Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você
O artigo discute a importância de formular pedidos claros e precisos, conhecidos como "prompts", ao interagir com a inteligência artificial (IA). A falta de clareza nos pedidos pode resultar em respostas insatisfatórias. Especialistas, como Walter Longo, destacam que a adoção da IA está sendo liderada por profissionais mais velhos, que possuem conhecimento e experiência necessários para avaliar e corrigir respostas geradas pela IA.
“Me dá hora.”
Qual a chance de você entender esse pedido? Agora troque essas três palavras imprecisas por:
“Forneça a hora exata em horas, minutos e segundos no fuso horário de Brasília.”
Outro exemplo: “Quero pizza”. Que tal trocar por: “Desejo uma pizza margherita de tamanho grande, com um toque adicional de manjericão, quatro azeitonas grandes, borda recheada com queijo catupiry, dividida em oito fatias”.
Ficou mais claro e preciso, certo? Esse é o conceito-chave no uso da inteligência artificial: o prompt. Fazer a pergunta exata ou o pedido certo para conseguir melhores respostas. Muitos (talvez a maior parte) dos problemas no uso da IA são originários de um pedido mal feito. Não espere uma margherita salpicada de manjericão com quatro azeitonas se você pedir simplesmente “uma pizza”.

A era da inteligência artificial assusta quem não está preparado para ela. É o tal “medo de perder o emprego”. Quem se adaptar a essa nova era pode, pelo contrário, encontrar grandes possibilidades de progresso profissional. E não precisa necessariamente ser um técnico em informática ou um astro da matemática. A IA já está na vida de todos nós.
O publicitário e especialista em transformação digital Walter Longo recentemente deu uma declaração polêmica a esse respeito para o podcast É Legal, mas Pod?: “A IA é o primeiro avanço tecnológico que está sendo adotado antes pelos mais velhos do que os mais novos”, disse Longo. “Para fazer uso eficiente da IA, você precisa de extensão vocabular, bagagem e conteúdo. Se não souber a diferença entre enfrentar, afrontar e confrontar, você não vai saber o que vai sair da IA. A turma do ‘tipo assim’ não vai conseguir trabalhar com IA.”
“Saber programar já não basta”
O jornal britânico The Guardian provou essa tese na prática. A reportagem acompanhou profissionais acima dos 50 anos (médicos, advogados, engenheiros, acadêmicos e designers) que foram contratados para avaliar e eventualmente corrigir respostas produzidas por modelos de IA. O valor desses trabalhadores está precisamente no conhecimento acumulado: eles conseguem identificar respostas incorretas ou perigosas que um avaliador sem formação especializada provavelmente deixaria passar.

Uma pesquisa realizada pelo jornal britânico Financial Times (com o instituto Focaldata) consultou quatro mil trabalhadores dos EUA e do Reino Unido. Constatou-se que a adoção profissional da IA está concentrada entre os trabalhadores mais bem pagos e experientes. Mais de 60% dos profissionais de maior renda disseram utilizar IA diariamente. O artigo do Financial Times observa que profissionais veteranos possuem conhecimento acumulado, capacidade de julgamento e experiência organizacional — recursos necessários para saber quais tarefas delegar à IA e como avaliar o resultado.
A agência Reuters realizou uma pesquisa no mesmo sentido, focando os centros tecnológicos da Índia. Segundo a reportagem, empresas da área estão mudando seus critérios de contratação. Com a IA assumindo tarefas rotineiras de programação, passou a haver maior valorização de profissionais que combinam conhecimentos tecnológicos com domínio de áreas como comércio, logística e cadeias de suprimentos. O executivo Deena Dayalan, da Kimberly-Clark, resumiu assim: “Saber programar já não basta; é necessário possuir conhecimento do setor e saber aplicar a tecnologia a problemas empresariais reais”.
Humanos ensinam máquinas a substituir humanos
Essa situação contrasta com o medo primário que se espalhou com a chegada da IA: a perda do emprego. A ideia de que a inteligência artificial passaria a trabalhar em nosso lugar não é exatamente correta. Em muitos casos, isso vai acontecer mesmo. Mas mesmo nesse “roubo de emprego” é preciso que alguém ensine a IA a realizar o trabalho. Alguém precisa instruir a máquina a realizar a tarefa que o humano sem preparo não vai mais realizar. Exemplo: seres humanos ensinam metrôs a se locomoverem sem condutores humanos. Fica mais ou menos elas por elas.
A era da inteligência artificial, que é um momento de grande aperfeiçoamento tecnológico, está exigindo de nós, humanos, um aperfeiçoamento. É um estímulo ao nosso upgrade. E isso faz parte da nossa evolução. Quando os humanos aprenderam a dirigir veículos a motor, os condutores de carruagens e carroças perderam seus empregos.

