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Foto: Montagem Revista Oeste/IA
Edição 326

Agruras do agro

O país sofre com a estupidez de governos que não investem tudo que podem nesse setor milagroso capaz de alimentar 1,6 bilhão de pessoas ocupando apenas 8% do território

Esta semana, o Senado deu um pequeno alívio para o agro, tão detestado pela ideologia que incensa o MST e aplaude quando o Presidente chama os produtores de alimentos de fascistas. Os senadores aprovaram um projeto de lei que usa o fundo que vem do petróleo no pré-sal para socorrer os que trabalharam na terra atingida por secas e enchentes e que estão com dívidas impagáveis. Vão poder pagar em 10 anos, a começar depois dos próximos três anos, a juros anuais que vão de 3,5% a 7,5%. Os que mais precisam de socorro são os gaúchos, onde anos de chuvas e secas os deixaram com dívidas acumuladas de R$ 90 bilhões.

Estou escrevendo de Unaí, um dos polos mineiros da produção de grãos e leite, e da agricultura irrigada. Unidos em cooperativas, transformaram uma terra desprezada, que só servia para a literatura de Guimarães Rosa, em trabalho e prosperidade. A obra dos que trabalham a terra contrasta com a estupidez de governantes. O Brasil, hoje, se apoia no agro. Sem ele, perdemos a capacidade de importar a radioterapia que cuida do Lula ou comprar blusinhas da China. Mas uma parte dos políticos e uma parte da nação — que talvez não saiba de onde vem a comida — quer acabar com o agro, nossa galinha dos ovos de ouro. 

Boa parte da mídia que noticiou a vitória no Senado, no projeto que ainda vai para a Câmara, viu o resultado como uma derrota do Estado, um prejuízo para o erário, não uma vitória da nação. Estão do lado errado, contra seus assinantes e audiência, mas preferem ser fiéis ao governo que os remunera com a propaganda desnecessária. A propósito, governos não precisam de propaganda quando prestam bons serviços públicos. Mas, enfim, julgam ruim salvar os que fertilizam a terra com seu suor; são jornalistas que lamentam o uso de dinheiro do petróleo e calam diante das bondades viciantes que servem para comprar votos de reeleição.

Estupidez de governos quando não investem tudo que podem nesse agro milagroso, que transformou o cerrado no lugar que superou o meio-oeste americano. Para alimentar cerca de 1,6  bilhão de pessoas, o agro ocupa apenas 8% do território brasileiro. Imagine aproveitando o dobro disso. As reservas indígenas são 15% — quase o dobro da agricultura. Imagine dobrar a riqueza criada pelo agro, enquanto a indústria sofre desatualização e os serviços vão perdendo para os grandes concorrentes de fora. E é comida, estúpido! Ninguém vive sem comer.

Na estupidez, o país-continente abandonou a ferrovia, e transportamos de conta-gotas de caminhãozinho. A carga de caminhão que vai de Portugal para Moscou, há décadas, põe o caminhão sobre o trem, assim como nos Estados Unidos, para percursos maiores. Aqui, frete caro e improdutivo, de Rio Grande a Manaus por rodovia, quando poderia ir por água ou por trilho. País burro. E ainda se proíbem ferrovias que tangenciem terras indígenas. Produzimos cada vez mais, mas não se planejou a estocagem que permite esperar preço melhor. Conseguimos armazenar apenas uma em cada quatro toneladas de grãos que produzimos. O resto espera no caminhão ou no navio, mas a pressa de venda leva a preço baixo, sem capacidade de vender no pico do preço. E o custo do crédito desanima o investimento em silos e armazéns. A indústria de máquinas agrícolas está de freio puxado, porque o agricultor está também pisando no freio por dificuldades financeiras. 

O país-continente abandonou a ferrovia, e transportamos de conta-gotas de caminhãozinho | Foto: Shutterstock

Como se não bastassem as incertezas climáticas, existe a certeza do ódio contra o agro. É a ação dos ambientalistas, do MST, dos fiscais do trabalho, do governo de esquerda, dos partidos esquerdistas, dos professores que ensinam as crianças que o agro é mau. O urbano que nunca viu uma galinha viva, uma vaca sendo ordenhada, o trigo, o milho, o feijão, o arroz crescendo, e os porcos engordando, acha bonitinho o javali importado a destruir plantações e fica do lado do javali. É um público que acha que a comida vem do supermercado e que o leite sai de uma fábrica. Se conseguirem quebrar o agro, quebram definitivamente o Brasil.

Neste ano há uma chance de acabar com isso. Votar em candidatos que impeçam esse tipo de suicídio do país. A Copa do Mundo, que começou agora, quando terminar o jogo final, não terá mudado o nosso amanhã. Mas o que for jogado nas urnas deste ano, as escolhas nas assembleias de governos estaduais, na Câmara e no Senado e na Presidência da República, com certeza vão mudar nosso futuro. Está nas nossas mãos sairmos desses tempos de burrice, de não aproveitar a gigantesca potencialidade de nossa terra para nos tornarmos potência na mais importante das energias: o alimento que move os corpos humanos.

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3 comentários
  1. Vanessa Días da Silva
    Vanessa Días da Silva

    Me sinto revoltada com isso. Esse artigo expressou muito bem sentimento que paira entre os seres pensantes desse pais, mas infelizmente parece que somos minoria

  2. Paulo César da Conceição
    Paulo César da Conceição

    O PT e os partidos de esquerda sobrevivem da miséria, da fome e da burrice da sociedade.
    Excelente artigo mestre Alexandre Garcia. Obg!

  3. gilson roberto cardoso de oliveira
    gilson roberto cardoso de oliveira

    A fome é uma das armas de controle de regimes socialistas. Do ponto de vista do PT qualquer um que produza comida é um sabotador.

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