publicidade
Manifestação em Londres, realizada em frente à sede da BBC, focada nos reféns israelenses mantidos em Gaza e na denúncia da violência sexual ocorrida durante os ataques de 7 de outubro de 2023 | Foto: Reprodução/Consulado de Israel
Edição 323

Acredite em todas, menos nas judias

O mundo exigiu provas de que mulheres israelenses foram estupradas. Agora, a verdadeira depravação dos crimes do Hamas em 7 de outubro jamais poderá ser negada

Em 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas estupraram e agrediram sexualmente mulheres e garotas em Israel. No próprio dia do pogrom, imagens transmitidas ao redor do mundo — filmadas pelos próprios autores da violência — mostravam jovens sendo arrastadas como reféns, ora seminuas, ora com manchas de sangue nas calças. Mas muitos escolheram não ver.

Antes de 2023, feministas insistiam que vítimas de estupro e agressão sexual nunca mentiam. Deveríamos #BelieveAllWomen (“Acreditar em todas as mulheres”), diziam. Mas o pogrom israelense revelou uma verdade assustadora. O que muitas ativistas liberais e organizações globais bem financiadas realmente queriam dizer era: “acreditem em todas as mulheres, menos nas judias”. Quando mulheres judias afirmaram que o sexo havia sido usado como forma de tortura, ouviram: “Prove”. Quando apontaram para fotos de corpos sem vida de mulheres machucadas e sangrando, ouviram: “Precisamos de mais evidências”.

Além de submetidas a uma depravação sexual abominável, as mulheres israelenses — agora vítimas de outro tipo de crueldade — tiveram que fazer campanha para que acreditassem nelas. Em novembro de 2023, quando o governo israelense divulgou imagens expondo o verdadeiro horror do pogrom de 7 de outubro, jornalistas como Owen Jones exigiram “evidências conclusivas” de que tais atrocidades haviam sido cometidas “intencionalmente”. Foi só em março de 2024 que a ONU reconheceu que o estupro havia sido usado como arma de guerra. A Anistia Internacional levou mais de — espantosos — dois anos para chegar à mesma conclusão. Ainda hoje, mulheres judias precisam lutar para serem levadas a sério.

Esta semana, um novo relatório, Silenced No More (“Silenciadas Nunca Mais”), apresenta “o registro probatório mais abrangente até hoje das atrocidades sexuais cometidas em 7 de outubro e durante o cativeiro”. Foi produzido pela Comissão Civil, uma organização independente estabelecida na sequência do ataque para defender as vítimas de violência sexual e de gênero, num esforço para provar ao mundo, de uma vez por todas, que mulheres em Israel foram estupradas e agredidas.

As conclusões do relatório são contundentes: “a violência sexual e de gênero foi sistemática, generalizada e parte integrante dos ataques de 7 de outubro e de suas consequências”. Diferentemente do movimento #MeToo, os pesquisadores da comissão não se basearam apenas no relato das mulheres: eles sistematicamente reuniram, verificaram e analisaram provas. O material inclui mais de 10 mil fotografias e vídeos, além de mais de 430 depoimentos e entrevistas com sobreviventes, testemunhas, reféns libertados, especialistas e familiares.

O relatório independente reúne milhares de provas da barbárie e da violência sexual cometidas durante os ataques de 7 de outubro | Foto: Reprodução/Consulado de Israel

O que se revela “não é um conjunto de incidentes isolados, mas um padrão coerente e repetido de violência, executado em múltiplos locais e fases — desde os ataques iniciais, passando pelo sequestro e transporte, até o cativeiro prolongado e a circulação digital deliberada do abuso”. O relatório Silenced No More mostra que a violência sexual praticada durante o ataque terrorista do Hamas “foi deliberada, coordenada e incorporada ao próprio ataque”.

