Os resultados foram publicados na revista Advanced Science. Ratos com paralisia crônica voltaram a andar depois do tratamento.

Células sanguíneas do paciente passam por reprogramação genética para o transplante. Transformam-se em algo semelhante a células-tronco embrionárias, capazes de se transformar em qualquer tipo celular.

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Tecidos adiposos fornecem componentes como colágeno e açúcares para criar um hidrogel. Nesta composição, células crescem com a simulação da formação de uma medula espinhal.

A medula lesionada pode ser reconstruída com essa tecnologia em que o tecido cicatricial é removido, a medula artificial implantada e, com o tempo, ocorre fusão com as regiões saudáveis acima e abaixo da lesão. Em modelos animais, os resultados foram notáveis, com ratos que recuperaram a capacidade de andar.

“A medula espinhal transmite sinais elétricos do cérebro aos músculos”, diz Dvir. “Quando é cortada, como em acidentes ou ferimentos de combate, essa comunicação é interrompida. Pense em um cabo elétrico cortado: o sinal não passa. Essa lesão não possui capacidade regenerativa natural. Neurônios não se dividem nem se renovam. Com o tempo, o dano vira tecido cicatricial, impedindo sinais. O paciente permanece paralisado abaixo da lesão; se for no pescoço, todos os membros podem ser afetados; se na lombar, apenas as pernas.”

Hakim garante que, se bem-sucedida, a técnica será revolucionária. A expectativa é que, depois do teste, surja o primeiro humano a se recuperar de uma paralisia antes incurável. Neste caso, ele será alguém nascido em Israel, conforme projeto da equipe.

“Este marco traduz pesquisa pioneira em tratamento real”, afirma Hakim. “Usar as células do próprio paciente elimina riscos de segurança e posiciona a Matricelf na vanguarda da medicina regenerativa”, ressalta ele, que acrescenta.

“Se funcionar, pode definir um novo padrão de cuidado em reparo da medula espinhal, atendendo a um mercado bilionário sem soluções eficazes. Este é mais que um avanço científico; é um passo para transformar uma área da medicina considerada incurável. Temos orgulho que Israel lidere esse esforço global.”

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