Se vamos dar tarefas cada vez mais sofisticadas a modelos de inteligência artificial, alguém precisa ensinar à IA o que ela deve fazer. A IA pode executar parte do trabalho operacional, mas alguém ainda precisa definir o problema, escolher o que deve ser feito, orientar a máquina e avaliar o resultado. É preciso desenvolver nela conceitos como julgamento, iniciativa, conhecimento do negócio e capacidade de administrar projetos. Humanos vão fazer esse trabalho.
A palavra de quem mais entende
Estamos falando aqui em aplicações profissionais de inteligência artificial. Mas como fica para quem usa IA no seu dia a dia? Nada muda com relação ao prompt. Um bom prompt gera bons resultados. Se a gente erra no prompt, depois não adianta dizer que a IA é “burra” ou está delirando.
Perguntei como se constrói um bom prompt a quem mais entende do assunto: sete aplicativos de inteligência artificial — Meta.AI, Grok, ChatGPT, Claude, Co-Pilot, Gemini e Perplexity. Eles sabem o que funciona melhor na nossa interação com eles.
Aqui vai um resumo das respostas, uma espécie de pequeno guia do prompt para leigos:
- Diga exatamente o que você quer. Não deixe espaço para adivinhações.
- Deixe claro qual é o resultado final que você espera.
- Informe tom, tamanho, estilo e informações que não podem faltar.
- Mostre um modelo do que você gosta. Com um exemplo, fica muito mais fácil de entender.
- Escreva como se estivesse conversando, sem termos técnicos.
- Escolha o formato da resposta: lista, texto corrido, tabela ou roteiro.
- Evite palavras desnecessárias e foque o resultado desejado.
- Ofereça o contexto necessário para que a resposta não seja genérica ou confusa.
- Divida tarefas complexas em etapas — peça passo a passo em vez de tudo de uma vez.
- Evite ambiguidade. Palavras com duplo sentido podem confundir a resposta.
- Revise e ajuste. Se o resultado não ficou bom, refine o prompt e tente de novo.
- Escreva o prompt como se estivesse explicando para alguém que não sabe nada do assunto. Quanto mais detalhado e didático, melhor a resposta.
- Estabeleça limites. Diga o que não quer que apareça.
- Limite ao público-alvo. Informe para quem o conteúdo será destinado.
- Indique se quer algo formal, leve, divertido ou técnico.
- Defina o papel da IA. Diga que personagem ela deve assumir — um professor paciente, um chef experiente ou um redator criativo.
- Cite exemplos. Mostrar o que você espera ajuda muito a IA a entender o padrão que você deseja seguir.
- Peça revisões. Se a primeira resposta não ficar perfeita, peça ajustes finos, correções ou mude apenas o que faltou.
- Conversar com a IA é um diálogo. Se o resultado não for o esperado, ajuste as palavras e tente de novo.
- Evite pedidos vagos ou múltiplas tarefas misturadas.
dagomirmarquezi.com
@dagomirmarquezi
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Oi Dagomir, voce sempre nos ensina de forma pratica e objetiva. Sou consultora em gestao de pessoas e trabalho com IA todos os dias. Quando aprendi a usar o prompt o conteudo dos meus trabalhos melhorou de forma exponencial. Tenho 56 anos e sim, meu conhecimento e experiencia têm sido fundamentais na revisao dos conteudos que a IA me tras.Obrigada