Os pesquisadores da Comissão Civil identificaram 13 formas recorrentes de violência sexual e de gênero em múltiplos locais, entre elas: estupro individual e coletivo, tortura e mutilação sexual, execuções vinculadas à violência sexual, abuso sexual pós-morte e agressões sexuais realizadas na presença de familiares. Como apontam os autores do relatório: “A repetição desses padrões demonstra que os crimes não foram atos isolados de brutalidade, mas parte de um método operacional mais amplo usado durante o ataque e seus desdobramentos”.

Significativamente, a Comissão Civil destacou a forma como os operadores do Hamas filmaram e fotografaram deliberadamente grande parte do abuso, mesmo enquanto era perpetrado. Eles transmitiram ao vivo sua depravação, às vezes pelas próprias contas de redes sociais das vítimas. Dessa forma, não apenas amigos próximos e familiares foram obrigados a testemunhar o abuso infligido a seus entes queridos, mas sobreviventes terão de conviver para sempre com a suspeita de que há registros também da tortura que sofreram. Com isso, o Hamas criou uma forma de horror psicológico que vai além do ato de estupro em si e aflige comunidades inteiras. Como observa a doutora Cochav Elkayam-Levy, fundadora e presidente da Comissão Civil: “Os perpetradores não esconderam esses atos — eles os glorificaram. Filmaram e transmitiram tudo em tempo real, transformando sua violência em espetáculo e o sofrimento humano em instrumento de terror”.

Com base nessas conclusões, a comissão determina que os eventos de 7 de outubro constituem crimes de guerra, crimes contra a humanidade e atos genocidas, de acordo com o direito internacional. A revelação de tamanha depravação deveria, pelo direito, pôr fim às vergonhosas manifestações de solidariedade ao Hamas ainda vistas nas ruas de cidades britânicas. Aqueles que insistiram na necessidade de evidências mais “conclusivas” antes de reconhecer que terroristas do Hamas estupraram e abusaram sistematicamente de mulheres deveriam pedir desculpas — ou, no mínimo, calar a boca.

É claro que não estão fazendo isso. Nem uma porção de evidências convencerá os fãs do Hamas e os israelofóbicos de que mulheres judias foram vítimas. A imaginação distorcida do antissemita é capaz de conceber todo tipo de coisa que não aconteceu e nem poderia ter acontecido — cães treinados para estuprar palestinos é só o exemplo mais recente — enquanto lança dúvidas sobre coisas que de fato aconteceram: o estupro e a tortura de mulheres pelo Hamas.

O relatório aponta que os estupros configuram crimes de guerra e expõe a vergonhosa hipocrisia dos que negam as atrocidades cometidas pelo Hamas | Foto: Reprodução/X

Leia também “Feminismo à moda Trump”

Leia mais sobre:

4 comentários
  1. Renato Perim
    Renato Perim

    Não pode ser considerado humano uma coisa que faça o que foi descrito nesta matéria e nem muito menos os que negam os fatos ou os distorcem.

  2. fabio de souza arcas
    fabio de souza arcas

    Brilhante artigo ! As feministas não se importam com esses casos de violações.

  3. Adriano M
    Adriano M

    Muito necessária essa matéria! Não vimos ninguém da grande mídia fazendo referência a esse relatório.
    Parabéns a jornalista e a revista Oeste

  4. Adriano M
    Adriano M

    Parabéns pela matéria!!!!! Como sempre a Oeste mostrando os fatos como são!!!
    A cobertura da grande mídia do conflito envolvendo Israel talvez seja a maior vergonha jornalística da história!!! Nunca houve tanta sacanagem contra um lado quanto estamos vendo na grande mídia (mentiras, suposições, ilações e sempre tentando evitar ouvir o lado de Israel). O que eles fazem contra Israel e seu povo é um absurdo e o mais desesperador é que parece que nada vai mudar….o anti-semitismo está crescendo justamente por conta da grande mídia….. Por isso, valorizo tanto a cobertura da Oeste sobre o que está acontecendo.
    Parabéns pela matéria!!!!!

Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA Anterior:
Corrida tecnológica entre EUA e China
Próximo:
Imagem da Semana: Bonnie e Clyde
publicidade