Entre setembro de 2023 e o fim de 2025, Alexandre de Moraes concluiu a transformação de garantias constitucionais em peças decorativas. Durante o julgamento dos mais de 1,9 mil homens e mulheres presos por causa das manifestações de 8 de janeiro de 2023, o ministro impediu sustentações orais, produziu condenações em lote, ignorou a individualização de conduta, aplicou penas extraordinariamente desproporcionais, prendeu um autista e um morador de rua sem qualquer relação com os protestos e obrigou inocentes a declarar-se culpados por crimes que não cometeram, fora o resto.
Neste 7 de maio, irritado com a quantidade de pedidos de soltura encaminhados depois da derrubada no Congresso do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, Moraes suspendeu os efeitos da nova lei. “Nos bastidores do STF, o volume de processos mexeu com os ânimos do ministro, que costuma ficar ‘implicante quando cisma com alguma coisa’, como disse um servidor de seu gabinete”, revela Cristyan Costa, na reportagem de capa desta edição. “A justificativa oficial apresentada por Moraes é a ‘necessidade de garantir segurança jurídica’”. Resumindo: Moraes faz o que quer. A lei é ele.
Augusto Nunes também escreve sobre a eternização do calvário de dezenas de brasileiros que já poderiam ver suas penas significativamente reduzidas. Em companhia de Cristyan Costa, Nunes comenta as relações promíscuas que fazem parte do cotidiano de Brasília. Menos de uma semana depois dessa afronta à democracia, magistrados, políticos de todas as vertentes, empresários e outros integrantes da alta sociedade da Ilha da Fantasia se juntaram na celebração da posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral.
É por essas e muitas outras ousadias da turma da toga que o presidente Lula, inquieto com a queda de popularidade, tenta descolar-se do Supremo, ao menos na aparência. “É ruim aparecer ao lado do STF que, por erros próprios, se tornou uma instituição pária da República indigente do lulopetismo”, afirma Adalberto Piotto. Missão impossível, pois “juntos formaram o mais tenebroso consórcio de poder”.
Em contrapartida, Lula não quer descolar-se de outras figuras igualmente abjetas, como Joesley Batista. Eugênio Esber escreve sobre o protagonismo que o governo petista concede ao amigo bilionário na tentativa de garantir algum espaço no cenário internacional. “O Brasil de Lula desiste do Itamaraty e aposta na diplomacia sem nenhum caráter de um magnata criado na estufa do lulopetismo”, constata.
Com a cumplicidade de Lula, os irmãos Joesley e Wesley Batista vivem às voltas com polêmicas. Em janeiro de 2025, por exemplo, quando a J&F comprou metade da Mantiqueira, maior produtora de ovos da América Latina, o governo anunciou que todos os ovos colocados no mercado deveriam ser carimbados com data de validade. A medida, que acabou sepultada depois de uma sequência de protestos, oneraria duramente granjas concorrentes.
Situações semelhantes envolveram a rede de energia elétrica do Amazonas, a tilápia e, agora, uma série de produtos da Ypê — empresa que disputa o mercado com a Minuano, integrante do conglomerado da J&F. Rachel Díaz e Artur Piva mostram que, depois da adoção pela Anvisa de medidas desfavoráveis à marca, o que deveria ser apenas técnico tornou-se mais um caso de polarização política.
Também para Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, a semana não acabou bem. A reportagem de Edílson Salgueiro detalha a série de mensagens trocadas entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master, que podem envolver o filho do ex-presidente no maior escândalo financeiro da história do país.
Para mostrar as coisas como as coisas são, nada melhor que instaurar a CPI do Master. Assim, Alexandre de Moraes terá mais uma chance para finalmente explicar o contrato de R$ 129 milhões assinado pelo banqueiro e o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro. O senador Ciro Nogueira poderá esclarecer o milagre do dinheiro que engordava mensalmente sua conta bancária. Lula e Jacques Wagner, enfim, conseguirão descobrir quem é Augusto Lima, envolvido até o pescoço nas falcatruas financeiras protagonizadas por Vorcaro.
Pobre Brasil. Mais uma vez, o país ficará à mercê da vontade e dos caprichos de Davi Alcolumbre.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de Redação

Será que um dia ficaremos sabendo sobre sócios ocultos dos Brothers Batista? De qualquer forma, Minuano, ovos mantiqueira, Happy Eggs, swift,
Friboi, etc nem chego perto nas prateleiras. A pulga sempre fica atrás da orelha… A mentira tem pernas curtas? Tá demorando a aparecer, mas um dia a verdade surgirá.
Que semana!!!
Mas foi ótimo ter acontecido agora essa “ degraça “ com Flávio. Pior seria se acontecesse depois de eleito, se assim o fosse.
Bota essa esquerda podre em cargueiros arruma tudo e solta no dorsal do atlântico lá eles vão governar bem a democracia com peixe pequeno e peixe grande
Mais um bom editorial. Não estamos numa semana boa, e a leitura terá que ser feita de forma fatiada e com pouco ânimo. Mas, como se diz aqui no sul “não se entreguemo pros home, de jeito nenhum, amigo e companheiro”.