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Em 1776, Thomas Paine publicou o panfleto "Common Sense", que desafiou a dominação britânica e defendeu a independência americana, alcançando grande aceitação entre os colonos. A obra, que vendia centenas de milhares de cópias, refletia uma revolução intelectual, argumentando contra a monarquia e a favor de um governo republicano baseado no consentimento. Paine influenciou a Declaração de Independência, que estabeleceu os princípios dos direitos individuais e da autogovernança.
Em 1776, o panfleto Common Sense (“Senso Comum”), de Thomas Paine, derrubou os alicerces morais e políticos do domínio britânico e apresentou argumentos convincentes a favor da independência — justamente o que uma plateia ávida por mudanças queria ouvir. Ao fim da Revolução, a obra já havia vendido centenas de milhares de exemplares. O conteúdo e a boa recepção do texto de Paine refletiam a essência da Revolução Americana como uma revolução intelectual.
Sem dúvida, as batalhas militares que nossos antepassados travaram merecem ser celebradas. Mas a luta dos revolucionários era mais profunda: uma ruptura filosófica com o governo autoritário em direção a um sistema dedicado aos direitos individuais. A guerra foi vencida tanto no campo de batalha quanto nas mentes do povo americano — e jamais deveríamos esquecer a conexão entre essas duas frentes.
Common Sense convenceu os colonos de que a reconciliação com a Coroa era impossível e de que a independência era o único caminho. Paine entendia que ideias são para todos, não apenas para intelectuais em suas torres de marfim. Por isso, escreveu para o cidadão comum, usando uma linguagem acessível e traduzindo filosofia política complexa em conceitos claros. Ele argumentou que a monarquia hereditária era ilegítima, que uma ilhota não tinha o direito de governar um continente distante, e que a independência — com um governo republicano alicerçado no consentimento — era moral e praticamente inevitável. O próprio George Washington chamaria Common Sense de “doutrina sólida e raciocínio irrefutável”.

O panfleto fez o pesado trabalho intelectual de garantir o apoio moral à causa da independência. Como John Adams diria mais tarde: “Sem a pena [de Paine], a espada de Washington teria sido empunhada em vão.” As palavras de Adams destacam a ligação entre as ideias que impulsionaram a Revolução e a ação necessária para implementá-las.
Paine compreendeu a gravidade do momento histórico ao afirmar: “Está em nosso poder começar o mundo de novo”. E ele estava certo: seus argumentos abriram caminho para o documento mais importante da história, a Declaração de Independência.
A Declaração defendeu e estabeleceu os princípios fundamentais dos direitos individuais e da autogovernança. Ela expôs a filosofia política americana, baseada no iluminista John Locke, entre outros. O propósito da Declaração, nas palavras do próprio Jefferson, era integrar as ideias que davam vida à Revolução e ser “uma expressão da mente americana”. O objetivo era estabelecer a base moral para o novo sistema de governo e “colocar diante da humanidade o senso comum da questão, em termos tão claros e sólidos que exigissem concordância e justificassem a postura independente que fomos compelidos a assumir”.
Se Common Sense convenceu os colonos da necessidade de se tornarem independentes, a Declaração defendeu e implementou essa independência. Mas os Fundadores não pararam de escrever. Eles trocaram o tema “ser ou não ser livre” por “como permanecer livre”. Os Artigos Federalistas, por exemplo, visavam a convencer os eleitores a ratificar a nova Constituição para preservar a União e estabelecer um governo responsável. Inúmeras correspondências, ensaios, panfletos e outros escritos em que se debatiam vários pontos de vista moldaram a era fundacional dos Estados Unidos — porque a natureza da Revolução exigia isso.

A Revolução foi uma mudança completa na forma de definir o governo e o indivíduo. Essas ideias exigiam argumentos e debate. Numa carta ao editor Hezekiah Niles, Adams disse que a “verdadeira” Revolução Americana foi uma “mudança radical nos princípios, nas opiniões, nos sentimentos e afetos” do povo americano, enfatizando a ruptura com a tradição europeia e a criação de algo novo.
O oficial do exército continental barão Von Steuben capturou essa nova atitude americana de forma sucinta ao escrever: “Na Europa, você diz ao seu soldado: ‘Faça isto’ — e ele faz. Mas ao americano sou obrigado a dizer: ‘Eis por que você deve fazer isto’ — e então ele faz.” Os Fundadores deram aos americanos muitos “porquês” para apoiar a revolução.
Ideias e ações alimentaram-se mutuamente durante a era fundacional. Como Adams colocou numa carta a Jefferson, a guerra foi “um efeito e uma consequência” da Revolução, que realmente ocorreu “na mente do povo”. O brilhantismo dos Fundadores repousa em sua capacidade de estabelecer uma estrutura intelectual para sua causa — e de agir com base nela. Como a filósofa Ayn Rand certa vez disse: “Como grupo político, os Fundadores foram um fenômeno sem precedentes na história: eram pensadores que também eram homens de ação.” Eles traduziram ideias abstratas num sistema político concreto que ainda celebramos 250 anos depois.
A América foi forjada com mosquetes e tinta — e foi a tinta que possibilitou a liberdade que celebramos hoje. Essa liberdade foi concebida, escrita e ponderada até ganhar vida por meio de indivíduos que entenderam que estavam fundando uma nação baseada em ideias, e que arriscaram suas vidas, fortunas e a sagrada honra para torná-las realidade.

Agustina Vergara Cid é gerente de edição da Reason.
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