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David Ben-Gurion (primeiro primeiro-ministro de Israel) anunciando publicamente a Declaração do Estado de Israel, 14 de maio de 1948, Tel Aviv, Israel, sob um grande retrato de Theodor Herzl, fundador do sionismo político moderno, no antigo prédio do Museu de Arte de Tel Aviv, na Rua Rothschild | Foto: Wikimedia Commons
Edição 322

Imagem da Semana: criação do Estado de Israel

Maio de 1948 representou o surgimento de uma nova realidade política no Oriente Médio, que continua moldando conflitos, alianças e decisões globais até os dias atuais

Poucas horas antes do fim do Mandato Britânico sobre a Palestina, em 14 de maio de 1948, o líder judeu David Ben-Gurion declarou oficialmente a criação do Estado de Israel. O anúncio, feito no Museu de Arte de Tel-Aviv em uma cerimônia breve e histórica, marcou o nascimento de uma nova nação — e também o início de uma das disputas geopolíticas mais complexas e duradouras da história moderna.

A fundação de Israel foi resultado de décadas de tensões políticas, migrações e conflitos na região. Desde o final do século 19, o movimento sionista defendia a criação de um lar nacional judeu na Palestina, território então habitado majoritariamente por árabes palestinos e controlado pelo Império Otomano até a Primeira Guerra Mundial. Depois da guerra, a região passou ao controle britânico, e o aumento da imigração de judeus intensificou os confrontos entre comunidades árabes e judaicas.

O cenário tornou-se ainda mais dramático depois do Holocausto, no qual cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. A tragédia fortaleceu o apoio internacional à criação de um Estado judeu, considerado por muitos uma necessidade urgente de proteção e sobrevivência para o povo judeu.

Mapa de fevereiro de 1956 do Plano de Partilha da ONU para a Palestina, adotado em 29 de novembro de 1947, com a fronteira do plano de partilha anterior da UNSCOP adicionada em verde | Foto: Wikimedia Commons

Em 1947, a Organização das Nações Unidas aprovou um plano (Resolução 181) para dividir a Palestina em dois Estados — um judeu e outro árabe —, enquanto Jerusalém teria administração internacional. Lideranças judaicas aceitaram a proposta, mas grande parte dos países árabes e representantes palestinos a rejeitaram, considerando-a injusta. O Estado árabe previsto pela resolução nunca chegou a ser proclamado — lacuna que permanece no centro do conflito até hoje.

A independência israelense foi proclamada em meio a um clima explosivo. No dia seguinte, exércitos de Egito, Jordânia, Síria, Iraque e outros países árabes invadiram o novo Estado, iniciando a Guerra Árabe-Israelense de 1948. Apesar da inferioridade inicial em recursos e números, Israel conseguiu resistir e expandir o território além do previsto no plano da ONU.

Para os israelenses, a guerra representou a consolidação da independência nacional, conhecida em hebraico como “Milhemet HaAtzma’ut” (“Guerra da Independência”). Para os palestinos, porém, foi uma catástrofe (ou “Nakba”, em árabe) — marcada pelo deslocamento em massa de palestinos que fugiram ou foram expulsos de suas terras.

A criação de Israel alterou permanentemente a geopolítica regional. O Oriente Médio transformou-se em palco de sucessivas guerras, alianças militares e disputas ideológicas envolvendo não apenas israelenses e árabes, mas também potências globais, entre elas os Estados Unidos e a antiga União Soviética durante a Guerra Fria. Conflitos como a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a Guerra do Yom Kippur (o “Dia do Perdão” no calendário judaico) aprofundaram rivalidades e redefiniram fronteiras e estratégias militares na região. O Sinai foi devolvido ao Egito em troca de paz, em 1979. Israel retirou assentamentos e tropas da Faixa de Gaza em 2005, embora mantenha controle de fronteiras, espaço aéreo e bloqueio em conjunto com o Egito em certos aspectos. Já a Cisjordânia permanece parcialmente ocupada e controlada por Israel.

Além das guerras, o nascimento de Israel influenciou a política internacional, a segurança energética global e as relações diplomáticas entre o Ocidente e o mundo árabe. O conflito israelo-palestino tornou-se um dos temas mais debatidos e sensíveis da diplomacia mundial, atravessando gerações sem uma solução definitiva.


Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante da semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.

Leia também “Imagem da Semana: o trágico fim do Lusitania”

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1 comentário
  1. João Luiz Bosso
    João Luiz Bosso

    Ótima reportagem! Parabéns por trazer esse relevante fato à memória.
    Israel, povo abençoado por Deus, por meio do qual viria Jesus, nosso Salvador.
    Há muitíssimas promessas de bênçãos a essa querida nação, sendo “a menina dos olhos de Deus” segundo Zc. 2.8: “…aquele que tocar em vós toca na menina do Seu olho.”
    Gn. 12.3 afirma: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; por meio de ti serão benditas todas as famílias da terra.”
    Deus continue abençoando e preservando esse querido povo.

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