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Fotografia antiga de Benito Mussolini destruída e jogada ao chão em meio aos escombros após a queda do fascismo na Itália, em Latina, Lácio, Itália | Foto: Shutterstock
Edição 324

O espelho que a esquerda não quer olhar: o fascismo

Hoje em dia, quem defende mais Estado, mais regulação, mais intervenção, mais controle da informação, mais poder centralizado são os representantes da esquerda

Existe uma frase histórica extremamente conhecida que diz o seguinte: “Tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado.” À primeira vista, ela parece apenas uma defesa radical do poder estatal. Uma exaltação da centralização. A ideia de que o Estado deve controlar a vida econômica, social, cultural e até moral de uma nação, mas é aqui que começa uma reflexão que muita gente, sobretudo na esquerda brasileira, prefere evitar.

No debate político moderno, quem defende mais Estado, mais regulação, mais intervenção, mais controle da informação, mais poder centralizado são os representantes e militantes da esquerda. Ao mesmo tempo, esses mesmos setores frequentemente apontam o dedo para seus adversários ideológicos, chamando-os de “fascistas”. Mas será que as pessoas realmente entendem o que foi o fascismo?

O fascismo nasceu na Itália do pós-Primeira Guerra Mundial, em meio a caos econômico, inflação, desemprego, humilhação nacional e medo do avanço revolucionário socialista. Foi nesse ambiente que surgiu Benito Mussolini. E aqui existe uma parte da história que muitos preferem esquecer: Mussolini começou sua trajetória política dentro do socialismo italiano. Sim, ele foi militante socialista. Também foi jornalista socialista. Dirigiu jornais ligados à esquerda revolucionária. Mas depois da guerra rompeu com o socialismo internacional tradicional e criou algo diferente: o fascismo.

Benito Mussolini, na Marcha sobre Roma, Itália, 1922. Jovens fazem a saudação fascista. Foto publicada no jornal Het Leven em 1926 | Foto: Domínio Público

E o que era o fascismo na prática? Um regime de centralização extrema do poder, culto ao líder, forte intervenção estatal, controle da economia, perseguição a opositores, controle da imprensa e subordinação do indivíduo ao Estado.

Ou seja: o fascismo não era liberal. Não defendia liberdade individual plena. Não defendia mercado livre. O fascismo defendia um Estado gigantesco. O próprio Mussolini foi quem definiu e disseminou a frase: “Tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado”. O cidadão deixava de ser protagonista da própria vida e passava a existir para servir ao projeto estatal.

Que irônico. Muitos dos que hoje usam a palavra “fascismo” para catalogar os militantes da direita, defendem exatamente mais concentração de poder, mais controle estatal, mais regulação da fala, mais intervenção econômica e mais dependência do governo.

Benito Mussolini inaugura o Monumento aos Caídos em Monza, Itália (31/10/1932) | Foto: Domínio Público

A história mostra que regimes autoritários raramente chegam dizendo que vão destruir a liberdade. Eles chegam prometendo proteção, igualdade social, segurança, justiça social e combate aos inimigos do povo. Foi assim na Itália fascista. Foi assim em vários regimes socialistas do século 20. O problema é que quando o Estado cresce demais, inevitavelmente o espaço da liberdade diminui.

Na Itália de Mussolini, o resultado terminou em perseguição política (como no Brasil), censura (como no Brasil), forças de segurança a serviço do governante (lembremos da fala do então ministro da Justiça Flávio Dino ao presidente Lula, em setembro de 2023, de que a Polícia Federal estava a serviço de uma única causa: “a causa do Brasil e a causa do presidente”). Na Itália de Mussolini, o regime propiciou também violência, aliança com o nazismo, destruição econômica (o Brasil está indo nesse mesmo caminho econômico) e tragédia humana.

O fascismo terminou em colapso. Mussolini acabou deposto, fugiu e, posteriormente, foi executado por partisanos italianos em 1945. Seu corpo foi exposto em praça pública como símbolo da queda de um regime que prometia grandeza nacional, mas entregou destruição. E a história acadêmica reforça que toda vez que o poder se concentra excessivamente nas mãos do Estado, a liberdade individual começa a desaparecer. Não importa se o regime se chama fascista, socialista, revolucionário, popular ou progressista.

O corpo de Benito Mussolini ao lado de sua amante Claretta Petacci e de outros fascistas executados (29/4/1945) | Foto: Vincenzo Carrese/Domínio Público

Quando o governo passa a controlar ou intervir na economia, tenta orientar o pensamento da população, controlar a informação, definir o comportamento e as instituições, o resultado histórico quase sempre é: menos liberdade, mais medo e mais dependência da parte mais vulnerável da população.

Talvez seja exatamente esse o ponto que incomoda tanto alguns setores ideológicos, porque a “narrativa” moderna simplificou o debate ao ponto de tentar associar qualquer pensamento conservador ao fascismo, ignorando completamente as próprias características históricas do fascismo real.

A realidade histórica é muito mais complexa do que slogans de rede social por parte da representação esquerdista. Certamente por isso muitos militantes preferem repetir rótulos em vez de estudar história. Porque estudar história cria um problema para as narrativas simplistas: a realidade.

Selo dos Correios da Itália fascista com Hitler e Mussolini com a inscrição é “Due popoli una guerra” (“Duas nações, uma guerra”), c. 1941 | Foto: Shutterstock

Uma realidade que mostra que muitos regimes que prometeram igualdade absoluta terminaram produzindo exatamente o contrário: pobreza, repressão, perseguição, dependência estatal e concentração brutal de poder. Venezuela, Cuba e Coreia do Norte são excelentes exemplos disso.

A maior lição histórica está em que nenhum povo perde sua liberdade de uma vez. Ela vai sendo entregue pouco a pouco e sempre em nome de alguma “boa intenção”. Sempre em nome da “proteção”. Sempre em nome de um “bem coletivo”. Até o dia em que o cidadão percebe que o Estado cresceu tanto… que já não existe espaço para discordar dele.

A história mostra que regimes autoritários não começam proibindo tudo; começam convencendo a população de que o Estado deve controlar tudo para proteger a própria população, que, iludida pela promessa de melhora, termina sua vida acreditando que lutava contra o regime fascista, esse mesmo regime que os condenou a viver na mais absoluta miséria.

Benito Mussolini e Adolf Hitler | Foto: Domínio Público

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7 comentários
  1. Antonia Marilda Ribeiro Alborgheti
    Antonia Marilda Ribeiro Alborgheti

    desde sempre considerei socialismo, fascismo, franquismo, salazarismo, comunismo, progressismo a mesma coisa, ou seja, todos se resumem em uma única palavra: DITADURA

  2. ALCINDO ALVES DOS REIS FILHO
    ALCINDO ALVES DOS REIS FILHO

    E importante varrer a esquerda no Brasil, se isso não acontecer nesta eleição vamos naufragar na lama.

  3. Francisco de Assis Bonfati
    Francisco de Assis Bonfati

    Nunca houve um regime socialista ou comunista que não fosse uma ditadura. Nunca houve um grande líder socialista ou comunista que não tivesse ficado rico no exercício do poder.
    Roberto Motta.

  4. Mariza
    Mariza

    Ditadura é isso. O bom do exemplo de Mussolini foi ter tido o fim que teve. Nosso decreteiro tem medo até de destino semelhante ao amigo Maduro, se souber da história da execução do Duce, vai perder o sono de vez kkkk.

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