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Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Edição 323

Carta ao Leitor — Edição 323

A verdade sobre o caso do cão Orelha e a condenação de uma família por optar pelo homeschooling na educação das filhas estão entre os destaques desta edição

A cada dia surgem novos detalhes sórdidos e mais figurões envolvidos naquele que já é considerado o maior escândalo financeiro da história do Brasil. Muito além de uma gestão temerária e de suspeitas de fraude, o caso Master revelou uma extensa rede de relações promíscuas — e casos de corrupção escancarada —  do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

Mais do que necessária e urgente, a instalação de uma CPI do Master é a única esperança e uma exigência do Brasil que presta. Nesta edição, reportagens de Augusto Nunes, Adalberto Piotto, Carlo Cauti, Cristyan Costa e Sarah Peres mostram como funcionavam os diferentes núcleos desse escândalo, cujos tentáculos alcançam os Três Poderes da República.

É obrigação de um veículo de comunicação expor os fatos e cobrar providências em nome do leitor. Rodrigo Constantino relembra uma frase célebre de Millôr Fernandes: “Jornalismo é oposição; o resto é armazém de secos e molhados”. E acrescenta: “Millôr defendia que o papel fundamental do jornalista e da imprensa é atuar como fiscalizador do poder e manter um olhar crítico independente”. Em tempos de polarização extrema, esse princípio muitas vezes é deixado de lado.

Mas a imprensa também precisa agir com responsabilidade e evitar julgamentos precipitados. No caso mais emblemático desse tipo, conhecido como Escola Base, veículos de comunicação destruíram não apenas uma escola, mas uma família inteira, que jamais conseguiu reconstruir plenamente a própria vida. O caso do cão Orelha mostra que nem todos aprenderam com aquele erro. Uiliam Grizafis relata que nada ficou provado contra os adolescentes acusados de matar o cachorro e que o caso acabou arquivado. Ainda assim, a vida desses jovens dificilmente deixará de ser marcada pelo linchamento público a que foram submetidos.

Outro episódio polêmico abordado nesta edição é o da família do interior de São Paulo condenada por optar pelo homeschooling para a educação das filhas. Além de estudarem diariamente com a mãe ou com professores particulares, as meninas cantam no coral, tocam piano, estudam outros idiomas e leem em média 30 livros por ano. Mas, como relata Mateus Conte, o que chamou a atenção do juiz — negativamente — foi o fato de elas não gostarem de funk e sertanejo.

Enquanto isso, em Israel, centenas de mulheres ainda lutam para convencer parte do mundo de que foram vítimas de violência sexual durante os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023. Antes disso, muitas feministas insistiam que vítimas de estupro jamais mentiam, observa Joanna Williams, da Spiked. “Deveríamos #BelieveAllWomen (‘Acreditar em todas as mulheres’), diziam.” Mas os ataques do Hamas revelaram outra realidade: “Quando mulheres judias afirmaram que o sexo havia sido usado como forma de tortura, ouviram: ‘Prove’. Quando mostraram fotos de corpos mutilados e ensanguentados, ouviram: ‘Precisamos de mais evidências’”.

Essa é mais uma prova de que a polarização não é uma exclusividade brasileira. Passou da hora de unirmos esforços por um país melhor. Seja pelo fim da corrupção, pelo direito dos pais de educarem seus filhos como acharem melhor, seja pelo direito à Justiça de homens e mulheres. 

O escândalo do Banco Master, o linchamento dos adolescentes acusados pela morte do cão Orelha, a perseguição à família que optou pelo homeschooling e o silêncio seletivo diante da violência contra mulheres judias parecem histórias desconectadas. Não são. Todas revelam o mesmo fenômeno: instituições, grupos políticos e parte da opinião pública passaram a tratar princípios como algo relativo — válido apenas quando conveniente.

O combate à corrupção, a presunção de inocência, o direito dos pais de educarem os filhos e a defesa de vítimas de violência não deveriam depender de ideologia, religião ou conveniência política. Quando a verdade passa a variar conforme o lado de quem fala — ou de quem sofre — a injustiça deixa de ser exceção. Vira método.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 323. Fachada do prédio do Banco Master, no bairro Itaim Bibi, em São Paulo | Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo

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3 comentários
  1. Daniel BG
    Daniel BG

    E quem nos deve e nunca irá quitar a dívida é um monstro insaciável por poder e gastança. Os amigos do monstro são também amigos do amigo do meu pai. Irresponsabilidade de um escritório de advocacia envolvido em corrupção sem precedentes onde o marido é também o ministro da suprema corte. Então o monstro manda sua visita íntima passear, mais uma vez.
    Faz sentido, FHC!

  2. daise a.scopiato
    daise a.scopiato

    Concordo! Isso representa omissão no direito de defesa!!

  3. Marcio Cruz
    Marcio Cruz

    Desejo cancelar a Revista Oeste. Onde o Constantino escreve ou fala, estou fora. E nessa edicao nenhum colunista fez defesa do Flavio Bolsonaro. Omitindo nisto, estao ajudando a eleger o Lula

Daniel Vorcaro | Foto: Montagem Revista Oeste/Divulgação/Shutterstock Anterior:
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