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Em 23 de junho de 2026, Donald Trump compartilhou um artigo do Newsmax que destaca a eleição presidencial brasileira de outubro como um teste crucial para a América Latina, sugerindo que a vitória da direita mudaria o mapa político da região. O texto menciona a interferência do governo Biden nas eleições de 2022 para impedir a reeleição de Jair Bolsonaro, com acusações de financiamento por agências americanas.
Na terça-feira, 23 de junho de 2026, Donald Trump compartilhou em sua rede Truth Social um artigo do Newsmax com o título que resume bem o estado atual das coisas na América Latina. O texto, escrito pelo colunista John Gizzi, posicionava a eleição presidencial brasileira de outubro como o próximo grande teste do hemisfério — “a potência política da região” —, afirmando que, caso o Brasil se junte “à crescente lista de países que se movem para a direita, o mapa político da América Latina será drasticamente diferente do que era há apenas uma década”. A frase que Trump escolheu destacar diz tudo sobre o que Washington pensa a respeito do que acontece ao sul do Rio Grande: “Trump está realmente tornando as Américas grandes novamente”.
O gesto de Trump não foi casual. Trata-se do coroamento de uma mudança geopolítica de proporções históricas que se consolidou entre 2024 e 2026 — uma mudança que, para ser entendida em sua plenitude, exige que se volte ao que aconteceu antes: à interferência agressiva do governo Biden na política brasileira, para garantir que Jair Bolsonaro não se reelegesse em outubro de 2022.
Um ex-funcionário do Departamento de Estado americano, Mike Benz, denunciou o processo com provas e documentos. Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Benz apresentou documentos com valores pagos em dólares para uma rede que envolveu 11 agências governamentais americanas, tendo como atores centrais a Usaid, a CIA, o Pentágono e a Casa Branca. “Não há dúvidas de que esse aparato inclinou a balança para um dos lados”, afirmou. A rede operava por meio de ONGs, agências de checagem financiadas pelo governo americano e iniciativas como o TruthBuzz, do Centro Internacional para Jornalistas, em parceria direta com o Tribunal Superior Eleitoral. O alvo era um, declarado e inequívoco: a direita brasileira e o presidente que Washington chamava internamente de “Trump tropical”. Benz foi categórico: “Se a Usaid não existisse, Bolsonaro ainda seria presidente e o Brasil ainda teria uma internet livre e aberta”.

Isso foi o que Biden fez. Isso é o que Trump se propôs a desfazer em seu segundo mandato. E o resultado já aparece no mapa político-eleitoral da região.
Quando Trump assumiu pela segunda vez, em janeiro de 2025, uma de suas primeiras decisões foi fechar a torneira da Usaid, encerrando décadas de financiamento americano a uma rede global de organizações que, sob o disfarce de “combate à desinformação” e “fortalecimento democrático”, operava sistematicamente para desgastar governos conservadores e fortalecer candidaturas de esquerda ao redor do mundo. O efeito no hemisfério foi quase imediato. Sem o oxigênio financeiro de Washington alimentando o ecossistema de censura e checagem partidária, o terreno político foi se nivelando — e a direita foi ganhando.
Sob a influência de Trump, partidos de direita passaram a vencer eleições em toda a América Latina. Na Argentina, Milei consolidou sua maioria no Congresso. No Equador, Daniel Noboa se reelegeu. Na Bolívia, a esquerda do MAS, que governara o país por duas décadas, foi varrida. No Chile, José Antonio Kast venceu o segundo turno com 59% dos votos, tornando-se o presidente com a maior votação da história do país. Na Colômbia, a vitória do ultradireitista Abelardo de la Espriella encerrou o governo Petro. No Peru, Keiko Fujimori confirmou sua eleição. Em 2023, quando Lula iniciou seu terceiro mandato, a América do Sul contava com oito governos de esquerda. Em 2026, caminha para ter sete governos de direita e apenas cinco de esquerda. O continente que o Partido Democrata ajudou a construir no decorrer de mais de uma década, Trump recuperou em apenas três anos.

Nesse contexto, o Brasil não é apenas mais um país no calendário eleitoral de 2026. É a peça que falta. É o único grande país do continente — a par do México — que ainda resiste à maré, e cuja dimensão geopolítica, econômica e simbólica é incomparável. Uma América Latina com o Brasil no campo da direita seria uma transformação de geração. Uma América Latina com o Brasil permanecendo na órbita do Foro de São Paulo, alinhado a Venezuela, Cuba e Nicarágua — os quatro “desafios” que o artigo do Newsmax identifica como os últimos obstáculos da agenda trumpista no hemisfério — seria uma derrota significativa do projeto geopolítico de Trump.
Daí o significado preciso do gesto de terça-feira. Trump não compartilhou o artigo do Newsmax por sentimentalismo em relação à família Bolsonaro, nem por irritação passageira com o STF que condenou Eduardo. Compartilhou porque o Brasil é, na sua visão estratégica do continente, o território que ainda precisa ser conquistado — e porque, pela primeira vez em quatro anos, há razões concretas para achar que isso é possível.
Por óbvio, o Descondenado-em-chefe responde com a bravataria pseudo-soberanista costumeira. “Não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse em Genebra, sugerindo que Trump só conhece o Brasil pela família Bolsonaro. É uma resposta que soa mais frágil do que ele gostaria, vinda de um presidente que durante décadas viajou o mundo, nas suas próprias palavras, “falando mal do Brasil” para desgastar governos adversários. A soberania eleitoral, na cosmologia petista, é um princípio que se invoca quando a interferência estrangeira vai na direção errada.
O que Trump sinaliza, ao compartilhar o artigo e ao classificar o Brasil como “politicamente perigoso”, é o reconhecimento de que o Brasil de outubro de 2026 importa para a geometria do continente de uma forma que nenhuma outra eleição talvez tenha importado — e que o resultado das urnas brasileiras não é indiferente aos interesses americanos da mesma forma que não era indiferente em outubro de 2022, quando Biden abriu os cofres da Usaid para garantir o resultado que queria.
A diferença é que, desta vez, quem está na Casa Branca é o outro lado. E o outro lado não precisa de ONGs financiadas com dinheiro público para fazer valer sua preferência. Precisa apenas exercer pressão política por uma eleição livre — e sobre um STF que não coloque na cadeia, antes mesmo do pleito, todos os candidatos que possam derrotar eleitoralmente o regime luloalexandrino.

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Espero que essa torneira da Usaid seja lacrada e nunca mais venha a alimentar sistemas tiranos esquerdopatas para o bem das civilizações humanas.